Despertador tocando e aquela preguiça de sair da cama, mas era preciso: Pompéia me esperava (e não era a filha de nenhum signore, e sim a atração turística). Depois de levantar e quase despertar totalmente eu percebi que não precisava ter levantado tão cedo para me arrumar e ir ao ponto de encontro da excursão.
Depois de chegar no local faltando vinte minutos para o encontro eu percebi que, sim, foi necessário acordar tão cedo.
Peguei um taxi que mostrava dois valores no taxímetro: o preço da corsa e o suplementi, sendo que este último parecia um cronômetro de tão rápido que os números iam crescendo, o que me fez lembrar uma pesquisa sobre taxis na Itália que fiz antes de viajar, onde encontrei uma pessoa reclamando que os taxistas são pilantras e te mostram um valor, mas na hora de pagar eles falam outro e inventam um monte de coisa (mais ou menos como quase foi em Roma para andar dois quarteirões).
Então o preço da corsa mostrava mais ou menos uns €7 enquanto o suplementi mostrava mais de €15, o que começou a me deixar preocupado (e chateado), mas no final saiu €10 e pelo que eu entendi ele havia gostado da minha companhia (por incrível que pareça consegui conversar o mínimo do ridículo em italiano – lembrando que não, não fiz as aulas que queria ter feito e contei para todos que queria fazer).
Eu sou um agitão.
No voucher dizia que o ponto de encontro seria em frente ao Hotel Jolly, mas chegando no endereço havia apenas o NH Hotel, e o taxista me confirmou que o hotel havia mudado de nome há poucos dias, por isso minha confusão (e a de outras pessoas, creio).
Entrei no hotel e confirmei a informação da mudança de nome (vai saber, mal confio em minha sombra)
8h20 era o horário marcado, e esse horário foi chegando e eu não via ninguém com voucher na mão, nenhum grupo pelos arredores, ônibus, van, carro, placa, pessoa com indicação, nada. E eu estava lá, com sono e de pé, mais ou menos longe do meu hotel (sinceramente estava com preguiça de ficar andando, como era o plano inicial), esperando por algo que não sabia o que era,
Resolvi tomar uma atitude, me sentindo o homem mais homem (com H maiúsculo) de toda a Grande Bota: peguei o telefone da agência de turismo e liguei, mas como eu sou um completo ignorante eu não sabia fazer ligação internacional e não consegui nada do que queria.
Então tome essa.
Eis que chegou uma van e saiu uma italiana pomposa (parecia ter saído de uma revista de moda) perguntando se éramos da excursão. Ivana. Digo éramos pois havia um casal do meu lado que eu desconfiava estar no mesmo barco que eu.
Barco não. Van.
(Sacou? Sacou? Han? Tudo bem, eu paro).
A van tinha ar condicionado e isso já foi algo maravilhoso, pois de manhã já fazia mais ou menos 27º, e apesar da roupa leve e confortável que estava (bermuda, chinelo e camisa aberta folgada de algodão) o calor era de encher o saco e seus colhões.
Metáfora e literalmente.
O taxista que me levou até o ponto de encontro da excursão havia dito que geralmente não existe trânsito em Nápoles, mas que neste mês estava ruim pois era a época quando todos que estavam viajando voltavam a trabalhar, estudar e seguiam suas rotinas.
Mais ou menos como Agosto para os brasileiros, principalmente para quem mora na Zona Norte, trabalha na Zona Sul, freqüenta igreja em Alphaville, sai com os amigos para a Zona Oeste (e a Zona Leste que fique onde está).
Então pegamos trânsito no começo, mas depois caímos na estrada (caímos na estrada – sempre quis falar essa frase, que parece nome de filme), e em quarenta minutos mais ou menos (ou mais, acho que dormi um pouco) chegamos a Nápoles, onde fomos apresentados para a guia da excursão.
Não, Ivana não era a guia, ela era, novamente, a mulher bonita que serve para chamar a atenção e depois passar o bastão para outra pessoa.
Francesca. Até hoje a guia mais simpática de toda a minha viagem pela Itália (não posso esquecer que quando fui para Orlando as duas guias eram fantásticas e super amigáveis – para meus 12 anos e pensamentos compulsivos por miniaturas e comida), até conversamos um pouco e ela disse que tem amigos que costumam passar férias no Brasil por mais de um mês e que ela ainda não visitou nosso país.
Seja bem-vinda, Francesca!
Pompéia tem uma história interessante, e vocês podem pesquisar no Wikipédia, pois eu não irei dar explicação alguma do que é, onde fica, porque está assim, qual seu valor etc. Ela é bonita também, principalmente por ter um bom estado de conservação, pela visão que ela mostra, com vales e, principalmente, ver o Monte Vesúvio ao fundo da paisagem, com seu cume sumindo nas nuvens, é realmente lindo.
Eu queria conhecer o Monte Vesúvio, mas era mais complicado (e isso significa gastar mais dinheiro, ser longe e precisar planejar outro esquema além do que estava participando). Fica para uma próxima.
Pompéia era uma cidade tarada. Sim, era, e que os cultos historiadores engulam suas explicações, pois eles usavam uma forma fálica (remetendo ao pênis – pinto, para os mais íntimos) em cima de algumas portas das casas para sinalizar que ali era a casa da oba-oba, casa de burlesco, casa rossa (como dizem os italianos), entre outros nomes.
A cama era de pedra. Como alguém consegue ter conforto deitado em uma cama de pedra e…enfim, sem detalhes, a cama era de pedra, assim como seu travesseiro (tenho foto para comprovar, parem de me azucrinar com suas inteligências).
Achou que aquela forma fálica em cima da porta era tudo? Mal pode esperar para ver outra casa, com dois andares, cujo segundo andar era para fazer o famoso sexo descompromissado, e em cima de cada porta de cada quarto haviam afrescos (que até aqui é uma técnica de pintura famosa por estar presente na Capela Sistina) de cenas de sexo.
Pompéia já era adiantada no tempo e, com afrescos, faziam seus cartazes pornôs. Claro que nada tão elaborado quanto os panfletos do Largo São Bento, mas para a época devia ser algo extremamente moderno, visionário e, como alguns publicitários adoram falar, fora da caixa.
E na calçada havia também um pênis esculpido na calçada, apontando para as casas que prestavam esse serviço, mas de acordo com os historiadores, não era sacanagem usar esse símbolo pois ele era o símbolo da fertilidade.
O mesmo símbolo da fertilidade, usado anteriormente para sinalizar sexo.
Visitamos o anfiteatro, que apesar de pequeno comportava mil pessoas, e isso só acontecia pelo fato dos habitantes daquela região serem curiosamente menores que o normal (de acordo com a guia). De lá, fomos para o Foro, visitamos dois templos (o de Júpiter e outro que esqueci o nome, mas com certeza tem no Wikipédia) e depois vimos os famosos corpos conservados da erupção do Vesúvio.
O corpo em si só existe no material (tipo gesso) que eles usaram durante as escavações para preencher o espaço que o corpo de verdade deixou durante os anos que se passaram debaixo da terra, lava etc. Mas os ossos estão presentes e, agora, conservados. Vendo o corpo achei que fosse pensar algo como hahaha caramba eles eram realmente pequenos, quando na verdade eles tinham mais ou menos minha altura, ou um pouco menores.
Visitar Pompéia significa caminhar bastante, por mais ou menos três horas (ou mais, se você estiver sozinho e quiser ficar andando mais tempo por lá), o que foi suficiente para conhecermos tudo e aprendermos sobre o local, sua história e características. Resumindo, quase tudo são ruínas de casas e não tem exatamente muitas diferenças visuais para você olhar e admirar, então eu pude apreciar tudo que havia lá dentro sem ter culpa de ter deixado algo passar.
Saindo de lá voltei para o hotel e pensei em ir para a Ilha de Capri, então usei o computador zuado do hotel para acessar a internet e ver mais sobre Capri, e seria realmente bacana ir lá, mas eu não fui. A razão de não ter ido é que, apesar de não ser tão caro (mais ou menos €15 a passagem de barco, que dura de vinte minutos a uma hora, dependendo do barco), faria falta no meu bolso.
Por quê?
Hoje é meu último dia, amanhã irei começar minha saga pelos aeroportos, sendo que em Madrid eu vou ficar mais de 9 horas esperando meu vôo para São Paulo. Isso, para mim, significa que eu preciso economizar o dinheiro para o caso de qualquer emergência, ou até mesmo porque com algumas horas eu posso, pelo menos, conhecer os arredores do aeroporto e, caso exista, ver alguma atração turística que fique lá por perto.
Economizar dinheiro faz bem, principalmente em viagens como essa, quero evitar ao máximo dar brecha para o erro e o inconveniente.
Agora no final do dia eu recebi minhas novas passagens aéreas e o voucher do translado para o hotel, e eu os imprimi aqui no hotel mesmo, usando papel velho (o recepcionista disse que não tinha papel novo, o que eu acho uma grande de uma mentira – pelo menos a maneira que ele olhava desconfiado para mim acusava isso).
Claro, como se eu estivesse pedindo SULFITE para enrolar fumo!
Agora é esperar.
Pode parecer babaca, apesar de que nessa o Luiz vai me apoiar (talvez mais pessoas), mas o que me deixou feliz de fazer conexão em Madrid, no Aeroporto de Barajas, é que lá tem Starbucks (o mesmo que eu tomei na conexão para a Itália, onde perdi o vôo etc.) e eu estou com desejo. Provavelmente terei tempo de tomar mais de um café por lá, e me deixem em paz com meus planos de gordo.
Se alguém tiver dicas sobre o que fazer nos arredores do Aeroporto de Barajas (somente nos arredores), mandem para o meu e-mail ou comentem nesta postagem, pode até me salvar tempo e eu conseguir planejar melhor minhas poucas horas espanholas.
Tenho mais duas fãs neste blog: Marta e Grazi. A primeira, inteligentíssima (elogios da parte dela valem mais que ouro), está achando as descrições formidáveis, enquanto a segunda está rindo alto com cada postagem sobre minha viagem. Continuem acessando meu blog, ele costuma ser interessante mesmo antes e depois da viagem.
Brasileiros, vou-me a encontro de vocês.