Hoje foi um dia com bastante falta do que fazer. Começando por levantar da cama depois das 13h, coloquei uma roupa fresca, camisa quase totalmente aberta, e fui andando por aí, com um sol forte na cabeça em quase todo o meu trajeto.
Comecei indo ao pequeno e rascunhado parque em frente ao hotel, comprei uma Coca-Cola Light e fui andando sem rumo algum. Me perdi, me achei, me perdi, me achei, sorvete de creme, limão e chocolate (um copo pequeno, mesmo, e sem amontoar os sabores), me perdi, me achei, me perdi, andei, me achei, achei que tinha me achado, me achei de verdade, andei, e voltei ao hotel.
Suado.
Dei um tempo na cama, curtindo o ar condicionado, tomei banho, outra roupa e saí novamente, em direção à Piazza degli Uffizi, onde havia ido ontem, desta vez o objetivo era apenas andar pelas ruas, olhar as vitrines (adoraria comprar um monte de coisa, mas tudo é muito caro por aqui – para quem ganha em Real e converte para Euro), e tentar achar aquela padoca onde comprei aqueles pãezinhos torrados.
Não achei.
Andei bastante, e hoje foi um dia que eu até poderia ter pego taxi, mas resolvi colocar as coxas para trabalhar. Eu tinha que escolher entre jantar e voltar a pé ou não jantar e pegar um taxi, para também economizar no dinheiro; com a primeira opção escolhida, parei em um restaurante e pedi uma pizza 4 queijos, lembrando que aqui não tem Catupiry, uma marca originalmente brasileira (até onde eu ingenuamente sei), então sinceramente não sei o que é usado aqui.
Como sempre, a pizza é muito boa, com tudo na medida certa e os ingredientes equilibrados, relacionando a massa e o recheio: nada pinga, escorre, sobra, transborda ou despeja, você realmente aproveita a comida inteira.
Une bambino atrás de mim falava igual o Bocão, no Goonies. Não sei explicar porque desta referência, foi a primeira coisa que me veio na cabeça ao ouvir aquela voz estranha atrás de mim. Uma velha na minha frente estava raspando o recheio da massa da pizza, o que me deixou com vontade de jogar todos os talheres na sua direção. Se aqui ela acha a pizza com recheio demais, que passe longe do Brasil.
Em frente à Galleria degli Uffizi tinha um cara tocando violão, com um mini-amplificador, tocando Asturias, que é uma música clássica (conheço por ser instrumental de violão) que eu pago um pau tremendo. Ver o cara tocar aquela música me fez querer muito tocar violão novamente (e me arrepender por ter parado).
Voltas e voltas depois, resolvi vir para o hotel.
Como disse: o dia foi simples, muito simples, mas amanhã será mais agitado, pois no mesmo dia eu irei, antes de Roma, para Pisa, apenas para ver a Torre de Pisa, tirar umas fotos, apreciar, dar um tempo por lá (sempre vejo em filmes ou fotos que as pessoas ficam sentadas na grama, comendo, bebendo vinho etc.).
Uma coisa que não fiz por aqui em Florença: comer queijo e beber vinho. Meu pai recomendou que eu fizesse, e eu pretendo fazer unicamente porque foi meu pai quem recomendou, o resto que disse a mesma coisa são muito cults para o meu paladar ignorante e minha cultura popular.
Mochileiros me intrigam. Especificamente mochileiros na Europa, pois é extremamente fácil você reconhecer um: ele nunca (nunca) larga sua mochila-toca-do-Gugu e usa as piores combinações de roupa (que se aproximam facilmente da moda classe baixa peruana). Creio que devam existir mochileiros que não usem o Guia da Moda Primavera-Verão Mochileiros 2009 (ou qualquer seja o ano), e se vista conforme o clima e o conforto.
As pessoas cultas me intrigam também, são elas que fervem sua cabeça com a idéia de que você precisa comer queijo e tomar vinho na Europa. N-Ã-O. Eu não preciso comer queijos e tomar vinho na Europa, muito menos fazer isso sentado na grama debaixo do sol em uma posição incômoda, e muito menos lendo algum romance político búlgaro usando uma camiseta de flanela.
Creio que devem ter pessoas cultas que não compram o Guia da Moda Cult 2009 ou ficam freneticamente acessando conteúdos de comportamento. Tenho um amigo que faço questão de citar, que é o Bandim, queridaço amigo meu que passou por essas bandas (e muitas outras) e ele eu confio com a mão no fogo de que é uma pessoa inteligente pra cacete, culta, conhecedora, cabeça aberta, sempre antenada em diversos assuntos…e o cara é legal pra caramba, se veste bem e se comporta bem.
Se ele tem uma camiseta de flanela e um romance político búlgaro, provavelmente está na casa dele, ao invés de embaixo do braço para os outros verem e pensarem olha só, este é um cara culto.
Meu pai é outro exemplo, pois ele estudou queijo e vinhos. Ele dá consultoria de vinhos, ministra degustações, é capaz de olhar a folha da uva e saber de qual região ela veio, entre outras peripécias mirabolantes. Diferente do meu pai, eu não sei a cara do Pau-Brasil, de um Ipê, não lembro do dia do Descobrimento do Brasil, do Dia da Árvore, e de 99% do que o colégio me ensinou.
Preciso? Mesmo?
Protesto ao Mochileiro Pernambucanas e ao Culto Wannabe.
Amanhã tem mais.









