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3set (Roma-Nápoles)

Acordar, guardar o restante das coisas (itens de banheiro que usei pela manhã após acordar), checkout, taxi, Roma Termini, pagar reserva de lugar no próximo trem para Nápoles, andar com mala de alça e a caixa com a espada romana (não cabe na mala – mesmo) mais mochila nas costas e usando o chapéu (para não amassar na mala, precisa ir na cabeça), parecia um rockstar conhecendo a Europa, apesar de não ser bonito e em forma como tal, não estar na moda como tal e usar segunda classe e classe econômica em minhas viagens.

E eis que…

NÁPOLES

As estações anteriores mostraram prédios feios ao redor das estações, classe baixa, pobre, roupas estendidas em varais que iam de uma sacada até outra, grafite em tudo quanto era lugar, carros velhos, mato crescendo onde não deveria etc. Imaginei que em Nápoles, apesar de ter visto no GoogleMaps Street View que o lugar era bem urbano e centro de cidade, fosse melhor.

Ingênuo engano.

O contraste é bem grande, quando lembro das outras cidades e dos outros hotéis em que fiquei, pois aqui lembra um pouco o Largo São Bento. Muitos comércios, daqueles tipos onde tudo é extremamente barato (a latinha de refrigerante, que geralmente pago €2,50, costuma custar €0,80).

(pausa para esfregar uma mão na outra – estão super secas, mesmo usando hidratante com certa freqüência, cacete de sensação de lixa)

Saindo do trem, um homem perguntou se precisava de taxi, confirmei, e o segui até o seu carro. Algo estava estranho, mas me reservei, até chegarmos no carro dele, que era um trio elétrico do Jamil e…brincadeira. Ao chegar no carro dele, não era um taxi, era um carro comum, e ele fazia preço fixo. Saiu mais caro, claro, do que se eu tivesse andado mais dois metros e pego um taxi regular, mas o bom é que cheguei logo no hotel.

Fiz meu checkin, peguei as informações sobre quarto e serviços, e subi para o meu quarto. Não quero ser uma pessoa que reclama de tudo ao invés de ser grata por ter algo que ofereça o que preciso, então eu vou dizer que é algo muito bom entrar em um quarto com cama, banheiro com tudo em ordem, e ar-condicionado (que já liguei a 19º, mas agora mudei para 22º por começar a criar estalactites no teto)

Confesso que chegar nesta região de Nápoles foi um grande desânimo, pois se fosse para conhecer centros urbanos eu ficaria em São Paulo, andando a pé, de ônibus, metrô, ou melhor ainda, com o meu próprio carro. Evitando a reclamação, tudo está indo muito bem e aqui ao redor não tem nada para se fazer, ainda mais quando começar a anoitecer pois a região tem mais gente mau apessoada do que Veneza, o que significa sempre ver gente te encarando (ou, na verdade, encarando qualquer coisa – são suas caras de “mano”).

O que isso significa?

Que hoje eu não irei fazer nada cultural, o meu máximo já foi feito: almocei pizza (novidade), comi um doce em uma padaria e dei uma volta no quarteirão, e isto foi o máximo e suficiente para perceber que realmente não tenho nada a fazer nesta região do hotel.

Mas, eu tenho amanhã uma excursão com quatro horas de duração pela região da Pompéia, que eu não faço a mínima idéia do que seja, como seja (minto, já vi algumas fotos) e por que é que é do jeito que é, mas eu irei conhecer, tirar fotos a valer e, depois, tenho outro plano, mirabolante, fora de roteiro, arriscado, mas que dependendo de minhas pesquisas pode ser um lugar lindo: Ilha de Capri.

Pompéia será de manhã com previsão de término por volta do meio-dia, o que significa que eu posso aproveitar a partir desse horário e tentar ir até a Ilha de Capri, dar uma volta por lá, ver o mar etc. Sempre ouço falar super bem desse local, assim como sua beleza (e também suas baladas), como eu sou um cara que não freqüenta baladas e está de passagem rápida (e com dinheiro contado), me limitarei a fazer passeios diurnos, calmos, tranqüilos e em horários tranqüilos para voltar para o hotel.

Agora estou impressionado sobre como eu tenho a capacidade de escrever quase duas páginas sobre absolutamente nada. Melhor ainda será as pessoas acessarem este blog e lerem com atenção a cada palavra e no final pensarem melhor se tivesse esperado para ler apenas sobre o dia de amanhã com passeios e aventuras mais interessantes do que um quarto com ar-condicionado.

Soube que em São Paulo está calor, bastante calor, o que me deixa animado para finalmente ter um momento na piscina e tomar sol, algo que meu corpo certamente vai estranhar depois de bons anos de abstinência.

(o quarto está tão gelado que minha bebida nem precisa ficar no frigobar, hahahahahahaha).

Saudades de todos.

Salute.

2set (Roma)

Apesar de não ter feito nada turístico, fui dormir às três da manhã, e a última coisa que fiz foi falar ao telefone com minha família. Pela internet eu mandei e-mail e, finalmente, consegui colocar as fotos de Roma para eles (e qualquer um) verem.

Hoje levantei mais cedo que ontem, então usei a internet novamente para fazer umas operações no banco, vim para o quarto curtir a preguiça, até que decidi ir ao Pantheon.

Pensava em passar o dia sem comer, pois ultimamente as refeições têm sido bem fortes (não necessariamente em grande quantidade), mas isso não foi possível, e eu acabei me encontrando defronte a uma pizza marguerita maior que o prato (sim, tenho foto com minha mão ao lado para mostrar que é realmente grande). A parte boa é que bebi apenas água, o que é uma novidade (nunca gostei de tomar água durante as refeições). Voltei para o hotel com uma latinha de refrigerante e um chocolate, dei um tempo no quarto (para não ter a sensação de ficar 24h andando) e, antes de sair do hotel, peguei um mapa que havia no balcão do hotel.

Apesar de o mapa mostrar uma distância bem relevante, chegamos rápido (considerando que aqui é a primeira cidade em que pego trânsito – mas foram dois minutos no máximo), e eu pude conhecer o famoso Pantheon, tirar fotos e passar um tempo lá dentro.

Não, não sabia que era (mais) uma igreja, eu tinha na cabeça algo como uma fortaleza de gigantes feitos de pedra que lutavam contra dragões e monstros marinhos, algo mitologicamente babaca, mas estava completamente enganado (e fantasioso).

Comecei a dar umas voltas por lá e não havia mais coisas interessantes, eram apenas restaurantes, sorveterias e algumas lojas de roupa com marcas provavelmente locais e nada (?) famosas. Voltando para a praça onde fica o Pantheon uma loja me chamou a atenção: era uma mercearia.

Pães, queijos, petiscos, frios, bebidas, quinquilharias em geral da gastronomia. Uma loja bastante rústica (falando assim parece que tudo aqui tem o visual moderno), e o principal funcionário (creio que seja o dono) falava inglês fluentemente, para a minha modesta alegria.

Depois de pedir umas informações sobre uns vinhos que tinha anotado, liguei para o meu pai para confirmar se podia comprar o vinho que achei (afinal, as anotações eram pedido dele, e ele é quem sabe) e comprei, assim como uma garrafa de Limoncello, que o deixou bem feliz por telefone.

Voltei para o hotel, com meu querido ar-condicionado, e irei dormir cedo esta noite, pois amanhã de manhã farei meu checkout e pegarei um trem para Nápoles, creio que será uma viagem rápida (ou pelo menos no mesmo tempo que as outras).

Faltam três dias para eu voltar para o Brasil, e isto me deixa muito feliz. A viagem está muito boa, o erro que eu cometi foi escolher dias a mais com planejamento de menos, o que significa ter dias parados, e não é legal viajar para ficar parado, e sim conhecer os lugares.

Outro ponto: como disse, muito daqui é igreja, e conta a história do catolicismo, do envolvimento político, e todas essas historias estavam me cansando, então sim, uma parcela de ficar parado é iniciativa própria pois não agüento mais ver igrejas maravilhosamente esculpidas e pintadas (ou fontes!).

Eu sou um grande de um saco para cultura, história e conhecimento. Meu forte é ser engraçado.

Brasileiros, guardem suas filhas em casa (sempre quis falar isso, mesmo eu não representando ameaça alguma), pois eu estou voltando para minha amada terra.

Como escrevem nas camisetas aqui: Ciao Bella.

1set (Roma)

Ontem fui dormir por volta da meia noite e meia, imaginei que fosse ter mais ou menos oito ou nove horas de sono, no máximo dez (dependendo da preguiça de acordar e voltar a dormir como se nada tivesse acontecido), mas eu me surpreendi: contando com as vezes em que eu acordei e decidi voltar a dormir, posso afirmar que dormi mais ou menos quatorze horas.

Sim, levantei às 14h00 (horário de Roma) com a maior cara de pau (que só eu poderia ver, pois estou sozinho), e ainda enrolei o suficiente em meu quarto por um motivo: tem um período do dia em que o sol fica muito forte, e este período é depois das 14h. Quem nunca ouviu da mãe, pai, tia, avó ou quem seja que criou vocês, falar cuidado com o sol do meio-dia, é o mais forte?

Eu já ouvi. Da mãe, do pai, da avó, do irmão, dos familiares, dos pais dos amigos etc.

Saí para almoçar, e desta vez eu comi macarrão, um prato de nhoque com molho e queijo, que estava abraçando meu interior com muito carinho enquanto eu dava uns bons goles no refrigerante gelado. Saindo do restaurante, passei na mesma mercearia onde comprei o doce de chocolate (e eu descobri o nome: torrone italiano, que de torrone não tem nada, pelo menos comparado com o que é famoso no Brasil) e comprei, além de minha lendária Coca-Cola Zero, um doce de chocolate que tinha mais ou menos o tamanho de um azulejo de banheiro, mais ou menos do tamanho da mão de um homem graúdo por volta dos 25 anos (ou eu).

Voltei para o hotel para comer minha sobremesa, pois com aquele tamanho, textura e consistência, seria não apenas incômodo mas também vergonhoso tentar comer na rua, enquanto se está andando, ainda mais segurando uma garrafa de 600ml.

Por volta das 16h eu comecei o meu passeio, com a ajuda de um taxi para chegar até o Coliseu novamente, e por lá eu fiquei andando. A princípio procurando o Foro Romano, e pretendendo visitar também o Palatino, mas acabei me entretendo com as ruas e as pequenas construções menosprezadas, ou melhor, ofuscadas pelas grandes e abissais atrações.

(aliás, vocês sabiam que o nome original – ou inicial – do Coliseu é Anfiteatro de Flavio?)

Meu passeio foi me afastando mais do Coliseu, e eu finalmente encontrei o Foro Romano. Ou pelo menos acho que encontrei, eu apenas segui as placas da cidade e nada mais. Sinceramente achei sem graça, mas eu confirmarei na internet as outras arquiteturas que ainda não visitei por aqui, ver a cara delas, para saber identificar amanhã.

Entrei em uma praça, que esqueci o nome, que tem uma escadaria imensa para chegar até ela, e estava havendo um protesto com algumas pessoas no terraço de um edifício (no máximo dois andares de altura) ameaçando se jogar de lá.

Eram os sem-teto de Roma.

Ouvi alguns brasileiros conversando ao meu lado e puxei papo com eles, com aquele charme e originalidade, falando e aí, será que eles pulam mesmo?

O casal era de Santo André, simpáticos, me ensinaram que aquela praça foi desenhada pelo Michelangelo, e que alguns dos sem-teto usavam tênis Nike Shox. Diferente do Brasil, onde os sem-teto usam aquelas roupas surradas de trabalho, os daqui pareciam um tanto arrumados.

Comentei um importante detalhe com o casal: quem quer se matar não faz estardalhaço, simplesmente se mata e depois descobrem quem era, o que queria, se havia alguma causa naquilo. Os de hoje queriam apenas chamar a atenção das pessoas e fazer sua causa ser conhecida.

Andei.

Andei.

Andei.

Pareceu muita coisa, mas foram apenas três horas de passeio, e eu decidi experimentar o cappuccino daqui que, segundo o meu pai, é muito elogiado. Apesar de eu não ser um bom conhecedor de cafés ou já ter provado diversas iguarias de seu grão (eu me forcei a gostar de café há menos de um ano, sendo um fiel consumidor da Starbucks), o cappuccino estava realmente muito bom.

O que eu tomei estava suave e cremoso, mas eu ainda preciso experimentar de outros lugares aqui, e no Brasil, para ter base comparativa, ou parecerei um grande babaca falando do que não sei.

De volta ao hotel, meus planos para amanhã será, novamente, passear pela região do Coliseu, ou Piazza del Coliseo, provavelmente buscar chegar lá em um horário muito cedo para estar mais vazio e fugir do atormentador sol do verão europeu.

Se ao menos tivesse uma piscina no hotel, como em Verona, eu poderia de manhã fazer mais passeios, voltar para o hotel e passar a tarde debaixo do sol na piscina, e no cair da tarde fazer mais alguma coisa rápida antes de realmente anoitecer.

Saldo alimentício de hoje: nhoque, azulejo com recheio de chocolate, refrigerantes, água e cappuccino. E eu realmente pretendo não comer mais nada por hoje, o almoço em si não era grande mas me estufou durante o dia todo, quase que desisto de tomar o cappuccino (mas alguns arrotos ajudaram a liberar espaço). Aliás, comer pouco e ficar cheio significa outra coisa muito conveniente, que é perder peso e diminuir as medidas, então preciso tomar cuidado como que como para não correr o risco de ter alguma indigestão ou apenas aquele incômodo pós rodízio de comida.

Quanto à antecipação de minha volta ao Brasil, será no dia 5 de setembro (quatro dias antes da data original) e eu não precisarei do vôo até Roma, para depois seguir até Madrid, eu irei para Madrid direto de Nápoles, e daí sim pegar o vôo para o Brasil, aeroporto de Guarulhos.

Até breve, brasileiros!

31ago (Roma)

Tem uma prática que eu estou desacostumado: acordar cedo. Ainda mais para quem foi dormir às 3h precisando levantar às 7h, e isso só aconteceu unicamente porque a internet daqui estava extremamente lenta e dando problemas, o que dificultou e atrasou (muito) uma simples operação de enviar e receber e-mails (sem anexo, e curtos, apenas texto).

No ponto de encontro, uma esquina onde havia uma estação de metrô, começaram a chegar algumas pessoas, com cara de perdidas, com voucher na mão olhando para os lados com muita suspeita. E com razão: o ponto de encontro era apenas aquela esquina, não havia placa da agência, ou alguém com uniforme, apenas uma esquina.

Pontualmente surgiu uma menina do metrô segurando a placa com o nome da agência, todos se aglomeraram nela ao ponto de ela ficar um pouquinho descontrolada: todos estenderam os vouchers e os €20 que eram precisos para pagar a entrada no Museu do Vaticano, até que ela disse just calm down people, i’m here to help u, one by one please com um certo ar de cacete, deixa eu me organizar aqui, pois todo mundo enfiando dinheiro e papel na minha prancheta mais atrapalha do que ajuda.

Depois chegou uma outra mulher, que descobrimos ser a nossa guia, e depois um homem (com camisa pólo violeta – mas um belo de um carro) com os walk-talkies e fone de ouvido (para a guia não precisar berrar no meio do museu).

Fomos a pé pois era perto, não pegamos a fila que dobrava o quarteirão, passamos pelo detector de metais (igual em aeroporto), nos dividimos em grupos (haviam mais de uma guia) e então seguimos para conhecer tudo lá dentro.

Um grande resumo: é tudo muito bonito, muito detalhado, cada ornamento é cuidado e restaurado. Cada pedaço do teto e da parede são verdadeiras obras de arte, e isso me cansou depois de passar pela décima sala com afresco até no rodapé (em minha ignorante mente para história e cultura, eu ansiava por ver uma parede branca).

Muitas salas haviam obras em afresco no teto e nas paredes, algumas até com ilusão de ótica: você pode fixar seus olhos e achar que tudo foi esculpido, mas na verdade as sombras e as luzes foram desenhadas, e você se sente um bobo. Eu não me senti, afinal, desde aquela época os artistas já dominavam a obsoleta e discriminada técnica do bevel and emboss (piada de Photoshop – este, quando traduzido, se transforma em chanfro e entalhe).

Cada sala que estávamos perto da saída havia uma placa escrito Capela Sistina e a seta indicando a direção, e ao seguir a seta você entrava em outra sala, e aí sim eu comecei a me sentir bobo. Creio que muitos, pois andamos bastante dentro do museu, onde existem mais pinturas do que esculturas.

A guia nos avisou que era estritamente proibido tirar fotos e filmar dentro da Capela Sistina, assim como falar ou fazer qualquer barulho (celular, música etc.), e ao chegar na porta de entrada avistei as placas com esses avisos e dava para ouvir os guardas falando, constantemente, silenzio, no fotos, no filme, e o ensurdecedor shhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Muitas pessoas ignoravam esse aviso, e procuravam o melhor ângulo para tirar uma foto que fosse fora do campo de visão dos seguranças, o que era um tanto difícil, uma vez que eles possuem uma rotina de dar uma volta entre as pessoas antes de assumirem suas posições novamente.

Reparei que o segurança pediu silêncio para alguma(s) pessoa(s) e, em um gesto que mostrava a razão de seu pedido, ele apontou para a cruz, com a estátua de Jesus Cristo, que poderia ser interpretado como estamos em um local santo, por favor respeite.

Eu consegui tirar uma foto com o iPhone, guardei-o rapidamente e fiquei admirando. Realmente aquilo foi complicado de se fazer, e a perfeição alcançada é de tirar o fôlego por uns minutos, ou te prender por uns instantes olhando para cima e para os lados. Teve uma hora que eu confundi a pintura de cortinas com cortinas de verdade. Isso é possível.

O guarda passou na minha frente mas nem desconfiou. Logo vi ele chamando atenção de dois moleques, dizendo que era a última vez que avisaria ou eles seriam expulsos do local. Apesar dos avisos dos guardas e de um aviso sonoro (a mesma mensagem repetida em umas cinco ou seis línguas) as pessoas ainda arriscavam tirar foto no local, o que em parte eu sou a favor.

Uma obra de arte como a Capela Sistina, com a história que ela tem (ela, a obra de arte – como foi feita, a técnica, as conseqüências etc.), deveria ser liberada para que as pessoas pudessem tirar suas fotos. Ninguém vai vender elas, ficarão guardadas em suas casas, quase todos no local eram adultos e idosos que queriam mostrar as fotos de sua viagem para alguém da família, e não criar uma conspiração de banco de imagens do Vaticano.

A proibição de flash está correta, pois dependendo do restauro e da etapa em que se encontra, a luz do flash pode com certeza alterar a tinta aplicada nas pinturas e dificultar o trabalho dos profissionais que se empenham em manter tudo aquilo preservado. Mas proibir fotos soou totalmente comercial.

Tem uma parte da Capela que tem uma grade de ponta a ponta, com uma porta de grade aberta, que não serve para muita coisa para eles, mas para os turistas, servia para facilitar as fotografias longe da segurança, já que eles não iam até lá e esse local era ao fundo da Capela. Nessa hora eu consegui usar a máquina e tirar mais fotos.

Saí de lá e, como de costume, me perdi do grupo, e o meu consolo para que eu não me considere tão burro é que a guia disse que isso é normal pois são milhares de grupos que vão te levando em um fluxo só, e qualquer piscada te faz perder. Logo após a Capela Sistina havia a Basílica de São Pedro, que me lembrou a Duomo di Milano pela complexidade dos ornamentos internos, tudo feito minunciosamente, e cada detalhe desse ocupando um lugar imenso.

Confesso que até deu um pouco de tontura ver tantos detalhes e ornamentos em um mesmo campo de visão: muita madeira, mármore, ouro, bronze, ferro, luz, vidro, pedras e outros materiais.

A saída da Basílica fica na praça do Vaticano, que é imensa e, até onde eu conheço (pouco) é onde ficam as pessoas quando há a escolha do novo Papa. A praça é famosa, já apareceu em diversos filmes, um mais recente é Anjos e Demônios, e eu tenho boas fotos dela.

E o calor era acima de 30º, enquanto eu estava de camiseta, tênis e calça (pois eles são exigentes com a roupa – dependendo do que você estiver usando eles te barram a entrada), o que foi um dos agentes para me causar a famosa assadura de tanto andar (mais de sete horas andando, no sol).

Como havia me perdido do grupo, resolvi tomar meu caminho como planejado: cheguei ao Coliseu de táxi e foi aquela sensação de então este é o Coliseu que eu somente via em fotos. O bicho é grande e bonito arqueologicamente (obviamente por estar em ruínas), arranjei uma excursão de última hora (também com guia falando em inglês) e visitei o interior do Coliseu, onde tirei muitas fotos (uma boa parte repetidas).

Para conhecer o Foro Romano e a Palantina precisava, também, pagar o ingresso. A essa hora eu estava enxarcado, cansado, com sono, com fome e com sede (o dia inteiro foi pão com queijo, um refrigerante, um suco de laranja natural e meio pedaço – final – daquele doce que comprei ontem, eu basicamente tomei apenas um café da manhã, sem almoço). Tirei algumas fotos externas, e com grande orgulho desisti de pagar para visitar esses locais, quem sabe outra hora, de banho tomado, seco, e bem alimentado (e provavelmente em um horário que tenha mais brisa do que sol) eu volte, pague e conheça com mais afinco.

E sem guias, descobri que excursões artísticas te fazem doer as pernas, pois cada detalhe o guia quer comentar um fato histórico, e tudo tem ligação com um monte de eventos, geralmente políticos e religiosos, e você se percebe olhando por 15 minutos um pedaço de pilastra.

Logo ao lado, também, havia o Arco di Constantino (aprendi que ele era inglês), que foi simples e objetivo: parar, tirar foto e continuar andando.

Voltei para o hotel, novamente de taxi (apesar de ter andado um bom pedaço e ter comprado – finalmente – soro e case para lentes de contato) e achei que fosse sair caro pois estava demorando um pouco para chegar aqui no hotel, mas deu €7 (um preço barato, comparando com outros dias).

Tomei um banho, já taquei a roupa suja na sacola de roupas sujas, mas como eu lavei todas as minhas roupas, as de hoje estrearam a função suja dessa sacola. Preciso voltar no Hard Rock Café para trocar a camiseta, talvez comprar mais uma, mas não pretendo jantar por lá, pois pelo que lembro tem um restaurante italiano do lado e eu estou com vontade de comer uma boa massa. Apesar de ontem eu ter fixado mentalmente que hoje eu iria apenas passar o dia com líquidos (água, suco e refrigerante – em doses balanceadas), depois de andar por mais de seis horas eu creio que mereça essa janta.

Quanto ao Hard Rock, dependendo da hora, pode ser apenas uma sobremesa, apesar de que não deve ter nada interessante o suficiente para que eu fique por lá apenas para isso.

Informação desnecessária: escrevendo de cueca e chinelo com o ar-condicionado no talo, o que significa que estou com frio na Itália, e isto é um paradoxo.

Fui jantar, e eu juro que eu tentei comer macarrão, mas acabei seduzido pelo hambúrguer e o ambiente do Hard Rock Café, novamente. Pedi o mesmo que ontem, e ainda comprei mais algumas coisas na loja (surpresa).

Antes de receber meu pedido, me ligaram da agência confirmando que meus planos deram certo: minha volta ao Brasil será antecipada para o dia 5/6 de setembro, o que significa que faltam quatro dias apenas para ir embora. Eu chutei Palermo fora (não tinha nada planejado oficialmente) e não estraguei meus planos em Nápoles (como a excursão programada – me esforçarei para não me perder nesta última).

O taxista que me trouxe para o hotel agora à noite tem uma namorada brasileira, que mora há dois anos em Roma. Conversamos sobre as semelhanças entre português e italiano, mas essa prosa não adiantou nada para amenizar o abusivo preço de €20 (ontem paguei €7 com outro taxista).

Pernas assadas, creio que esta noite dormirei como uma boa pedra.

30ago (Roma)

Mais um dia levantando tarde, e adquirindo uma experiência muito cultural: lavar roupa. Tinha muita roupa suja, estava com apenas uma cueca limpa (e muitas meias – por que, de novo eu pergunto, peguei mais meias do que cuecas?) e faltam mais nove dias para terminar minha viagem.

O dono da lavanderia me ensinou como fazer tudo por lá: uma máquina era para comprar sabão em pó, outra para acionar a máquina que iria usar, outra para acionar a secadora, outra para pegar saco plástico de vários tamanhos para guardar as roupas, e era um pequeno parque de diversões para mim.

Essa diversão me custou quase a tarde inteira.

Como um bom filho da mãe, liguei para a cuja pedindo informação sobre como separar minhas roupas, apesar de já ter uma idéia na cabeça a respeito de roupas brancas, coloridas, jeans etc. Além de ser muito bom matar a saudades por telefone, tive as informações que precisava para continuar minha aventura.

Enquanto esperava 40 minutos por cada demanda de roupa, assistia um pouco de MTV que estava passando na televisão (talvez por eu ser jovem o dono achou que eu só assistisse isso e colocou quando eu me sentei para esperar), e notei que o formato de programação da MTV italiana (a qual não sei se é igual às outras da Europa) lembra muito a programação antiga da MTV brasileira, onde haviam programas e propagandas, mas quase toda a grade era composta por videoclipes.

Saudades da MTV brasileira dos anos 90.

Tudo lavado e um grande sorriso interno, passei em um restaurante logo atravessando a rua, e pedi um frango grelhado com batata assada. Aqui eu tenho comido muita pizza ou lanche, então pedir algo que não seja feito em demanda já significa certa saúde no prato.

Essa mesma saúde eu mandei um pouco para o espaço ao pedir um tiramissú de sobremesa (continuo sem saber qual é a graça dessa sobremesa – ou preciso comer todas do mundo para entender), e isso aconteceu um pouco antes de uma gangue de 50 jovens (tudo bem, eram menos) da Alemanha chegar para comer. Atrás de mim, estava um casal brasileiro, comentando sobre uma sorveteria que é imperdível e que fica perto do Pantheon, e essa informação poderá ser de grande valia para mim.

Passei na mesma mercearia (ou qual seja o nome verdadeiro) e comprei um doce de chocolate parecido com brownie e uma Coca Zero, e voltei para o meu hotel, onde eu pude com muita alegria e um certo senso de vitória arrumar todas as minhas roupas limpas na grande mala e ver que ainda sobra espaço.

Logo depois lembrei que dentro dessa mala ainda deveriam entrar dois pares de tênis, uma nécessaire (existe algum nome para homens? Falando assim parece que estou usando absorvente e echarpe) e uma mala fina onde estou guardando todos os presentes e quinquilharias compradas na viagem (que são bem poucas).

Peguei um taxi para o ponto de encontro da excursão, e entramos em um ônibus de dois andares, sendo o último conversível. É aquele tipo de ônibus que passa pela cidade e tem um monte de japonês gente tirando foto, filmando, apontando, usando chapéu esquisito (que apesar de ter comprado no local, ninguém no local usa). Passamos por uns lugares que não entendi muito bem da verdadeira importância (confiem em mim, não eram construções históricas como a Fontana di Trevi, era um prédio bem zuado e simples), chegamos a um ponto onde paramos, descemos, e a guia nos levou até a Fontana di Trevi.

A Fonte de Trevi, para quem sabe a história, é isso. Para quem não sabe, como eu, contenta-se apenas em achar a construção algo lindo. Uma fonte que tem dois ou três andares de altura só de ornamentos, imensa, com as cascatas e a meia lua de água onde todos sentam para tirar foto, se refrescar, admirar.

Havíamos marcado um ponto de encontro lá perto, em frente à uma gellateria (mamma mia), então eu tirei as fotos e fui para lá, tomei um sorvete (bem pequeno, no copinho – menor que de café) de Nutella (bem suave, comparado com o outro que tomei em Veneza, até a cor era clara) e fiquei olhando algumas lojas.

Algumas lojas vendem artigos medievais, como capacetes e espadas. Em uma delas eu vi uma espada linda, com cabo e bainha de madeira (não madeira de verdade, me parece uma boa imitação), lâmina de aço e era um pouco menor que o tamanho da minha perna (eu tenho 1,73m de altura – não, não é de cintura).

Comprei-a.

Com gosto.

E agora preciso me informar sobre como voltar para o Brasil com ela, sem ser preso ou apanhar da polícia, ser interrogado, revistado, investigado, interrogado de novo, e ter dor de cabeça. Mas a espada é linda, vem com suporte, mas também tem uma corrente na sua bainha, o que talvez me permita pendurar na parede.

Feliz com a espada nas costas, cadê o grupo? Eu havia chego antes do horário combinado, não encontrei ninguém, então tomei o sorvete, entrei nas lojas, comprei a espada, saí e não encontrei ninguém. Fui até onde estava o ônibus e ta-dáá: ele não estava mais lá.

Como mágica.

Então eu voltei ao ponto de encontro, voltei à Fontana di Trevi, voltei de novo ao ponto de encontro, tentei achar alguém do ônibus (como sempre, velhos e crianças – os jovens são descolados demais para fazer uma excursão turística), não achei ninguém, voltei ao ponto de encontro, voltei ao ponto onde estava o ônibus, olhei o horário e faltava meia hora para terminar a excursão, o que para mim significava que não valia a pena correr atrás do ônibus, por exemplo, indo até o Coliseu, pois eu chegaria a tempo de ir embora, então eu tive uma idéia.

HARD ROCK CAFE – ROMA

A primeira vez que eu fui eu tinha 12 anos, e foi em Orlando, quando estávamos (eu, meu irmão e meus pais) conhecendo a Disney World, encantados com seus parques perfeccionistas, quando conhecemos esse restaurante, que era também um museu da música.

Da música, e não do Rock, ou do Hard Rock em específico, pois lá eles possuem pertences da Tina Tuner (ela é do rock?), da Shakira (ela é do rock?), e milhares de outras bandas/cantores(as) de diversos gêneros (musicais e sexuais).

Hoje, treze anos depois, estou de volta ao restaurante – desta vez em Roma. Enquanto esperava uma mesa, fiquei olhando a loja que sempre tem coisas legais, tanto que eu gastei mais dinheiro em um chapéu e uma camiseta.

Agora eu tinha uma mochila (a usual de passeios, que fica nas costas), uma espada (em uma grande sacola) e uma sacola de papel com as compras do restaurante: isso chama-se comodismo.

Mesa pronta, a atendente Maria veio anotar meu pedido com grande simpatia, perguntando de onde eu era (provavelmente meu inglês-iugosvalo somado à dificuldade de falar R denuncia que eu não sou americano), das compras que havia feito na loja.

Feito (e chego) o pedido, saquei meu sagaz iPhone para tirar uma foto do prato e a atendente se ofereceu para tirar uma foto minha. Pelo ambiente ser escuro, somado com a qualidade da câmera do iPhone (que não é exemplar para ambientes escuros), a foto ficou regular para ruim.

Então ela se ofereceu para tirar outra foto, agora junto com ela.

Tá namoran-do! Tá namoran-do!

Ela estava se divertindo com as fotos, parecia mais uma amiga tirando foto junto do que alguém que estava ali para me atender apenas. Então guardei o aparelho, ela se despediu e eu parti para cima do prato. Um fato me surpreendeu: não consigo comer mais um hambúrguer sozinho.

Hoje eu fiz duas refeições, almoço (frango com batatas – porção pequena/regular + refrigerante) e janta (hambúrguer com fritas – porção regular + refrigerante refil), sendo que esta última eu precisei deixar um pouco no prato, ou eu teria que bater fotos no hospital.

Lembrei que tinha a câmera digital no bolso, o que era melhor para tirar as fotos no ambiente escuro. Pedi a conta para a atendente e, quando ela voltou, mostrei a câmera, e isso a fez dar pulos de alegria. Lembram daquela novela, acho que era Tieta, que a caminhonete (pick-up) entrava na cidade e as crianças saiam correndo atrás dela, sorrindo, gritando e balançando os braços até perder o alcance? Foi mais ou menos assim a alegria da atendente.

Então tiramos mais algumas fotos.

Paguei a conta, nos despedimos, peguei um taxi e voltei para o hotel. Experimentei o chapéu e a camiseta (achei um pouco grande, penso seriamente em voltar lá e medi-la com um tamanho médio e ver o quanto de pano que se perde e se vale a pena trocar).

Perdi a excursão mas ganhei um jantar agradável, apesar de sozinho (com participações esporádicas de uma atendente simpática e alegre). Também comprei uma espada (this…is…Sparta! E meu abdome é igual ao do ator), uma camiseta e um chapéu.

O Coliseu eu ainda posso ver outros dias de minha estadia por Roma, de manhã, à tarde ou à noite, e no mesmo dia eu ainda aproveito para conhecer outros lugares e maravilhas históricas que a cidade pode oferecer.

Amanhã tenho excursão ao Vaticano às 9h.

FALANDO EM PLANEJAMENTO

Sinto necessidade de encurtar meus dias na Itália pois, como disse algumas vezes, tive o infortúnio de escolher dias a mais do que o necessário.

Exemplo: Roma.

Escolhi passar cinco noites (seis dias) por aqui, considerando que o primeiro foi o checkin no hotel, o segundo foi ontem (lavanderia, Fontana di Trevi e Hard Rock Cafe) e o terceiro está começando hoje (com visita ao Vaticano). No dia de hoje eu ainda consigo visitar outros lugares durante o dia, e ao anoitecer volto para o hotel. Amanhã eu posso começar o dia no Coliseu e terminar em algum ponto histórico (o que significa que poderei aproveitar muito do dia visitando muitos lugares próximos). E o resto dos dias, o que vou fazer?

Outro exemplo, já vivenciado: Veneza.

Fiquei duas noites (três dias), considerando o primeiro (checkin e passeio), o segundo (passeio a pé), e o terceiro (checkout), sendo que daria para fazer tudo em um dia só e deixar o checkout para o começo da noite.

Mais um exemplo: Verona.

Escolhi ficar três noites (quatro dias), considerando o primeiro (checkin de um dia), o segundo (passeio no centro de Verona), o terceiro (passeio no centro de Verona e a ópera na Arena di Verona) e o quarto (checkout). Dava para fazer o passeio no centro de Verona e a ópera em um dia apenas, sem repetir no dia anterior.

Nápoles eu terei meu último passeio, enquanto em Palermo eu não tenho nada planejado, apenas passeios que eu montei (meia hora antes de pegar o vôo em Guarulhos) visitando alguns lugares e só.

Para quem começar a puxar os cabelos achando que estou louco, pare(m) para pensar: eu estou na Itália desde o dia 18 de agosto, rodando diversas cidades, conhecendo um monte de lugares, vivendo diversas experiências (contra ou a favor de minha vontade), sem falar meu idioma (nunca falei tanto inglês até então), presenciando construções e obras de arte históricas e maravilhosas, experimentando (tentando) algumas comidas e, como disse antes da viagem, vivenciando a experiência de passar um tempo sozinho, longe de tudo que conheço e todos com quem gosto e convivo.

Estou aproveitando muito bem, é uma experiência distinta que vai ficar nas fotos, nas lembranças e principalmente na memória, na vida, para contar para as pessoas, e até mesmo colocar no currículo (ou acham que não é importante colocar sobre experiências – profissionais ou não – no exterior?).

A viagem que estou aproveitando agora me dá vontade de viajar para outros lugares, como Estados Unidos, pois nesta viagem tenho percebido que eu consigo me comunicar bem em inglês mesmo sem ter feito aulas (apesar de ter vontade de fazer).

Agora irei preparar as fotos para colocar no Flickr (http://www.flickr.com/photos/afranzolim), os e-mails (um para a família, um para a agencia de viagens e outro para o Itaú) e me preparar para usar a internet para, além de tudo isso, também pagar algumas contas, ver notícias e logo ir dormir, pois amanhã meu dia começa cedo.

29ago (Florença – Pisa – Roma)

Como um bom e inteligente rapaz, eu fui dormir tarde mesmo me planejando para levantar às 6h30 para que eu pudesse utilizar o mesmo dia de passe de trem para Roma e visitar Pisa, mais precisamente a Torre de Pisa.

Ontem à noite (hoje de madrugada) aproveitei ao máximo o meu momento de inteligência, que foi planejar os trens de acordo com o manual da EuRail que recebi da agência de viagens, com detalhes como hora de saída, chegada, estação, se precisa ou não de reserva, se tem cabine fechada, ar condicionado, se é de alta velocidade, e tudo quando é tipo de informação.

Checkout. Estação de trem. Bilheteria para validar o ticket (apesar de já ter usado ele desde o começo da viagem) e o atendente começou a falar tudo que eu não poderia entender (em italiano), apontando para o ticket, fazendo umas expressões que eu entendi como um infortúnio. Então ele se levanta, vai até o canto da sala, volta e me entrega o ticket com o carimbo de validação.

Ufa.

 

PISA

Sim, a torre está torta, e a cada ano (ou algum período já calculado) ela entorta mais, mas existem profissionais procurando sustentá-la (mesmo que torta, agora que se tornou sua principal característica turística).

De Pisa, peguei outro trem para Roma que previa mais ou menos 3 horas de viagem. Entrei em um dos vagões do trem, e ele era dividido por cabines, como eu apenas conhecia nos filmes, com a porta de vidro e os bancos voltados um para o outro. Ingenuamente achei que alguma daquelas cabines seria onde eu iria passar o resto da viagem.

Não.

Três vagões depois eu chego na área onde é normal: cadeiras, fileiras e tudo como eu tenho visto desde então, e quando eu digo “chego” significa “andar com mochila nas costas e outra de alça, puxando pela mão por um corredor que tinha gente sentada e não lhe permitia se locomover”), acho meu lugar e sento lá.

A viagem vai demorar, vou dormir.

Dormi. Acordei. Dormi. Acordei, olhei para as pessoas. Dormi. Acordei, olhei as mesmas pessoas, olhei pela janela. Fechei os olhos, mas não dormi. Abri os olhos, olhei pela janela (que estava imunda). Dormi. E assim por diante, enquanto os minutos se arrastavam e eu achava que estava chegando.

 

ROMA

Andei, comi uma fatia de pizza, procurei um taxi, e o primeiro que achei me indicou o caminho apontando a direção secamente (como se um turista fosse fazer bom proveito de meia informação). Disse que bastava cruzar a estação por dentro que já seria do outro lado.

Errado.

Procurei outro taxi, que ao invés de me levar até onde queria me ensinou como chegar ao hotel a pé, mas foi em italiano, e rápido, o que não me ajudou até outro taxista arriscar inglês e repetir as informações.

Não achei.

Andei bastante, e foi difícil achar o endereço do hotel com ruas sem placas com seus respectivos nomes, e ao procurar outro taxi (tentando realmente usar o serviço de taxi), este me diz que cobraria €50 + taxa de baagem. Neste momento me vieram alguns palavrões que não falo há anos na cabeça.

Fui-me de lá.

Andei.

Andei.

Andei.

Pedi arrego, achei um taxi que realmente me levasse ao local, e me custou apenas €5 (como em qualquer outra cidade ou situação que passei na Itália que precisasse de taxi).

O detalhe que potencializou minha frustração (e irritação) foi um calor em torno de 40º, eu usando calça jeans (apesar de fina e leve, é calça), com uma mochila pesada nas costas (o que significa que estava colada nas costas – abafando e me deixando encharcado) e puxando uma mala de alça pela outra mão. Eu não suava, mas sim escorria suor de tanto calor e esforço em andar, subir e descer ruas.

Chegando no hotel, guardei joguei minhas coisas com cuidado pois estava com pressa para tomar um banho e sentir a sensação de limpeza no corpo.

Internet de graça, que significa compensar o abuso cobrado em Florença, e o que não significa que ficarei mais tempo: mesmo não precisando dar satisfações, o principal e original motivo é falar com minha família.

Perguntei pela lavanderia do hotel, e o recepcionista disse que é muito caro, que seria melhor se eu fosse nas lavanderias das redondezas (são uma ou duas quadras no máximo – perto) que sairia muito mais barato.

Obrigado pela sinceridade.

Em 5 dias eu terei dois passeios programados desde o Brasil: visitar o Coliseu à noite (iluminado), e visitar o Vaticano. Não lembro dos detalhes de cada passeio, tudo isso está nos vouchers atrás de mim, em minha cama, que estou com preguiça de pegar agora só para reescrever aqui, então deixarei os detalhes para as outras postagens.

Muitos me deram conselhos de segurança na Itália, especificamente Veneza e Roma. A primeira cidade realmente não tem uma cara boa quando você passeia pelas ruas, principalmente à noite (mesmo com movimentação e alguns restaurantes funcionando), e Roma agora tem essa sensação elevada a décima potência.

A impressão é de estar no centro de São Paulo: muito movimentado, muitos comércios de tudo quanto é tipo, muita gente de tudo quanto é tipo, muitos carros, poluição sonora, eu vi até um cara caído no chão em uma poça de sangue tossida no meio da estação de trem.

Irei continuar com meus costumes: de dia, passeios, fotografia, sorvetes, sol, água, e de noite irei escrever para minha família, escrever sobre o meu dia no blog (que é um complemento do e-mail para a família, mas aberto para todos), subir as fotos tiradas no dia (que também é um complemento do e-mail para a família) e aproveitar o tempo que tenho disponível de internet para fazer outras coisas, como resolver assuntos financeiros, falar com meu irmão, ver notícias e assuntos de meu interesse.

Ciao.


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