Quando viajei para a Itália, sozinho, eu senti uma emoção que nunca havia sentido antes: solidão (que não significa abandono); a maior parte do tempo eu ouvia as pessoas falando o idioma local (italiano), mas ouvia muito também de alemão, japonês e inglês (este, o que eu conseguia me comunicar – e satisfatoriamente bem).
Minha experiência, na questão de relacionamento pessoal (ou entrosamento social) foi de agonia, pois como um brasileiro que só fala português (e sobrevive no inglês), eu passei quase 1 mês sem ouvir meu próprio idioma, e eu recorri diversas vezes a ligar para casa (o que me custou o olho da cara – ou pelo menos a cirurgia que me faria enxergar melhor) apenas para ouvir a voz de minha família (geralmente minha mãe) e me sentir confortado.
E olha que eu nunca fui um filho entusiasta que vive grudado na família (o que não significa que eu more sozinho e não fale com ninguém dela: é tudo questão de equilíbrio).
Eu já tinha planejado em minha cachola que esta viagem funcionaria se eu estivesse sozinho (mesmo apreciando a idéia de uma boa companhia), pois na época eu vivia rodeado de gente quase que o dia inteiro (salvas as horas de ir ao banheiro, tomar banho e dormir) e eu queria, mesmo, experimentar a sensação de, pela primeira vez, estar sozinho sem ajuda e opinião de ninguém.
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17ago (São Paulo)
18ago (São Paulo – Madrid – Milão)
19ago (Milão)
20ago (Milão – Verona)
21ago (Verona)
22ago (Verona)
23ago (Verona)
24ago – Desencargo de consciência
25ago (Veneza)
26ago (Veneza – Florença)
27ago (Florença)
28ago (Florença)
29ago (Florença – Pisa – Roma)
30ago (Roma)
31ago (Roma)
1set (Roma)
2set (Roma)
3set (Roma-Nápoles)
4set (Nápoles)
5set (Nápoles-Madrid-São Paulo)
Hoje, domingo, depois de Natal e antes do Ano-Novo, eu passei por uma pequena angústia (nada sério, sinceramente): planejava sair de casa, encontrar pessoas, respirar ar fresco (mesmo vivendo em São Paulo, dentro do apartamento, com todos os ventiladores ligados e janelas abertas, o ar continua abafado), ver coisas novas além das paredes beges, mas não tive sucesso.
Tentei forçadamente fazer algo, mas não consegui: permaneci em casa. Calor. Fome. Tédio.
Não sei até onde poderia contar com todos os meus amigos para chamar e fazer alguma coisa, às vezes eu procuro algo diferente, variar do mesmo, mas nem todos apreciam a idéia ou me acompanham com o mesmo entusiasmo, principalmente em cima da hora e levando em conta que esta semana a maioria trabalha, mas sei que estou aprendendo (não da maneira mais confortável – mas também não tenho do que reclamar) a viver sozinho e me tornar auto-suficiente.
Então você está desdenhando os amigos?
De maneira alguma. Só não posso fazer meu conforto e felicidade dependerem das respostas dos outros que convido para me acompanhar em algo. Alguns não querem, outros não podem, outros não estão dispostos…nem sempre poderão aceitar meus convites, independente do motivo, e eu não posso deixar me chatear por causa disso, afinal, já aconteceu o inverso comigo (de não querer ou não poder aceitar um convite).
Isto me motiva a algo: viajar novamente para a Itália. Talvez, talvez, passar em outros países (como Espanha e Portugal – quiçá Inglaterra), e não sei se desta vez eu estarei sozinho, pois pode surgir uma namorada (hahahahahahahahahahahaha certo, certo), ou meu próprio irmão (se conseguir tempo e verba, pois ambos tocamos a agência e pode ser difícil os dois saírem ao mesmo tempo), ou algum(a) amigo(a) que tenha tempo e verba (e coincida poder ir na mesma data que eu).
Estou motivado, creio que terei verba suficiente para fazer isso, considerando ainda mais a experiência maravilhosa que tive com esta primeira viagem, conseguirei salvar mais dinheiro ainda, com economias e planejamentos inteligentes (porque planejamento burro tem um nome: só não me lembro qual).
Já falei com minha família que gostaria de viajar novamente, eles já aceitaram melhor a idéia (quanto a ficarem preocupados por eu estar fora do país, por exemplo, é algo que provavelmente não será tão grande nas próximas vezes).
No trabalho eu não preciso pedir férias, já que toco o próprio negócio juntamente com meu irmão e meu amigo, Gustavão (só preciso planejar bem para não cair em alguma data caótica cheia de eventos e trabalhos perturbadores de clientes pesados).
Quem quiser se juntar, será bem-vindo (apesar de eu nem saber a data que gostaria de voltar ou, melhor ainda, ter realmente o dinheiro necessário para isso) – caso contrário, será a segunda viagem sozinha, mas com uma diferença: este ano eu irei aprender italiano, então um recado em italiano para todos que moram lá:
lasciare le proprie figlie a casa, perché io sono tornato!









