Textos categorizados 'lazer'

24mar (Lisboa)

Aí sim! Finalmente um dia para chamar de “meu”, sem compromissos, sem correria, sem ameaças ou notícias patéticas: e ae, o que eu vou fazer? Como estava escrevendo no post anterior, eu pretendia ir ao Zoo de Lisboa, mas eu iria de manhã, para ter mais tempo de aproveitamento durante o dia…percebi que acordar cedo realmente é complicado (certo, podem me ovacionar em falar mal e sobre quanto imaturo eu sou), e eu só fui sair da cama depois do almoço.

Almoço, aliás, eu quase nem tive, pois não estava com vontade, pelo que lembro foi uma empada, algo patético assim, e eu lembrei de ir visitar o cais: câmera no bolso, e fui andando. Aliás, foi uma boa andada, desci uma avenida inteira, estava com sede, e o que eu avisto? Uma Starbucks. Sim, eu tomei o mesmo de sempre, só que em Lisboa. Sem contar que na noite anterior eu jantei Pizza Hut (era uma das únicas opções por perto que estava aberto no horário que eu resolvi sair para jantar – falha de planejamento).

Continuei andando, até ver que estava na…Rua Augusta! Eu, um grande odiador desta rua em São Paulo, estava nela aqui em Lisboa. Claro que, apesar do nome, são muito diferentes, exceto por uma coisa: me ofereceram maconha. Ao ar livre. À luz do dia. Em público. Duas vezes!

Então eu tenho cara de maconheiro, é isso? E ainda: vieram falar comigo em inglês. Certo, tenho cara de gringo, mas não chega a tanto, eu bem que podia ter fingido algum idioma e sair esbravejando, ou começar a falar sem eles entenderem, mas poderia parecer que estava negociando, iam me prender, me bater, enfim…tomei meu rumo à ignorância dos traficantes populares e continuei minha jornada.

Cheguei.

Cacetada, que lugar delicioso de passar o final de tarde: existem umas áreas que são escadas rasas que dão direto no mar, e fica o mar batendo nos degraus, as pessoas ficam sentadas, algumas descalças, olhando para aquele horizonte, olhando alguns navios passarem (literalmente), sentindo aquela brisa gelada que sopra do mar.

É uma delícia, é poético e eu preciso voltar lá.

Então sai do computador e vai pra lá.

Não, agora já anoiteceu, e se de dia me ofereceram maconha, vai saber o que irão me oferecer à noite. Agora vou me informar sobre os valores da janta no restaurante que estou de olho faz tempo, chamado Laurentina, e dependendo irei lá para, finalmente, ter uma refeição portuguesa.

23mar (Lisboa)

Um dos poucos dias em que eu não tinha compromissos profissionais para resolver, então eu planejei meu dia mentalmente para acordar cedo, ir ao Zoo de Lisboa, depois me perder de propósito, me misturar com as pessoas do dia a dia.

Mais um dia de correria profissional, com algumas reuniões e muito bate-papo para levantarmos ótimas ideias, eu estou tão perdido no tempo que achei que este tivesse sido o dia em que eu tive liberdade de lazer, mas não: este dia foi ontem, apenas. Novamente, na companhia do Julian Treasure, e seu fantástico trabalho, que muitas empresas deveriam contratar – lembram quando no começo as pessoas indagavam sobre a importância de uma apresentação, e atualmente não vivem sem? A mesma coisa com o trabalho dele.

Admito que por passar a maior parte do tempo sozinho, eu acabo me entediando facilmente, e por isso não tenho muitas novidades: quando o dia está cheio de trabalho, é igual a qualquer dia em São Paulo, onde chega o final do dia e você só pensa em ir para a cama, dormir, descansar.

No meu caso, antes de fazer isso eu ainda abro o notebook, vejo os meus e-mails, respondo, trabalho (além da agência, ainda tenho não um, nem dois, mas TRÊS eventos TEDx – sendo que um deles eu sou host), dou notícias para a família, falo com alguns amigos e, aí sim, vou dormir, e quando isso acontece já é tarde e eu me dano pela manhã do dia seguinte.

Mas o dia seguinte foi melhor, em questões de lazer.

16/17mar (São Paulo – Madrid – Lisboa)

Assim como na viagem para a Itália, eu deixei para fazer tudo apenas na última hora, como arrumar a mala, mesmo eu nunca tendo problemas com isso (de faltar roupa, por exemplo), afinal, eu sou homem: 1h antes de sair de casa é tempo suficiente para pegar as roupas, guardar na mala, passar o zíper e partir rumo ao aeroporto.

Ao sair de casa, minha vó vem se despedir de mim com os olhos marejados, voz trêmula, pedindo a Deus para, se Ele quiser, me trazer de volta. Pô, vó, é claro que Ele quer que eu volte! Mas sem tocar em filosofias profundas, o que me incomodou foi ela me olhar como se eu estivesse indo rumo ao precipício. Pelamor, já fui pra Itália e Madrid, sem contar os outros lugares do Brasil que também se usa avião (Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Amazônia etc.), não precisava se desgastar tanto emocionalmente.

Mas vó é vó, quer o nosso bem, e a minha pelo menos chora mesmo se cair uma folha em minha cabeça. Ela me ama, e eu amo ela, e quando se quer o bem, as emoções se colocam mais fortes.

Mas minha mãe começou a marejar os olhos também. Ô cazzo, também? Levei no bom humor, e parti com meu irmão para o aeroporto (ele foi me deixar lá, veja só que irmão legal que eu tenho – já contei que nunca brigamos? Pois é), desci, despachei a mala, fiz check-in, e fiquei aguardando até 16h55, horário do embarque.

Enquanto isso, passei no Duty-Free, e sempre que eu ia ao aeroporto, eu namorava uns relógios da Diesel, que nunca foi minha marca desejada (é apenas mais uma como qualquer outra), porém eu gosto muito do estilo de relógio que eles fazem. Neste dia eu resolvi comprar, mesmo que parcelado, um relógio para mim. Lindo. Maravilhoso. Logo apos a compra eu lembro que havia esqueci uma coisa em casa: câmera fotográfica.

Burro.

Fui ver no Duty Free alguma com configuração igual ou aproximada, e os preços começavam em 900 reais. Mais caro que o relógio (que, claro, prefiro não falar o valor), então pensei em arriscar comprar quando chegasse na Europa, sendo Madrid ou Lisboa.

10 horas de vôo até Madrid, pois escolhi a Iberia, e as conexões acontecem, até onde percebi, sempre no Aeroporto de Madrid – Barajas, e quem acompanhou minha saga na Itália vai lembrar que, por não entender como o aeroporto se organiza, eu acabei perdendo minha conexão para Milão na época – mas hoje não podia repetir o mesmo erro.

Até porque entre minha chegada em Madrid e o embarque de minha conexão para Lisboa tinham apenas oito horas. Pode? É um expediente! Eu poderia ter trabalhado, pego 1h de almoço, feito pausa para o café, e voltado para casa. Mas não: fiquei lá dentro do aeroporto (não podia sair, já que estava na área de aguardo das conexões), andando, dormindo, sentado, andando de novo, dormia um pouco, dava uma volta, etc.

Passei em uma loja que vendia diversas coisas bacanas de áudio e vídeo, e eu quase comprei uma caneta para iPhone/iPad. Quase. Ao invés disso, fui atrás das câmeras fotográficas, até achar uma ótima, da Canon, bem pequena, marrom (mas com um tom bem elegante), 12 megapixels, e todos aqueles recursos básicos (as fotos que tirei da Itália foram com uma câmera simples da Nikon, sem tratamento, sem lente especial, nem nada). Agora, pasmem: paguei 300 reais no brinquedo! Três vezes mais barato que no Brasil. Eu disse três vezes. Foi um dos melhores planejamentos financeiros que fiz este ano, e espero evoluir nesta área.

Depois da compra, carreguei meu iPhone no banheiro, que é muito bom. Muito. Quem entrava se assustava com minha pessoa, parada do lado da tomada, encostado na parede, de óculos policial, cara fechada (não sou um gnomo para andar sorrindo 24h), aguardando o celular semi-pendurado na tomada (que era na altura do peito, quase), espertamente apoiado na mochila que estava no chão.

Tomei um café no McDonalds só para poder usar a tomada perto de uma das mesas, mas horas depois voltei lá para almoçar: Royal Deluxe, que apesar do nome, consiste apenas em carne + queijo + tomate + salada, é o famoso x-salada brasileiro com nome gringo. Arrisquei ir até o Starbucks, mas era do outro lado do aeroporto, e no momento que pensei nisso já estava na hora de entrar no avião.

E sim, eu lembrei como funcionava a organização dos portões no aeroporto de Madrid, e não perdi o vôo, tampouco tive a bagagem extraviada (da outra vez isto aconteceu por eu ter perdido o vôo – a bagagem foi antes de mim e ficou perdida no aeroporto de Milão): cheguei super bem em Lisboa, o taxi até o hotel era bem perto (e muito barato – quase cinco vezes mais barato de quando eu fui do aeroporto de Milão para meu hotel – 50 euros safados, pois era longe pra cacete), e o hotel…

…meu irmão, minha irmã, o hotel é maravilhoso. Turim Europa, 4 estrelas, lindo, super confortável e moderno: você vai andando no corredor e as luzes se acendem conforme sua presença (assim economiza energia), e durante a caminhada fica tocando música ambiente. E quando você entra no quarto, a música está tocando dentro dele! Sendo bastante transparente e solidário com minha experiência, cagar ouvindo música barroca (ou seja lá de qual estilo ou período seja) é legal, mesmo eu nunca tido planejado fazer algo assim na vida.

Banheira. Outro detalhe do banheiro.

Eu cheguei em Lisboa depois das 17h, vim para o quarto, fiquei fuçando nele, guardando a roupa, arrumando minhas coisas, espetando os gadgets nas tomadas para carregar (MacBookPro, iPad e iPhone – e a câmera fotográfica, que eu não coloquei ainda, vou fazer isto agora).

Tomei banho como uma madame, mergulhado na banheira, relaxado, pensando em diversas coisas e nada importante. Uma hora aquilo cansou e eu tomei banho normalmente. Eu estava preparado para sair hoje, com uma amiga, Bibiana, que está pela região e irá me mostrar alguns lugares bacanas de Lisboa – ela também está comigo na organização do TEDxRimini, na Itália – mas houve mudanças de planos, e eu acabei ficando no meu quarto resolvendo algumas coisas da agência.

Sim, eu estou aqui para trabalho também (principalmente).

Mas o que você foi fazer aí mesmo?
A princípio eu viria apenas para a cidade de Porto, onde irá acontecer mais uma edição do evento TEDx, organizado pelo Manuel Forjaz, o TEDxO’Porto 2011, mas começaram a surgir oportunidades de negócios entre a MonkeyBusiness e algumas empresas portuguesas, portanto o que era para durar uns três ou quatro dias agora irá durar doze.

Responsabilidade.

Então resolvi comer em algum lugar, mas não sabia onde. Comecei a pesquisar na internet os locais mais próximos (para não gastar com taxi), e comecei a ficar confuso com algumas opções – a partir daí, resolvi apenas sair andando pelas ruas de Lisboa e ver se acharia algum lugar aberto (já eram 22h aqui, enquanto no Brasil as pessoas ainda estavam agoniadas para saírem de seus trabalhos e beberem cerveja verde), o que não foi um sucesso, e resultou em jantar no restaurante do hotel.

Não fiz o melhor pedido, até porque era muita comida, e a maneira como foi feita não me agradou: pizza à carbonara, mas o queijo era excessivo, um tanto enjoativo (tipo queijo prato, que fica aquela coisa gorda na língua, não desce suave), a massa não estava com um ponto bacana (não estava crua, mas não parecia muito pizza). Mas comi.

O cappuccino também não estava dos melhores: tive que usar dois saches de açúcar e um de adoçante em comprimido para sentir algo doce no café. Sim, eu tenho ciência de que café não é para ser doce como um copo de Toddy, porém ele não precisa ser forte a ponto de parecer xaxim.

Não, eu nunca comi xaxim.

Já consumi quase metade de meu frigobar, uma ação que pretendo não tomar nas outras estadias por vir, e agora vou encerrar minha noite tomando o suco de laranja gelado pra cacete – o frigobar está gelando tanto que está uma camada de água sobre tudo que está lá dentro.

E quando eu saí para procurar um restaurante? Aí eu senti o que é frio. E olha que não estamos no pico de inverno europeu, é apenas uma passagem do inverno para a primavera, variando de 6 a 10 graus (mais para 10 do que para 6), e eu saí do hotel todo pomposo, usando apenas calça, camiseta e um blazer militar, aberto, com o peitoral exposto como se fosse um pombo partindo para briga…os primeiros segundos em contato com o clima noturno de Lisboa me fez desejar pular em uma caldeira acesa.

Frio, rapaz. Frio.

De dia está mais tranquilo: é menos frio, tem sol, dá umas esquentadas, mas é misturado, você sempre sente o frio presente, é o tipo de dia quente e com sol que faz você sair de cachecol e casaco fino, mesmo que às vezes você vá tirar ele em algum momento.

Quase 3h, e eu amanhã levantarei entre 7h e 8h, para tomar café, me arrumar, preparar um pouco o material para meu compromisso, e partir, portanto vou encerrar esta postagem, que já está bastante grande e suficiente para entreter quem quer que vá ler (que dá para contar em uma mão – e a mão do Lula, para vocês verem a popularidade desta pitomba).

Não sou pop, mas estou em Lisboa. Esnobe.


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