Ontem fiz algo diferente á noite: apesar de ter ido jantar no McDonalds (mas desta vez pedi um número completo – que não tem aqui no Brasil, e lembra muito o duplo cheesebacon do Burger King), eu comprei uma Coca Zero 600ml e sentei na praça (imensa) em frente à Centrale Stazione.
Para quem assistiu o filme Trama Internacional (Clive Owen e Naomi Watts), ela aparece mais ou menos no meio do filme, quando estão transmitindo um comício político e um atirador mata o político. A cena que passa por cima da praça é perfeita para ter uma idéia do tamanho e da beleza (sem truques de câmera ou tratamento de CG depois).
Por lá você encontra alguns poucos casais, muitos grupos de amigos, tomando cerveja e jogando conversa fora, ou pessoas estranhas (como um travesti que de longe parecia um armário de saia e de perto era nítido o seu gogó protuberante, ofensivo e distinto, destacado e chamativo, parecendo um cotovelo saindo de uma massa de bolo, ou um bico de ave tropical roçando uma cortina.
Dormi, acordei com o despertador às 10h30 e pensei em retornar à Lanza, de metrô. Não prestei atenção que o café da manhã no hotel termina às 10h, portanto tive que tomar fora. Fui no mesmo lugar onde foram muito simpáticos comigo, deu vontade, de verdade, de perguntar se eles queriam ser meus novos amigos: o cara do caixa (parecia um ator famoso que esqueci o nome, tipo Vin Diesel) e o atendente do bar (que parecia o Joe Pesci), muito simpáticos.
Depois passei em outra gellateria e pedi sabor limão, que foi um abraço gelado na língua e uma explosão de sabores. Agora eu posso, com certeza, entrar para o time daqueles que falam bem dos sorvetes italianos.
Os funcionários do Hotel San Carlo também fora muito legais. A maioria muito reservada, mas um dos funcionários (ou dono, pelo comportamento acelerado) foi muito legal comigo também, principalmente quando falei que era brasileiro, ele me veio com uma frase que falava sobre o Kaká no Milan.
Encerrei minha conta no hotel e parti pegar o trem, na estação principal, onde fiquei tomando minha Coca Zero, como contei anteriormente. Foi meio difícil de achar o meu trem, quando eu vi um balcão de ajuda para turistas. Cheguei lá, perguntei, e o cara me respondeu que não sabia.
Recapitulando: um balcão de assistência ao turista, na estação de trem, e o cara não sabe me dizer como achar o meu trem? Pegadinha do Mallandro. Pedi informação para um homem, que lembra aquele tiozão monocelha do American Pie, e apesar de ele não falar inglês, ele foi junto comigo procurar o trem. Tentou falar comigo, mesmo em italiano, tentou me explicar como deveria fazer, o cara foi realmente prestativo.
Achei o meu trem, entrei nele e já tirei umas fotos. O homem que controla os bilhetes de trem e avisa que lá era a primeira classe. Estava estranhando o trem ser tão gostoso e vazio. Então andamos até a segunda classe, que foi legal também, nada de estrambolicamente diferente, apenas dois pontos: não era estofado e tinha bastante gente (mas nunca ninguém em pé, creio que nem possa).
Demorou 1h30 mais ou menos para chegar em Verona, fiquei à toa tomando um Burn (€3) enquanto olhava a rua, até terminar e pedir um taxi:
- Taxi? Via Postumia, 88, Hotel Antares per favore.
O taxista começou a puxar assunto comigo, deve ter achado que eu era nativo, e eu tive que falar minha mais falada frase da viagem: scusi, no parlo italiano.
E eis que o taxi foi tomado pelo silêncio.
Chegando no hotel, lá pelas 15h30 mais ou menos, percebo o meu pior erro: errei o dia, e cheguei um dia antes. Não havia como eles me ajudarem pois o erro era realmente meu e eles não tinham quarto avulso pois estavam lotados.
Sou brasileiro e não desisto nunca: fiquei das 15h45 até 22h30 na frente do hotel, gravei um vídeo lá, acessei a internet pelo iPhone (o que com certeza foi caro) para mandar notícias minhas para minha família.
Depois eu pensei em andar e achar algum restaurante para bater aquela chepa e voltar para o hotel. Situação: o hotel fica no meio de uma estrada, então você precisa andar quilômetros para achar algo comercial (sem ser uma concessionária em frente – ah se eu comesse carros…), e eu, claro, resolvi andar, mesmo com uma mochila nas costas e a bagagem de rodinha e alça que fui puxando e revezando os braços.
Andei, bastante, e tirei fotos também. Entrei em uma rua que era só terrenos, terrenos, e terrenos, e aquelas casas perdidas que dá para filmar filmes de suspense ou terror (ou a continuação de Sob o Sol de Toscana, mas desta vez em Verona), andei seguindo uma placa de restaurante (que não achei), e eu passei por uma casa bonita, com dois cachorros-sirenes, que latiam a cada passo meu, e eu chamei a dona da casa, que estava do lado de fora, e consegui transmitir a informação de que tinha sede e não falava italiano.
Scusi, no parlo italiano e blablablabla com as mãos – eles entendem bem nossas mãos, apesar de não serem ciganos.
Ironia time! pã pãrarã, pã pã, pã pã.
(ritmo de U Can’t Touch This, do McHummer).
Ela entrou em casa, e voltou com uma máscara de gripe (esperta) e uma garrafa com água gelada e um copo descartável. E eu defenestrei a garrafa em alguns poucos goles. Grazie e parti de volta para o hotel.
Voltei para o hotel, continuei aguardando virar o dia, e percebi outro erro: eu havia lido errado o horário de checkin no hotel, então eu precisaria esperar mais do que eu tinha imaginado.
Não sei se irei escrever quando subir para o meu quarto, estou cansado, e sinceramente um pouco de saco cheio de computador. Mas é do meu interesse registrar tudo isso, e muitos sabem que sou mais ágil digitando do que escrevendo (e minha letra é medonha e sem personalidade).
Ciao.









