Mais um dia levantando tarde, e adquirindo uma experiência muito cultural: lavar roupa. Tinha muita roupa suja, estava com apenas uma cueca limpa (e muitas meias – por que, de novo eu pergunto, peguei mais meias do que cuecas?) e faltam mais nove dias para terminar minha viagem.
O dono da lavanderia me ensinou como fazer tudo por lá: uma máquina era para comprar sabão em pó, outra para acionar a máquina que iria usar, outra para acionar a secadora, outra para pegar saco plástico de vários tamanhos para guardar as roupas, e era um pequeno parque de diversões para mim.
Essa diversão me custou quase a tarde inteira.
Como um bom filho da mãe, liguei para a cuja pedindo informação sobre como separar minhas roupas, apesar de já ter uma idéia na cabeça a respeito de roupas brancas, coloridas, jeans etc. Além de ser muito bom matar a saudades por telefone, tive as informações que precisava para continuar minha aventura.
Enquanto esperava 40 minutos por cada demanda de roupa, assistia um pouco de MTV que estava passando na televisão (talvez por eu ser jovem o dono achou que eu só assistisse isso e colocou quando eu me sentei para esperar), e notei que o formato de programação da MTV italiana (a qual não sei se é igual às outras da Europa) lembra muito a programação antiga da MTV brasileira, onde haviam programas e propagandas, mas quase toda a grade era composta por videoclipes.
Saudades da MTV brasileira dos anos 90.
Tudo lavado e um grande sorriso interno, passei em um restaurante logo atravessando a rua, e pedi um frango grelhado com batata assada. Aqui eu tenho comido muita pizza ou lanche, então pedir algo que não seja feito em demanda já significa certa saúde no prato.
Essa mesma saúde eu mandei um pouco para o espaço ao pedir um tiramissú de sobremesa (continuo sem saber qual é a graça dessa sobremesa – ou preciso comer todas do mundo para entender), e isso aconteceu um pouco antes de uma gangue de 50 jovens (tudo bem, eram menos) da Alemanha chegar para comer. Atrás de mim, estava um casal brasileiro, comentando sobre uma sorveteria que é imperdível e que fica perto do Pantheon, e essa informação poderá ser de grande valia para mim.
Passei na mesma mercearia (ou qual seja o nome verdadeiro) e comprei um doce de chocolate parecido com brownie e uma Coca Zero, e voltei para o meu hotel, onde eu pude com muita alegria e um certo senso de vitória arrumar todas as minhas roupas limpas na grande mala e ver que ainda sobra espaço.
Logo depois lembrei que dentro dessa mala ainda deveriam entrar dois pares de tênis, uma nécessaire (existe algum nome para homens? Falando assim parece que estou usando absorvente e echarpe) e uma mala fina onde estou guardando todos os presentes e quinquilharias compradas na viagem (que são bem poucas).
Peguei um taxi para o ponto de encontro da excursão, e entramos em um ônibus de dois andares, sendo o último conversível. É aquele tipo de ônibus que passa pela cidade e tem um monte de japonês gente tirando foto, filmando, apontando, usando chapéu esquisito (que apesar de ter comprado no local, ninguém no local usa). Passamos por uns lugares que não entendi muito bem da verdadeira importância (confiem em mim, não eram construções históricas como a Fontana di Trevi, era um prédio bem zuado e simples), chegamos a um ponto onde paramos, descemos, e a guia nos levou até a Fontana di Trevi.
A Fonte de Trevi, para quem sabe a história, é isso. Para quem não sabe, como eu, contenta-se apenas em achar a construção algo lindo. Uma fonte que tem dois ou três andares de altura só de ornamentos, imensa, com as cascatas e a meia lua de água onde todos sentam para tirar foto, se refrescar, admirar.
Havíamos marcado um ponto de encontro lá perto, em frente à uma gellateria (mamma mia), então eu tirei as fotos e fui para lá, tomei um sorvete (bem pequeno, no copinho – menor que de café) de Nutella (bem suave, comparado com o outro que tomei em Veneza, até a cor era clara) e fiquei olhando algumas lojas.
Algumas lojas vendem artigos medievais, como capacetes e espadas. Em uma delas eu vi uma espada linda, com cabo e bainha de madeira (não madeira de verdade, me parece uma boa imitação), lâmina de aço e era um pouco menor que o tamanho da minha perna (eu tenho 1,73m de altura – não, não é de cintura).
Comprei-a.
Com gosto.
E agora preciso me informar sobre como voltar para o Brasil com ela, sem ser preso ou apanhar da polícia, ser interrogado, revistado, investigado, interrogado de novo, e ter dor de cabeça. Mas a espada é linda, vem com suporte, mas também tem uma corrente na sua bainha, o que talvez me permita pendurar na parede.
Feliz com a espada nas costas, cadê o grupo? Eu havia chego antes do horário combinado, não encontrei ninguém, então tomei o sorvete, entrei nas lojas, comprei a espada, saí e não encontrei ninguém. Fui até onde estava o ônibus e ta-dáá: ele não estava mais lá.
Como mágica.
Então eu voltei ao ponto de encontro, voltei à Fontana di Trevi, voltei de novo ao ponto de encontro, tentei achar alguém do ônibus (como sempre, velhos e crianças – os jovens são descolados demais para fazer uma excursão turística), não achei ninguém, voltei ao ponto de encontro, voltei ao ponto onde estava o ônibus, olhei o horário e faltava meia hora para terminar a excursão, o que para mim significava que não valia a pena correr atrás do ônibus, por exemplo, indo até o Coliseu, pois eu chegaria a tempo de ir embora, então eu tive uma idéia.
HARD ROCK CAFE – ROMA
A primeira vez que eu fui eu tinha 12 anos, e foi em Orlando, quando estávamos (eu, meu irmão e meus pais) conhecendo a Disney World, encantados com seus parques perfeccionistas, quando conhecemos esse restaurante, que era também um museu da música.
Da música, e não do Rock, ou do Hard Rock em específico, pois lá eles possuem pertences da Tina Tuner (ela é do rock?), da Shakira (ela é do rock?), e milhares de outras bandas/cantores(as) de diversos gêneros (musicais e sexuais).
Hoje, treze anos depois, estou de volta ao restaurante – desta vez em Roma. Enquanto esperava uma mesa, fiquei olhando a loja que sempre tem coisas legais, tanto que eu gastei mais dinheiro em um chapéu e uma camiseta.
Agora eu tinha uma mochila (a usual de passeios, que fica nas costas), uma espada (em uma grande sacola) e uma sacola de papel com as compras do restaurante: isso chama-se comodismo.
Mesa pronta, a atendente Maria veio anotar meu pedido com grande simpatia, perguntando de onde eu era (provavelmente meu inglês-iugosvalo somado à dificuldade de falar R denuncia que eu não sou americano), das compras que havia feito na loja.
Feito (e chego) o pedido, saquei meu sagaz iPhone para tirar uma foto do prato e a atendente se ofereceu para tirar uma foto minha. Pelo ambiente ser escuro, somado com a qualidade da câmera do iPhone (que não é exemplar para ambientes escuros), a foto ficou regular para ruim.
Então ela se ofereceu para tirar outra foto, agora junto com ela.
Tá namoran-do! Tá namoran-do!
Ela estava se divertindo com as fotos, parecia mais uma amiga tirando foto junto do que alguém que estava ali para me atender apenas. Então guardei o aparelho, ela se despediu e eu parti para cima do prato. Um fato me surpreendeu: não consigo comer mais um hambúrguer sozinho.
Hoje eu fiz duas refeições, almoço (frango com batatas – porção pequena/regular + refrigerante) e janta (hambúrguer com fritas – porção regular + refrigerante refil), sendo que esta última eu precisei deixar um pouco no prato, ou eu teria que bater fotos no hospital.
Lembrei que tinha a câmera digital no bolso, o que era melhor para tirar as fotos no ambiente escuro. Pedi a conta para a atendente e, quando ela voltou, mostrei a câmera, e isso a fez dar pulos de alegria. Lembram daquela novela, acho que era Tieta, que a caminhonete (pick-up) entrava na cidade e as crianças saiam correndo atrás dela, sorrindo, gritando e balançando os braços até perder o alcance? Foi mais ou menos assim a alegria da atendente.
Então tiramos mais algumas fotos.
Paguei a conta, nos despedimos, peguei um taxi e voltei para o hotel. Experimentei o chapéu e a camiseta (achei um pouco grande, penso seriamente em voltar lá e medi-la com um tamanho médio e ver o quanto de pano que se perde e se vale a pena trocar).
Perdi a excursão mas ganhei um jantar agradável, apesar de sozinho (com participações esporádicas de uma atendente simpática e alegre). Também comprei uma espada (this…is…Sparta! E meu abdome é igual ao do ator), uma camiseta e um chapéu.
O Coliseu eu ainda posso ver outros dias de minha estadia por Roma, de manhã, à tarde ou à noite, e no mesmo dia eu ainda aproveito para conhecer outros lugares e maravilhas históricas que a cidade pode oferecer.
Amanhã tenho excursão ao Vaticano às 9h.
FALANDO EM PLANEJAMENTO
Sinto necessidade de encurtar meus dias na Itália pois, como disse algumas vezes, tive o infortúnio de escolher dias a mais do que o necessário.
Exemplo: Roma.
Escolhi passar cinco noites (seis dias) por aqui, considerando que o primeiro foi o checkin no hotel, o segundo foi ontem (lavanderia, Fontana di Trevi e Hard Rock Cafe) e o terceiro está começando hoje (com visita ao Vaticano). No dia de hoje eu ainda consigo visitar outros lugares durante o dia, e ao anoitecer volto para o hotel. Amanhã eu posso começar o dia no Coliseu e terminar em algum ponto histórico (o que significa que poderei aproveitar muito do dia visitando muitos lugares próximos). E o resto dos dias, o que vou fazer?
Outro exemplo, já vivenciado: Veneza.
Fiquei duas noites (três dias), considerando o primeiro (checkin e passeio), o segundo (passeio a pé), e o terceiro (checkout), sendo que daria para fazer tudo em um dia só e deixar o checkout para o começo da noite.
Mais um exemplo: Verona.
Escolhi ficar três noites (quatro dias), considerando o primeiro (checkin de um dia), o segundo (passeio no centro de Verona), o terceiro (passeio no centro de Verona e a ópera na Arena di Verona) e o quarto (checkout). Dava para fazer o passeio no centro de Verona e a ópera em um dia apenas, sem repetir no dia anterior.
Nápoles eu terei meu último passeio, enquanto em Palermo eu não tenho nada planejado, apenas passeios que eu montei (meia hora antes de pegar o vôo em Guarulhos) visitando alguns lugares e só.
Para quem começar a puxar os cabelos achando que estou louco, pare(m) para pensar: eu estou na Itália desde o dia 18 de agosto, rodando diversas cidades, conhecendo um monte de lugares, vivendo diversas experiências (contra ou a favor de minha vontade), sem falar meu idioma (nunca falei tanto inglês até então), presenciando construções e obras de arte históricas e maravilhosas, experimentando (tentando) algumas comidas e, como disse antes da viagem, vivenciando a experiência de passar um tempo sozinho, longe de tudo que conheço e todos com quem gosto e convivo.
Estou aproveitando muito bem, é uma experiência distinta que vai ficar nas fotos, nas lembranças e principalmente na memória, na vida, para contar para as pessoas, e até mesmo colocar no currículo (ou acham que não é importante colocar sobre experiências – profissionais ou não – no exterior?).
A viagem que estou aproveitando agora me dá vontade de viajar para outros lugares, como Estados Unidos, pois nesta viagem tenho percebido que eu consigo me comunicar bem em inglês mesmo sem ter feito aulas (apesar de ter vontade de fazer).
Agora irei preparar as fotos para colocar no Flickr (http://www.flickr.com/photos/afranzolim), os e-mails (um para a família, um para a agencia de viagens e outro para o Itaú) e me preparar para usar a internet para, além de tudo isso, também pagar algumas contas, ver notícias e logo ir dormir, pois amanhã meu dia começa cedo.