Textos categorizados 'pizza'

28ago (Florença)

Hoje foi um dia com bastante falta do que fazer. Começando por levantar da cama depois das 13h, coloquei uma roupa fresca, camisa quase totalmente aberta, e fui andando por aí, com um sol forte na cabeça em quase todo o meu trajeto.

Comecei indo ao pequeno e rascunhado parque em frente ao hotel, comprei uma Coca-Cola Light e fui andando sem rumo algum. Me perdi, me achei, me perdi, me achei, sorvete de creme, limão e chocolate (um copo pequeno, mesmo, e sem amontoar os sabores), me perdi, me achei, me perdi, andei, me achei, achei que tinha me achado, me achei de verdade, andei, e voltei ao hotel.

Suado.

Dei um tempo na cama, curtindo o ar condicionado, tomei banho, outra roupa e saí novamente, em direção à Piazza degli Uffizi, onde havia ido ontem, desta vez o objetivo era apenas andar pelas ruas, olhar as vitrines (adoraria comprar um monte de coisa, mas tudo é muito caro por aqui – para quem ganha em Real e converte para Euro), e tentar achar aquela padoca onde comprei aqueles pãezinhos torrados.

Não achei.

Andei bastante, e hoje foi um dia que eu até poderia ter pego taxi, mas resolvi colocar as coxas para trabalhar. Eu tinha que escolher entre jantar e voltar a pé ou não jantar e pegar um taxi, para também economizar no dinheiro; com a primeira opção escolhida, parei em um restaurante e pedi uma pizza 4 queijos, lembrando que aqui não tem Catupiry, uma marca originalmente brasileira (até onde eu ingenuamente sei), então sinceramente não sei o que é usado aqui.

Como sempre, a pizza é muito boa, com tudo na medida certa e os ingredientes equilibrados, relacionando a massa e o recheio: nada pinga, escorre, sobra, transborda ou despeja, você realmente aproveita a comida inteira.

Une bambino atrás de mim falava igual o Bocão, no Goonies. Não sei explicar porque desta referência, foi a primeira coisa que me veio na cabeça ao ouvir aquela voz estranha atrás de mim. Uma velha na minha frente estava raspando o recheio da massa da pizza, o que me deixou com vontade de jogar todos os talheres na sua direção. Se aqui ela acha a pizza com recheio demais, que passe longe do Brasil.

Em frente à Galleria degli Uffizi tinha um cara tocando violão, com um mini-amplificador, tocando Asturias, que é uma música clássica (conheço por ser instrumental de violão) que eu pago um pau tremendo. Ver o cara tocar aquela música me fez querer muito tocar violão novamente (e me arrepender por ter parado).

Voltas e voltas depois, resolvi vir para o hotel.

Como disse: o dia foi simples, muito simples, mas amanhã será mais agitado, pois no mesmo dia eu irei, antes de Roma, para Pisa, apenas para ver a Torre de Pisa, tirar umas fotos, apreciar, dar um tempo por lá (sempre vejo em filmes ou fotos que as pessoas ficam sentadas na grama, comendo, bebendo vinho etc.).

Uma coisa que não fiz por aqui em Florença: comer queijo e beber vinho. Meu pai recomendou que eu fizesse, e eu pretendo fazer unicamente porque foi meu pai quem recomendou, o resto que disse a mesma coisa são muito cults para o meu paladar ignorante e minha cultura popular.

Mochileiros me intrigam. Especificamente mochileiros na Europa, pois é extremamente fácil você reconhecer um: ele nunca (nunca) larga sua mochila-toca-do-Gugu e usa as piores combinações de roupa (que se aproximam facilmente da moda classe baixa peruana). Creio que devam existir mochileiros que não usem o Guia da Moda Primavera-Verão Mochileiros 2009 (ou qualquer seja o ano), e se vista conforme o clima e o conforto.

As pessoas cultas me intrigam também, são elas que fervem sua cabeça com a idéia de que você precisa comer queijo e tomar vinho na Europa. N-Ã-O. Eu não preciso comer queijos e tomar vinho na Europa, muito menos fazer isso sentado na grama debaixo do sol em uma posição incômoda, e muito menos lendo algum romance político búlgaro usando uma camiseta de flanela.

Creio que devem ter pessoas cultas que não compram o Guia da Moda Cult 2009 ou ficam freneticamente acessando conteúdos de comportamento. Tenho um amigo que faço questão de citar, que é o Bandim, queridaço amigo meu que passou por essas bandas (e muitas outras) e ele eu confio com a mão no fogo de que é uma pessoa inteligente pra cacete, culta, conhecedora, cabeça aberta, sempre antenada em diversos assuntos…e o cara é legal pra caramba, se veste bem e se comporta bem.

Se ele tem uma camiseta de flanela e um romance político búlgaro, provavelmente está na casa dele, ao invés de embaixo do braço para os outros verem e pensarem olha só, este é um cara culto.

Meu pai é outro exemplo, pois ele estudou queijo e vinhos. Ele dá consultoria de vinhos, ministra degustações, é capaz de olhar a folha da uva e saber de qual região ela veio, entre outras peripécias mirabolantes. Diferente do meu pai, eu não sei a cara do Pau-Brasil, de um Ipê, não lembro do dia do Descobrimento do Brasil, do Dia da Árvore, e de 99% do que o colégio me ensinou.

Preciso? Mesmo?

Protesto ao Mochileiro Pernambucanas e ao Culto Wannabe.

Amanhã tem mais.

22ago (Verona)

Despertador tocou às 9h30, mas o fuso-horário do meu corpo me permitiu levantar apenas às 11h30, quando eu me aprontei para ir à piscina, não sem antes verificar de minha janela onde estrategicamente poderia ficar (pensando em privacidade).

Mais ou menos uns 45 minutos frente e verso e resolvi voltar ao apartamento, aproveitar o ar-condicionado, ver o primeiro vídeo que gravei aqui em Verona (gostaria de ter gravado um em Milão, pena que a bagagem chegou tarde demais – para minha exímia e volátil vontade), e vieram limpar o quarto.

Resolvi reescrever os outros dias, principalmente resumindo os fatos e deixando apenas o necessário (interessante), e isto me tomou um bom tempo do meu dia (bom que eu escrevo rápido), fazendo meu almoço ser adiado.

Almocei no Ipopottamo, um restaurante com jeito de fast-food, com uma ragazza na porta entregando bexigas e chapéu (boné ou coroa) de papel para os bambini. Pedi une pizza di schiccio (acho que é assim – pizza em fatia) e uma Coca-Cola regulare (que não é a grande): pelas fotos no meu álbum, dá para ver que o regulare serve muito bem uma pessoa, e a fatia de pizza é gigante.

Primeira pizza ingerida na Itália, e posso dizer que estava muito gostosa. A massa lembra Pizza Hut, só que mais crocante e mais voltada para aquele tipo de pão torrado (ao invés de fofo), e o recheio (presunto, cogumelo, molho e queijo) estava ótimo; diferente do Brasil, o recheio vem raso, e não transbordando.

Dei uma boa caminhada, conheci a Arena di Verona, onde estou sonhando em ver algum show por lá, e no panfleto que peguei diz que terá Carmen, di Georges Bizet. Pelo que estou entendendo no mapa da Arena, o lugar mais interessante (para economizar dinheiro mas não precisar assistir ao lado do banheiro) me custaria entre €100 e €200, e tem uma área chamada stone steps, que eu entendo como a área de pedra, original da construção, custe apenas de €21 a €30, e isto é uma bela diferença.

Quero ir, agora preciso ver o quanto estou disposto a gastar.

Passeando pela região, sem querer, encontrei outro local que quero visitar (mas de longe), que é o Museo Di Castelvecchio, mas eu estava perto do horário de pegar o taxi do hotel, então tirei umas fotos de longe apenas, e espero voltar lá amanhã.

Durante minha caminhada, vi uma feira, vendendo frutas, bebidas e quinquilharias em geral, e o que me chamaram a atenção foram as máscaras, aquelas famosas máscaras italianas, algumas narigudas, outras que tampam só a região dos olhos etc. Custavam entre €30 e €120 e eu fique com vontade de comprar uma específica, que custava €70. Se precisar escolher entre a máscara e o concerto na Arena, eu vou ficar um pouco indeciso.

Uma das barracas também me chamou a atenção por vender fitas escrito Brazil, então cheguei até o dono da barraca e perguntei a razão de ele vender aquelas fitas (imaginando que a barraca era de alguém do Brasil), e ele me apontou para a dona da barraca. Conversei um pouco com ela, e ela é do Rio Grande do Sul, está há 6 meses na Itália, e foi apenas isso; ela parecia bastante envergonhada, falava baixo e para dentro, não olhava nos olhos, o que facilitou muito ter um contato amigável, então me despedi e continuei meus passos.

Vim e voltei de taxi, pois ira pé demora mais ou menos duas horas, e eu não estou com tanta vontade de caminhar. Me custou, ao todo, €45, e estou pensando se, exceto aqui e Florença, conseguirei aproveitar tudo que quero sem depender de taxi, o que eu lembro que sim (de acordo com o meu planejamento patrocinado pelo Google Maps).

Consegui comprar um cortador de unhas! As da mão estão se tornando garras (crescem rápido demais) e foi um pouco mais difícil conseguir isso, mas eu consegui, e por €2 (comparando com o Brasil, deve estar caro).

O tempo começou a fechar, parece que terei minha primeira chuva por aqui, vi uma trovoada, mas não ouvi nada (as janelas são bem grossas) mas por enquanto nada de chuva. Estou começando a ficar com fome, mas gostaria de não comer, para não me acostumar mal e engordar, além de gastar dinheiro a mais.

Logo irei para o saguão do hotel com meu notebook usar a internet e colocar as fotos de hoje no Flickr (www.flickr.com/photos/afranzolim) e esta postagem, e provavelmente não escreverei mais. Outra coisa bacana neste hotel é a mesa de sinuca, de graça, que eu pretendo utilizar.

Eu disse que não iria jantar? Que mentira, eu acabei de voltar do restaurante. Uma amiga minha que esteve recentemente por aqui disse que as pessoas costumam comer uma pizza inteira sozinhas, e isso realmente é verdade. Agora vou explicar o segredo: a pizza é quase do tamanho da tradicional, mas a massa é muito, muito fina, é tipo meia fatia de pão sírio ou uma folha couché fosca 150g (se eu estiver certo, não era muito bom nessas aulas na faculdade), e o recheio é raso. Raso não significa que falta, a medida é perfeita, significa que não é aquela hecatombe homérica e estrambólica de recheio que estamos costumados a comer.

O cheesecake daqui (torta di formaggio) também é muito diferente: é amarelo como a gema do ovo, tem textura de bolo, mas continua sendo uma delícia.

Experimentei meu primeiro café aqui, um tipo descafeinado (o resto da explicação, mesmo em inglês, não consegui entender), achei amargo demais (tudo bem que é meu primeiro descafeinado, não tenho parâmetros de comparação) mas tudo bem. Ainda quero experimentar algum café gelado e variar do mundo Starbucks (nada contra).

Parecia que ia chover? Nem choveu, o recepcionista me emprestou um guarda-chuva que serviu apenas para ocupar a mão, pois o tempo estava bem bacana.

Amanhã eu acredito que consiga acordar mais cedo que o de costume e tomar sol no horário onde apenas os velhos que fazem hidroterapia acordam, o que significa que será um completo sossego sem pessoas dando bomba na água ou falando o que provavelmente eu não iria entender. À noite, quem sabe, consiga ir na peça Carmen, na Arena di Verona, e antes irei visitar o Museo Di Castelvecchio, tirar mais fotos e desta vez levar o carrinho do Vespa para assistir à ópera.


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