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16/17mar (São Paulo – Madrid – Lisboa)

Assim como na viagem para a Itália, eu deixei para fazer tudo apenas na última hora, como arrumar a mala, mesmo eu nunca tendo problemas com isso (de faltar roupa, por exemplo), afinal, eu sou homem: 1h antes de sair de casa é tempo suficiente para pegar as roupas, guardar na mala, passar o zíper e partir rumo ao aeroporto.

Ao sair de casa, minha vó vem se despedir de mim com os olhos marejados, voz trêmula, pedindo a Deus para, se Ele quiser, me trazer de volta. Pô, vó, é claro que Ele quer que eu volte! Mas sem tocar em filosofias profundas, o que me incomodou foi ela me olhar como se eu estivesse indo rumo ao precipício. Pelamor, já fui pra Itália e Madrid, sem contar os outros lugares do Brasil que também se usa avião (Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Amazônia etc.), não precisava se desgastar tanto emocionalmente.

Mas vó é vó, quer o nosso bem, e a minha pelo menos chora mesmo se cair uma folha em minha cabeça. Ela me ama, e eu amo ela, e quando se quer o bem, as emoções se colocam mais fortes.

Mas minha mãe começou a marejar os olhos também. Ô cazzo, também? Levei no bom humor, e parti com meu irmão para o aeroporto (ele foi me deixar lá, veja só que irmão legal que eu tenho – já contei que nunca brigamos? Pois é), desci, despachei a mala, fiz check-in, e fiquei aguardando até 16h55, horário do embarque.

Enquanto isso, passei no Duty-Free, e sempre que eu ia ao aeroporto, eu namorava uns relógios da Diesel, que nunca foi minha marca desejada (é apenas mais uma como qualquer outra), porém eu gosto muito do estilo de relógio que eles fazem. Neste dia eu resolvi comprar, mesmo que parcelado, um relógio para mim. Lindo. Maravilhoso. Logo apos a compra eu lembro que havia esqueci uma coisa em casa: câmera fotográfica.

Burro.

Fui ver no Duty Free alguma com configuração igual ou aproximada, e os preços começavam em 900 reais. Mais caro que o relógio (que, claro, prefiro não falar o valor), então pensei em arriscar comprar quando chegasse na Europa, sendo Madrid ou Lisboa.

10 horas de vôo até Madrid, pois escolhi a Iberia, e as conexões acontecem, até onde percebi, sempre no Aeroporto de Madrid – Barajas, e quem acompanhou minha saga na Itália vai lembrar que, por não entender como o aeroporto se organiza, eu acabei perdendo minha conexão para Milão na época – mas hoje não podia repetir o mesmo erro.

Até porque entre minha chegada em Madrid e o embarque de minha conexão para Lisboa tinham apenas oito horas. Pode? É um expediente! Eu poderia ter trabalhado, pego 1h de almoço, feito pausa para o café, e voltado para casa. Mas não: fiquei lá dentro do aeroporto (não podia sair, já que estava na área de aguardo das conexões), andando, dormindo, sentado, andando de novo, dormia um pouco, dava uma volta, etc.

Passei em uma loja que vendia diversas coisas bacanas de áudio e vídeo, e eu quase comprei uma caneta para iPhone/iPad. Quase. Ao invés disso, fui atrás das câmeras fotográficas, até achar uma ótima, da Canon, bem pequena, marrom (mas com um tom bem elegante), 12 megapixels, e todos aqueles recursos básicos (as fotos que tirei da Itália foram com uma câmera simples da Nikon, sem tratamento, sem lente especial, nem nada). Agora, pasmem: paguei 300 reais no brinquedo! Três vezes mais barato que no Brasil. Eu disse três vezes. Foi um dos melhores planejamentos financeiros que fiz este ano, e espero evoluir nesta área.

Depois da compra, carreguei meu iPhone no banheiro, que é muito bom. Muito. Quem entrava se assustava com minha pessoa, parada do lado da tomada, encostado na parede, de óculos policial, cara fechada (não sou um gnomo para andar sorrindo 24h), aguardando o celular semi-pendurado na tomada (que era na altura do peito, quase), espertamente apoiado na mochila que estava no chão.

Tomei um café no McDonalds só para poder usar a tomada perto de uma das mesas, mas horas depois voltei lá para almoçar: Royal Deluxe, que apesar do nome, consiste apenas em carne + queijo + tomate + salada, é o famoso x-salada brasileiro com nome gringo. Arrisquei ir até o Starbucks, mas era do outro lado do aeroporto, e no momento que pensei nisso já estava na hora de entrar no avião.

E sim, eu lembrei como funcionava a organização dos portões no aeroporto de Madrid, e não perdi o vôo, tampouco tive a bagagem extraviada (da outra vez isto aconteceu por eu ter perdido o vôo – a bagagem foi antes de mim e ficou perdida no aeroporto de Milão): cheguei super bem em Lisboa, o taxi até o hotel era bem perto (e muito barato – quase cinco vezes mais barato de quando eu fui do aeroporto de Milão para meu hotel – 50 euros safados, pois era longe pra cacete), e o hotel…

…meu irmão, minha irmã, o hotel é maravilhoso. Turim Europa, 4 estrelas, lindo, super confortável e moderno: você vai andando no corredor e as luzes se acendem conforme sua presença (assim economiza energia), e durante a caminhada fica tocando música ambiente. E quando você entra no quarto, a música está tocando dentro dele! Sendo bastante transparente e solidário com minha experiência, cagar ouvindo música barroca (ou seja lá de qual estilo ou período seja) é legal, mesmo eu nunca tido planejado fazer algo assim na vida.

Banheira. Outro detalhe do banheiro.

Eu cheguei em Lisboa depois das 17h, vim para o quarto, fiquei fuçando nele, guardando a roupa, arrumando minhas coisas, espetando os gadgets nas tomadas para carregar (MacBookPro, iPad e iPhone – e a câmera fotográfica, que eu não coloquei ainda, vou fazer isto agora).

Tomei banho como uma madame, mergulhado na banheira, relaxado, pensando em diversas coisas e nada importante. Uma hora aquilo cansou e eu tomei banho normalmente. Eu estava preparado para sair hoje, com uma amiga, Bibiana, que está pela região e irá me mostrar alguns lugares bacanas de Lisboa – ela também está comigo na organização do TEDxRimini, na Itália – mas houve mudanças de planos, e eu acabei ficando no meu quarto resolvendo algumas coisas da agência.

Sim, eu estou aqui para trabalho também (principalmente).

Mas o que você foi fazer aí mesmo?
A princípio eu viria apenas para a cidade de Porto, onde irá acontecer mais uma edição do evento TEDx, organizado pelo Manuel Forjaz, o TEDxO’Porto 2011, mas começaram a surgir oportunidades de negócios entre a MonkeyBusiness e algumas empresas portuguesas, portanto o que era para durar uns três ou quatro dias agora irá durar doze.

Responsabilidade.

Então resolvi comer em algum lugar, mas não sabia onde. Comecei a pesquisar na internet os locais mais próximos (para não gastar com taxi), e comecei a ficar confuso com algumas opções – a partir daí, resolvi apenas sair andando pelas ruas de Lisboa e ver se acharia algum lugar aberto (já eram 22h aqui, enquanto no Brasil as pessoas ainda estavam agoniadas para saírem de seus trabalhos e beberem cerveja verde), o que não foi um sucesso, e resultou em jantar no restaurante do hotel.

Não fiz o melhor pedido, até porque era muita comida, e a maneira como foi feita não me agradou: pizza à carbonara, mas o queijo era excessivo, um tanto enjoativo (tipo queijo prato, que fica aquela coisa gorda na língua, não desce suave), a massa não estava com um ponto bacana (não estava crua, mas não parecia muito pizza). Mas comi.

O cappuccino também não estava dos melhores: tive que usar dois saches de açúcar e um de adoçante em comprimido para sentir algo doce no café. Sim, eu tenho ciência de que café não é para ser doce como um copo de Toddy, porém ele não precisa ser forte a ponto de parecer xaxim.

Não, eu nunca comi xaxim.

Já consumi quase metade de meu frigobar, uma ação que pretendo não tomar nas outras estadias por vir, e agora vou encerrar minha noite tomando o suco de laranja gelado pra cacete – o frigobar está gelando tanto que está uma camada de água sobre tudo que está lá dentro.

E quando eu saí para procurar um restaurante? Aí eu senti o que é frio. E olha que não estamos no pico de inverno europeu, é apenas uma passagem do inverno para a primavera, variando de 6 a 10 graus (mais para 10 do que para 6), e eu saí do hotel todo pomposo, usando apenas calça, camiseta e um blazer militar, aberto, com o peitoral exposto como se fosse um pombo partindo para briga…os primeiros segundos em contato com o clima noturno de Lisboa me fez desejar pular em uma caldeira acesa.

Frio, rapaz. Frio.

De dia está mais tranquilo: é menos frio, tem sol, dá umas esquentadas, mas é misturado, você sempre sente o frio presente, é o tipo de dia quente e com sol que faz você sair de cachecol e casaco fino, mesmo que às vezes você vá tirar ele em algum momento.

Quase 3h, e eu amanhã levantarei entre 7h e 8h, para tomar café, me arrumar, preparar um pouco o material para meu compromisso, e partir, portanto vou encerrar esta postagem, que já está bastante grande e suficiente para entreter quem quer que vá ler (que dá para contar em uma mão – e a mão do Lula, para vocês verem a popularidade desta pitomba).

Não sou pop, mas estou em Lisboa. Esnobe.

5set (Nápoles-Madrid-São Paulo)

Levantar cedo em situações emergenciais têm sido uma proeza para mim, ainda mais quando eu me programo para levantar cedo e vejo que faltam ainda quase duas horas para o translado do hotel ao aeroporto acontecer. Então eu bebo água, confiro tudo no quarto, na mala, fico olhando a rua na janela, olho o quarto novamente (pensando o quanto é feio – apesar de ter me servido por duas noites), beber mais água (e enjoar do gosto dela – mimimi água não tem gosto mimimi tem sim), comer um Mentos (havia parado com esse vício, comprei um faz pouco tempo e realmente o gosto já me enjoou), e fazer o checkout.

Momentos depois, no hall do hotel, vem um cara perguntando pelo meu nome, confirmo que sou eu, ele me ajuda com a mala, entro em uma van da Mercedes e vamos para o aeroporto.

No voucher dizia que ele só falava o idioma local (italiano), mas ele começou a puxar papo comigo em inglês, e nessas horas a gente fica feliz por ter pessoas que falam mais de um idioma, mesmo que tropeçando em algumas palavras (esse seria eu).

Sempre falam a frase brazilian woman are beautiful e eu fico pensando se eles algum dia irão aprender alguma coisa nova. Falando como homem agora, e heterossexual, tem mulher linda em qualquer canto do mundo. Sabiam que Charlize Teron é africana? Aprendam.

Cheguei ao aeroporto, despachei minha mala, e a espada romana despachei em outro local. O que estranhei foi que eles não entenderam quando eu falei sword, ficaram olhando para mim com cara de dúvida, e eu tive que fazer algum gesto babaca tipo empunhando uma espada ou falar que era like a big knife.

Falei essa frase para a moça da bagagem e para o cara que despacha coisas estranhas.

Tudo certo, peguei meu vôo para cá, e na hora de entrar na área dos portões, o cara que olha o passaporte virou e falou em alto e bom português brasileiro han? Eu morava na Bahia, que tudo dê certo.

Encontrar um brasileiro, e simpático, que venha até você no meio daquela multidão de italiano, espanhol, alemão, finlandês e sabe-se-lá quais outras partes do mundo estavam ao meu lado, e fale algo bacana assim, mesmo simples, te faz ganhar o dia.

Se não o dia, pelo menos aquele minuto.

Passei pelo detector de metal, e pediram que abrisse minha mochila pois eu tinha um desodorante spray com mais de 100ml permitidos pela legislação internacional de segurança. O segurança gentilmente me explicou brevemente que não poderia, se havia problema em eu deixar o desodorante para trás, o que não foi incômodo algum (pelo menos doei um desodorante para os funcionários, para aqueles dias de calor, sabe?).

Peguei um assento na janela, e ao meu lado não sentou ninguém, o que significa que minha mochila ganhou um lugar especial, enquanto eu olhava a paisagem, esperando o avião decolar e sentir, novamente, aquela sensação de cacete, essa pitomba está voando.

Depois dessa sensação, na ordem, houveram outras: que incrível ver as nuvens a essa distância; puxa, ele voa bem acima das nuvens, havia esquecido; em um acidente, é melhor cair no mar ou na terra?; Google Maps!; Achei que fosse turbulência, mas sempre que o avião desce para um nível abaixo das nuvens dá essa tremidinha sussa; Quanto terreno sem mato; Vamos pousar, ele já embicou a frente no chão; Ahn me enganei, agora sim ele embicou.

MADRID

Descemos, eu fui procurar o meu amado Starbucks para tirar o atraso de um bom Dark Mocha e, como não achei salgado para comer, comi um donut de chocolate, que era incrivelmente leve, pois a massa de dentro da casca de chocolate não era de chocolate, era porosa e suave.

Depois comi um hambúrguer em um restaurante com nome engraçado, algo como Henry J. Jack But his friends all call him Hank (sim, esse nome inteiro). Não achei o lanche muito bom, pela banca que o restaurante coloca parecia que iria oferecer comida melhor.

Fiquei dando algumas voltas por aqui, olhando as lojas, desejando algumas coisas, e comprei três coisas: uma bolsa da Timberland, daquelas pequenas que está na moda e é ótima para levar carteira, celular, documento do carro e miudezas, o que me fará dispensar a mochila cheia de tranqueira e aliviar minhas costas (que estão ótimas), um perfume (One Million – Pacco Rabanne) para mim e outro para minha mãe (Kenzo Power). Nessa leva de compras eu gastei quase todo o resto dos euros que eu havia reservado para…momentos como esse.

Ainda sobrou bastante, considerando que não vou sair da área de embarque, o que significa que ainda consigo jantar e comprar tranqueiras para comer, o que não vou fazer, pois de tarde tive uma bela de uma caganeira.

Sim, leitores: caganeira. O Blog é meu e eu compartilho o que eu quiser, e a caganeira está em pauta, agora irei falar que minha caganeira me fez descansar sentado por um bom tempo, mas passou e eu pude continuar andando. Agora vou parar de falar da minha caganeira e falar dos fatos posteriores.

Bando de frescos.

Aqui tem uma lanhouse e eu comprei uma hora para usar a internet em meu notebook, o que foi bom para colocar o restante das fotos de Nápoles, as duas postagens atrasadas (vai lá Martinha, lendo e comentando, lendo e comentando) e ver algumas notícias no Brasil e no Omelete (sou viciado nesse site, deixem-me em paz).

Vi também que o euro está menor do que quando eu comprei, cerca de dez centavos abaixo. Coisas assim são patrocinadas pelo querido Google.

Continuei dando voltas pelo aeroporto até ver que o iPhone estava com a bateria acabando, e eu lembrei que os banheiros possuem milhares de tomadas. Então lá vai eu para o banheiro, mas sem caganeira dessa vez, apenas pluguei ele na tomada e fiquei esperando a carga completar e, enquanto isso, escovava os dentes, me olhava o espelho, dava uma aliviada na bexiga, lavava as mãos novamente, lavava o rosto etc.

Carga completa, comprei uma água na máquina e dei mais umas voltas (foi quando comprei os dois perfumes citados anteriormente), e resolvi parar em algum banco para esperar as horas passarem (falta pouco até para o vôo para São Paulo chegar).

Resolvi dar mais uma volta, e isso me custou um lugar no banco perto do portão, então resolvi sentar perto de uma coluna bizarra que tem no aeroporto, aliás tem várias, e ao chegar bem perto descobri (senti) que era um ar condicionado. Sentar de costas para isso foi uma ótima escolha.

Embarque anunciado e as pessoas se aglomeravam na porta, sem pensar em formar uma fila, apenas formaram um grande funil humano. Depois deste rápido sufoco entrei no avião, novamente na janela, torcendo para que o assento ao lado fosse vago, o que seria um presente para minhas pernas e viagem.

Não era vago, pertencia à uma senhora que puxou papo algumas vezes comigo. No começo ela parecia louca, eu pedi licença para ir ao banheiro, ela se levantou e ficou na minha frente, exatamente impedindo minha passagem. Então eu, quase escalando os bancos, me segurando no bagageiro, falei um tímido e contido licença que fez ela ter ciência da situação e finalmente saiu da minha frente, falando que estava com a cabeça louca e que não havia reparado.

Não precisava ser Jason Bourne para notar minha dificuldade de sair do local.

Mais de dez horas de vôo, precisava aproveitar cada minuto para dormir, apesar da senhora tentar puxar conversa ela sabia ver que eu estava dormindo (ou tentando) então não fui interrompido nenhuma vez.

Acordava nas horas certas (refeições) e nenhuma vez fui ao banheiro (novidade), apenas procurava fechar os olhos para dormir e ficava esperto para quando servissem algo: isso, e a segurança do vôo, me bastavam.

Nem hidratei meus olhos, por estar de lente de contato deveria, mas não tive problemas com isso também, tudo foi muito tranqüilo. O jantar deste vôo não foi legal: era um macarrão com um molho bizarro (e ralo) com azeitonas pretas e funghi, o que me fez pensar na primeira garfada de que aquilo seria o estopim de uma caganeira oficial de volta para casa. Fala sério, molho de azeitona com funghi em pleno vôo? Querem nos matar de diarréia, só pode ser.

Caganeiras fantasiosas à parte (não houve – pelo menos da minha parte), o vôo foi tranqüilo, e cheguei em casa são e salvo. Peguei minha bagagem na esteira e logo estava na fila para sair daquela parte, mas antes me bateu a dúvida sobre declarar os pertences.

Voltando no tempo agora: durante o vôo recebemos um formulário para preenchermos a respeito de nossa bagagem, se estávamos carregando algum alimento, produto derivado animal ou vegetal, armas etc. Perguntei à senhora do meu lado se era referente à bagagem de mão ou geral, e ela disse que pediu ajuda para a aeromoça e que ela não preencheu essa parte do formulário, que ficou em branco. Resolvi imitar.

SÃO PAULO

No aeroporto (continuando de onde parei), havia a fila para declarar pertences ou nada a declarar, a qual eu fui com a maior cara de pau, mas eu havia me preparado: sem mentir, como eu estava com dúvidas, qualquer problema que houvesse eu iria falar que deixei em branco para não preencher errado, e assim pediria ajuda à algum funcionário da PF.

Aconteceu que na minha vez o funcionário pegou o formulário e me indicou a saída: livre.

Procurei meu irmão e minha mãe, mas nada, então resolvi andar até um ponto e ligar para eles, avisando que havia saído do vôo. Nos encontramos e voltamos para casa, onde mostrei os presentes de cada um, contei rapidamente sobre a viagem e o vôo, e fui tirar uma pestana.

Demorei mais de uma semana para colocar a postagem deste dia pois havia esquecido, depois acabei me ocupando com outras coisas e agora, um dia antes de voltar ao trabalho, aqui estou eu atualizando todos os meus milhares de seguidores do blog.

Depois, com tempo e vontade, posto o saldo da viagem, em versão resumida.

18ago (São Paulo – Madrid – Milão)

- ¿Carne ou pasta?
- Pasta. Gracias.

A comida estava boa, dormi mais um pouco, fui ao banheiro e alguém me interrompeu com batidas na porta: nada grave, apenas uma mulher muito educada que me olhou meigamente e aguardou eu sair do banheiro com elegância. Pelo seu comportamento, parecia que aquele era o banheiro dela, apesar de não ter visto o nome dela escrito em lugar algum.

Tirei fotos de coisas babacas (como ícones de sinalização) e algumas interessantes (como a vista do avião sobrevoando a cidade de Madrid.

O tempo entre um vôo e outro estava planejado para que desse tempo, mas infelizmente não consegui aproveitar bem por confundir os nomes dos portões (realmente são confusos) e precisei pedir para a Iberia me alocar no próximo vôo: o anterior (que perdi) era às 11h55, e agora estou agendado para as 15h30.

Nessa espera pelo vôo encontrei uma Starbucks, e isto alegrou minha tarde.

Acostumei-me a ouvir as pessoas falando em espanhol ao meu redor, raro era achar alguém falando em português (do Brasil).

É interessante escrever sobre cada dia da viagem, considerando que ainda estou em Madrid quando deveria estar a caminho de Milão, mas ainda assim a experiência começou a partir da despedida de meus pais no aeroporto. Quem dera achar uma zona grátis Wi-Fi para poder ligar pra casa, mandar e-mail, escrever para minha família, e o mais importante: avisar a agência que o meu translado precisará ser adiado por causa do vôo perdido.

As costas começam a doer por causa do uso do notebook em um banco de metal, e isso significa que irei pensar mais rápido no que escrever. Apesar do calor, o céu está branco (apesar do sol ter aparecido algumas vezes).

Certo tempo depois, e vi no painel que meu vôo estava do outro lado do aeroporto, e para isso a gente utiliza o metrô interno do aeroporto. Entrei no vôo, e meu lugar era no meio da fileira, precisamente dividindo um casal de franceses que chegaram depois de mim, e ambos concordamos em trocar de lugares.

Dormi.

MILÃO

Saindo do avião, fui correr atrás de minha bagagem (que chegou no vôo que perdi) e ela não estava lá. Essa informação veio depois de eu andar em círculos pelo saguão, e depois de muito tempo consegui falar com a atendente (desta vez com eficiência) e ela indicou a sala com malas perdidas, mas infelizmente nenhuma era minha.

Recebi o número de meu protocolo e fui para o hotel aguardar a chegada de minha bagagem e começar a aproveitar minhas férias. Depois de comprar uma Pepsi procurei uma farmácia por lá mesmo, mas estava fechada.

Taxi. Como no Brasil, uma roda de taxistas conversando. Chamei um deles:

- Scusi. Via Napo Torriano, per favore?

A distância do aeroporto para o meu hotel foi praticamente Guarulhos-Santana (só que sem trânsito algum), o que resultou em mais de €85. No final da corrida, falei para o taxista:

- Scusi non parlare italiano

Ele perguntou de onde eu era. Quando respondi Brasil, Sao Paolo ele disse obrigado e tchau. Gestos pequenos que me fizeram ganhar a noite: taxista simpático merece até mais do que recebe (mas de mim por enquanto não, pois o dinheiro está racionado).

Hotel San Carlo: pequeno e quente, sem ar condicionado, frigobar operando em temperatura ambiente (pelo pouco que procurei não encontrei botão de regulagem), box para tomar banho devia ter menos de 1 metro, e isso significa tomar banho usando cotoveleiras.

Liguei meu notebook e o carregador de pilhas USB nele, abri o Word, comecei a ver a bolsa que a Iberia me deu como cortesia (e pedido de desculpas) por causa do infortúnio da bagagem, e eles dão bastante coisa: linha e grampo (e botão) para camisa, uma camiseta branca (amassada), sapatilhas descartáveis, desodorante, perfume, xampu, touca de banho, bermuda/cueca de algodão etc.

Saindo do hotel, perguntei a um americano por farmácia, que fica no mesmo edifício da Estação Central (Centrale Stazione). Passando por vários restaurantes, pizzarias e dois McDonalds, comprei meu soro para lente de contato (€10), patatitas no McDonalds (€1,90) e uma Coca Zero 600 ml (€2) na banca, onde aproveitei para perguntar sobre onde poderia comprar roupas.

Voltando ao hotel, recebo uma ligação da Intercare com a boa notícia de que localizaram minha bagagem, e que amanhã a receberei no quarto. Não precisarei comprar tudo de novo, tampouco confrontar a perda de acessórios do iPhone, 2 óculos caros (um HB e outro Rayban), uma filmadora (a nova, que comprei só para a viagem) e outras coisas.

A situação me favoreceu para escrever. Dentes escovados, um calor imenso (mais de 30º durante o dia) e meus pés estão com aquele princípio de bolha por causa das caminhadas e corridas nos aeroportos usando chinelo.

Deus é bom, e cuida de mim.


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