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29ago (Florença – Pisa – Roma)

Como um bom e inteligente rapaz, eu fui dormir tarde mesmo me planejando para levantar às 6h30 para que eu pudesse utilizar o mesmo dia de passe de trem para Roma e visitar Pisa, mais precisamente a Torre de Pisa.

Ontem à noite (hoje de madrugada) aproveitei ao máximo o meu momento de inteligência, que foi planejar os trens de acordo com o manual da EuRail que recebi da agência de viagens, com detalhes como hora de saída, chegada, estação, se precisa ou não de reserva, se tem cabine fechada, ar condicionado, se é de alta velocidade, e tudo quando é tipo de informação.

Checkout. Estação de trem. Bilheteria para validar o ticket (apesar de já ter usado ele desde o começo da viagem) e o atendente começou a falar tudo que eu não poderia entender (em italiano), apontando para o ticket, fazendo umas expressões que eu entendi como um infortúnio. Então ele se levanta, vai até o canto da sala, volta e me entrega o ticket com o carimbo de validação.

Ufa.

 

PISA

Sim, a torre está torta, e a cada ano (ou algum período já calculado) ela entorta mais, mas existem profissionais procurando sustentá-la (mesmo que torta, agora que se tornou sua principal característica turística).

De Pisa, peguei outro trem para Roma que previa mais ou menos 3 horas de viagem. Entrei em um dos vagões do trem, e ele era dividido por cabines, como eu apenas conhecia nos filmes, com a porta de vidro e os bancos voltados um para o outro. Ingenuamente achei que alguma daquelas cabines seria onde eu iria passar o resto da viagem.

Não.

Três vagões depois eu chego na área onde é normal: cadeiras, fileiras e tudo como eu tenho visto desde então, e quando eu digo “chego” significa “andar com mochila nas costas e outra de alça, puxando pela mão por um corredor que tinha gente sentada e não lhe permitia se locomover”), acho meu lugar e sento lá.

A viagem vai demorar, vou dormir.

Dormi. Acordei. Dormi. Acordei, olhei para as pessoas. Dormi. Acordei, olhei as mesmas pessoas, olhei pela janela. Fechei os olhos, mas não dormi. Abri os olhos, olhei pela janela (que estava imunda). Dormi. E assim por diante, enquanto os minutos se arrastavam e eu achava que estava chegando.

 

ROMA

Andei, comi uma fatia de pizza, procurei um taxi, e o primeiro que achei me indicou o caminho apontando a direção secamente (como se um turista fosse fazer bom proveito de meia informação). Disse que bastava cruzar a estação por dentro que já seria do outro lado.

Errado.

Procurei outro taxi, que ao invés de me levar até onde queria me ensinou como chegar ao hotel a pé, mas foi em italiano, e rápido, o que não me ajudou até outro taxista arriscar inglês e repetir as informações.

Não achei.

Andei bastante, e foi difícil achar o endereço do hotel com ruas sem placas com seus respectivos nomes, e ao procurar outro taxi (tentando realmente usar o serviço de taxi), este me diz que cobraria €50 + taxa de baagem. Neste momento me vieram alguns palavrões que não falo há anos na cabeça.

Fui-me de lá.

Andei.

Andei.

Andei.

Pedi arrego, achei um taxi que realmente me levasse ao local, e me custou apenas €5 (como em qualquer outra cidade ou situação que passei na Itália que precisasse de taxi).

O detalhe que potencializou minha frustração (e irritação) foi um calor em torno de 40º, eu usando calça jeans (apesar de fina e leve, é calça), com uma mochila pesada nas costas (o que significa que estava colada nas costas – abafando e me deixando encharcado) e puxando uma mala de alça pela outra mão. Eu não suava, mas sim escorria suor de tanto calor e esforço em andar, subir e descer ruas.

Chegando no hotel, guardei joguei minhas coisas com cuidado pois estava com pressa para tomar um banho e sentir a sensação de limpeza no corpo.

Internet de graça, que significa compensar o abuso cobrado em Florença, e o que não significa que ficarei mais tempo: mesmo não precisando dar satisfações, o principal e original motivo é falar com minha família.

Perguntei pela lavanderia do hotel, e o recepcionista disse que é muito caro, que seria melhor se eu fosse nas lavanderias das redondezas (são uma ou duas quadras no máximo – perto) que sairia muito mais barato.

Obrigado pela sinceridade.

Em 5 dias eu terei dois passeios programados desde o Brasil: visitar o Coliseu à noite (iluminado), e visitar o Vaticano. Não lembro dos detalhes de cada passeio, tudo isso está nos vouchers atrás de mim, em minha cama, que estou com preguiça de pegar agora só para reescrever aqui, então deixarei os detalhes para as outras postagens.

Muitos me deram conselhos de segurança na Itália, especificamente Veneza e Roma. A primeira cidade realmente não tem uma cara boa quando você passeia pelas ruas, principalmente à noite (mesmo com movimentação e alguns restaurantes funcionando), e Roma agora tem essa sensação elevada a décima potência.

A impressão é de estar no centro de São Paulo: muito movimentado, muitos comércios de tudo quanto é tipo, muita gente de tudo quanto é tipo, muitos carros, poluição sonora, eu vi até um cara caído no chão em uma poça de sangue tossida no meio da estação de trem.

Irei continuar com meus costumes: de dia, passeios, fotografia, sorvetes, sol, água, e de noite irei escrever para minha família, escrever sobre o meu dia no blog (que é um complemento do e-mail para a família, mas aberto para todos), subir as fotos tiradas no dia (que também é um complemento do e-mail para a família) e aproveitar o tempo que tenho disponível de internet para fazer outras coisas, como resolver assuntos financeiros, falar com meu irmão, ver notícias e assuntos de meu interesse.

Ciao.

28ago (Florença)

Hoje foi um dia com bastante falta do que fazer. Começando por levantar da cama depois das 13h, coloquei uma roupa fresca, camisa quase totalmente aberta, e fui andando por aí, com um sol forte na cabeça em quase todo o meu trajeto.

Comecei indo ao pequeno e rascunhado parque em frente ao hotel, comprei uma Coca-Cola Light e fui andando sem rumo algum. Me perdi, me achei, me perdi, me achei, sorvete de creme, limão e chocolate (um copo pequeno, mesmo, e sem amontoar os sabores), me perdi, me achei, me perdi, andei, me achei, achei que tinha me achado, me achei de verdade, andei, e voltei ao hotel.

Suado.

Dei um tempo na cama, curtindo o ar condicionado, tomei banho, outra roupa e saí novamente, em direção à Piazza degli Uffizi, onde havia ido ontem, desta vez o objetivo era apenas andar pelas ruas, olhar as vitrines (adoraria comprar um monte de coisa, mas tudo é muito caro por aqui – para quem ganha em Real e converte para Euro), e tentar achar aquela padoca onde comprei aqueles pãezinhos torrados.

Não achei.

Andei bastante, e hoje foi um dia que eu até poderia ter pego taxi, mas resolvi colocar as coxas para trabalhar. Eu tinha que escolher entre jantar e voltar a pé ou não jantar e pegar um taxi, para também economizar no dinheiro; com a primeira opção escolhida, parei em um restaurante e pedi uma pizza 4 queijos, lembrando que aqui não tem Catupiry, uma marca originalmente brasileira (até onde eu ingenuamente sei), então sinceramente não sei o que é usado aqui.

Como sempre, a pizza é muito boa, com tudo na medida certa e os ingredientes equilibrados, relacionando a massa e o recheio: nada pinga, escorre, sobra, transborda ou despeja, você realmente aproveita a comida inteira.

Une bambino atrás de mim falava igual o Bocão, no Goonies. Não sei explicar porque desta referência, foi a primeira coisa que me veio na cabeça ao ouvir aquela voz estranha atrás de mim. Uma velha na minha frente estava raspando o recheio da massa da pizza, o que me deixou com vontade de jogar todos os talheres na sua direção. Se aqui ela acha a pizza com recheio demais, que passe longe do Brasil.

Em frente à Galleria degli Uffizi tinha um cara tocando violão, com um mini-amplificador, tocando Asturias, que é uma música clássica (conheço por ser instrumental de violão) que eu pago um pau tremendo. Ver o cara tocar aquela música me fez querer muito tocar violão novamente (e me arrepender por ter parado).

Voltas e voltas depois, resolvi vir para o hotel.

Como disse: o dia foi simples, muito simples, mas amanhã será mais agitado, pois no mesmo dia eu irei, antes de Roma, para Pisa, apenas para ver a Torre de Pisa, tirar umas fotos, apreciar, dar um tempo por lá (sempre vejo em filmes ou fotos que as pessoas ficam sentadas na grama, comendo, bebendo vinho etc.).

Uma coisa que não fiz por aqui em Florença: comer queijo e beber vinho. Meu pai recomendou que eu fizesse, e eu pretendo fazer unicamente porque foi meu pai quem recomendou, o resto que disse a mesma coisa são muito cults para o meu paladar ignorante e minha cultura popular.

Mochileiros me intrigam. Especificamente mochileiros na Europa, pois é extremamente fácil você reconhecer um: ele nunca (nunca) larga sua mochila-toca-do-Gugu e usa as piores combinações de roupa (que se aproximam facilmente da moda classe baixa peruana). Creio que devam existir mochileiros que não usem o Guia da Moda Primavera-Verão Mochileiros 2009 (ou qualquer seja o ano), e se vista conforme o clima e o conforto.

As pessoas cultas me intrigam também, são elas que fervem sua cabeça com a idéia de que você precisa comer queijo e tomar vinho na Europa. N-Ã-O. Eu não preciso comer queijos e tomar vinho na Europa, muito menos fazer isso sentado na grama debaixo do sol em uma posição incômoda, e muito menos lendo algum romance político búlgaro usando uma camiseta de flanela.

Creio que devem ter pessoas cultas que não compram o Guia da Moda Cult 2009 ou ficam freneticamente acessando conteúdos de comportamento. Tenho um amigo que faço questão de citar, que é o Bandim, queridaço amigo meu que passou por essas bandas (e muitas outras) e ele eu confio com a mão no fogo de que é uma pessoa inteligente pra cacete, culta, conhecedora, cabeça aberta, sempre antenada em diversos assuntos…e o cara é legal pra caramba, se veste bem e se comporta bem.

Se ele tem uma camiseta de flanela e um romance político búlgaro, provavelmente está na casa dele, ao invés de embaixo do braço para os outros verem e pensarem olha só, este é um cara culto.

Meu pai é outro exemplo, pois ele estudou queijo e vinhos. Ele dá consultoria de vinhos, ministra degustações, é capaz de olhar a folha da uva e saber de qual região ela veio, entre outras peripécias mirabolantes. Diferente do meu pai, eu não sei a cara do Pau-Brasil, de um Ipê, não lembro do dia do Descobrimento do Brasil, do Dia da Árvore, e de 99% do que o colégio me ensinou.

Preciso? Mesmo?

Protesto ao Mochileiro Pernambucanas e ao Culto Wannabe.

Amanhã tem mais.

27ago (Florença)

Tenho aproveitado muito bem o privilégio de levantar sem horário. O passeio será apenas às 16h30 e isso me deixa com muito tempo de sobra para fazer o que quiser.

Depois de um belo banho em um banheiro onde pr…tudo bem, eu paro de falar sobre o banheiro daqui, resolvi ir andando até a Galleria degli Uffizi, uma vez que eu peguei a trajetória no Google Maps (conquistarei o mundo! O mundo!).

Cheguei ao local, que parecia uma praça fechada com pilares e teto (e muitas estátuas), e tirei muitas fotos, até que resolvi sentar e descansar. Estava tomando um gole de Gatorade quando um dos seguranças (todos velhos) veio me pedir para guardar a bebida, pois era proibido beber lá dentro.

Um casal americano do meu lado viu a cena, e o cara veio brincar comigo sobre a situação, e ria alegremente. Eu e ele fizemos mais algumas piadas, algo como eu pedindo se poderia respirar por um segundo, que eu prometeria segurar a respiração para não incomodar.

Alegria internacional.

Tirei muitas fotos e faltava mais de 1h30 para o encontro do passeio turístico, então comecei a andar pelas ruas, olhando as vitrines, as pessoas, vendo outras coisas legais para tirar foto (é difícil fugir de igreja ou obras de arte), até decidir passar em uma mercearia/padoca/não-sei-o-nome-exato e comprar quatro fatias de um tipo de pão (doce) que é torrado a valer, com uns grãos inteiros na massa que parecem semente de abóbora. Eram realmente fatias pequenas, imagine você pegar um pão francês e fatiar em tiras da grossura de um dedo (humano, regular).

Menos de €2, e estavam ótimas. Fui mastigando e andando, mastigando e andando, até voltar à famosa praça fechada cujos seguranças velhos não deixam você beber nada. Até que eu comecei a pensar em desistir do passei, pois já havia visto tudo, tirado foto de tudo e estava cansado… Foi quando percebi que eu não estava na Galleria degli Uffizi, e sim em uma praça em frente à verdadeira Galleria.

Claro que quando eu percebi isso já havia passado a hora de encontrar o grupo que faria esse passeio por dentro da Galeria. Sinceramente? Não me importei. O local abriga grandes obras, mais pinturas do que estátuas, e tudo é lindo e maravilhoso, e não precisava ter uma excursão com uma pessoa falando sobre cada quadro (geralmente uma pessoa velha, com um ritmo lento e de carisma não tão calorosa).

Aproveitei bastante andando sozinho pela Galeria.

Saindo de lá, ainda comprei algumas coisas, tanto para mim quanto presentes para algumas pessoas (tanto minha família quanto alguns amigos em específico). Foram os melhores presentes que eu comprei, e eles foram caros, portanto faço questão que apreciem cada milímetro dele.

Tomei um sorvete de limão (novo vício sazonal) e estava procurando pela igreja, imensa, que fica perto da estação central de trem (não sei o nome, não sou culto, me deixem em paz). Parei em uma esquina e fiquei olhando, procurando a abóboda da igreja (que dá para ver de um certo ponto de tão grande e detalhada) – ou qual seja o nome verdadeiro – quando ouço uma conversa em português… do Brasil!

Alegria nacional.

Perguntei para o cara onde ficava a tal igreja imensa. Ele me indicou, fui lá e tirei minhas fotos, e a essa hora o tempo estava começando a fechar para formar uma chuva, então precisei ser rápido e até desisti de voltar a pé (considerando que estava andando desde às 14h) e comer uma pizza (que provavelmente deveria ter o tamanho de um cordeiro).

De volta ao hotel, quarto arrumado (e eu ainda estou para testar o serviço de lavanderia do hotel), presentes guardados, estou com uma vontade absurdamente grande de comer hamburger, mas nada de McDonalds, e sim um sem marca, tipo o que vende aqui no hotel, que é caro mas valerá pela vontade.

Desconsidero os petiscos durante o dia e considero o hamburger minha única refeição no dia, o que é ótimo para quem quer perder peso e ao mesmo tempo experimentar as iguarias locais.

Tinha planos de ir à Pisa amanhã, de trem, mas isso significaria perder um dia de trem de meu bilhete já programado para me locomover entre todas as cidades que vou ficar. Isso significa que amanhã eu continuarei por aqui, darei mais voltas nas ruas, procurarei algo novo para conhecer (um concerto, outro museu etc.) e farei uma loucura: no dia em que eu precisar ir para Roma, antes, irei passar em Pisa.

Por quê?

Pois em Pisa será muito rápido pois irei apenas visitar e fotografar a torre, e depois voltar para a estação de trem e, no mesmo dia, partirei para Roma. O bom desses bilhetes de trem é que eles são válidos durante o dia todo, por isso minha idéia irá funcionar dessa maneira, sem eu gastar nenhum dia (e nem perder dia de checkin ou checkout nos hotéis).

Agora me dêem licença que eu irei comer meu hamburger.

26ago (Veneza – Florença)

9h30, tudo organizado, nada para trás, checkout completo, andei até a estação central (que agora pareceu muito mais rápido) e peguei o trem para Florença, sem dúvidas ou incertezas: direto ao ponto.

Achei a segunda classe, sem pestanejar, e logo peguei meu assento, um tipo que não tem nenhum outro ao redor, perto do assento de gestantes, ao lado da porta e dos banheiros. A segunda classe desse trem é melhor que a econômica do avião… tudo bem, não é melhor, mas chega perto.

Vi que os assentos eram enumerados, o que foi estranho (bom demais para ser verdade) mas continuei onde estava, até aparecer uma mulher (mais ou menos da minha idade) com seu bilhete na mão apontando para o número do meu assento. Scusi, sorri, me levantei e parti para outro assento.

Veio o funcionário conferir os bilhetes e na minha vez ele disse que aquele trem era o do tipo onde as pessoas reservam os assentos, e que isso custa(ria) €18. Paguei (teria que pagar de qualquer maneira, antes ou aquela hora) e continuei minha viagem, mais de uma hora.

Viagem tranqüila, exceto pelos inúmeros avisos sobre o restaurante entre a primeira e a segunda classe (pior que as chamadas da C&A, que interrompem a música ambiente e falam algo como C4-22 ou algum código entre funcionários) e uma criança que ficava abrindo e fechando a porta entre vagões: o primeiro problema o iPhone camuflou com as músicas, e o segundo o pai da criança deu uns safanões que a fizeram maneirar (mas não parou).

FLORENÇA

Tentei achar algum abençoado sinal gratuito wi-fi pela estação, mas nada. Aquele papo de wi-fi grátis em aeroporto e estações de trem é um papo furado do cacete: já passei por 3 aeroportos e 4 estações de trem, e nada de sinal. Quando você acha um sinal, ele conecta e mostra que o sinal está 100% você fica feliz e pulando de alegria com o notebook e o iPhone na mão, mas na hora de usar, ele automaticamente abre a página de login e senha do provedor.

Mimimimi é de graça, conecta aê…hááááá, pegadinha do Mallandro.

(engraçado foi o corretor ortográfico do Office querendo corrigir iphone para Ivone; sim, eu carrego uma Ivone em meu bolso, e espetando o plug do fone em seu traseiro ela canta qualquer música que eu queira).

Peguei um táxi para o Grand Hotel Mediterraneo (€9), e esperei alguns minutos pelo meu quarto pois havia chegado uns minutos antes do horário de fazer o checkin (pelo menos cheguei no dia certo). O hotel é lindo, enorme, confortável, e perto da área comercial de Florença, o que é extremamente válido. O ponto ruim é que tudo que eu quero visitar (como por exemplo a Torre de Piza) fica extremamente longe (mais de duas horas de caminhada). Quero visitar, também, o Teatro del Silenzio, do Andrea Bocelli, que é absurdamente fantástico, mas este fica longe de qualquer ponto na face da Terra.

Outro motivo de minha alegria: a privada e o box para banho são áreas distintas! E tem exaustor, o que significa que ao usar o banheiro e sair, quando você volta não está aquele ar quente e parado de lugar que não tem ventilação, este banheiro estará sempre na temperatura que eu regular.

A cama, novamente, king size, e os corredores são imensos, dignos de uma segunda versão de minha poderosa cambalhota.

Saí para um bom passeio. (Quase) sem rumo algum (tentava voltar para a estação de trem, mas era longe e não sabia como) olhando as ruas, as pessoas, o comércio (quase todos fechados). Tirei algumas fotos, algumas são apenas nuvens que se encontravam lindas junto com o sol, vontade que surgiu por dirigir na Rodovia Castello Branco e reparar nas nuvens de alguns dias.

Um homem veio me pedir informação, parecia ser turista tanto pela aparência quanto pela informação pedida (onde ficava a estação de trem). Nesta hora, eu fiz minha primeira comédia internacional (sem intenção de fazer). Segue o diálogo, a partir da minha fala:

- Scusi, parla englese?
- Yes.
- Good. Well…i don’t know.

E eu dei uma risada, sabe quando você e a pessoa estão na mesma situação, e quando isso é perceptível as duas riem juntas? É comum acontecer entre meus amigos, familiares etc. Já este turista não aceitou muito bem a risada, agradeceu olhando para baixo um pouco sem graça (e um pouco enfezado de não ter tido a informação) e saiu andando.

Valeu.

Teve um ponto onde percebi que estava ficando longe para alguém que desconhece totalmente a cidade, então voltei e, passando por um restaurante, resolvi entrar e tentar um prato: risoto ai funghi. Este prato nós  fazemos lá em casa, no grande réchaud elétrico, arroz especial italiano e os cogumelos (e fica animal), então minha experiência seria provar uma receita que, por ser daqui, suponha-se ser original.

O restaurante estava acabando de ser limpo, com quase todas as cadeiras empilhadas, e o dono do local por bênção de Deus falava em inglês e parecia ser, apesar de contido, simpático (ou pelo menos intento a).

Chegou o meu prato (e tenho foto dele no Flickr), e ele estava de bom para muito bom. Não digo que estava totalmente muito bom por alguns pontos: pedaços imensos de cogumelos (serviam para fazer um sanduíche) e muito azeite (ou óleo – acho que estava mais para óleo); Então você olhava os cantos do prato (era fundo e quadrado, com cantos arredondados) e via aquela piscina verde translúcida e eu pensei instintivamente então é isso que vai para minha barriga e meu coração.

O ponto bom, que creio ter equilibrado a refeição, foi a porção de pão servida antes. Parecia ser pão italiano (casca dura, miolo mole) se não fosse pela isenção total de sal, que não se tornou um problema quando eu coloquei os nacos parrudos do funghi.

Elogiei a comida dele, com sinceridade, e isto é algo bom a se fazer em um restaurante, até mesmo quando você é o turista que não fala o idioma local e ele se esforça para falar contigo. Paguei (€10 que valeram a pena) e continuei a volta para o hotel, até ver uma loja de sorvete de iogurte (isso é uma opção bem light conhecida como frozen yogurt) e pedi um com nutella (que estava diluído em algum creme bem raso e líquido) e coco ralado (uma colher individual de sopa, para ser exato).

Voltei para o hotel e pedi informação sobre o uso da internet, que fica um pouco 4x mais caro que em Veneza, o que não significa um drama. Por esta razão eu irei usar hoje apenas, o resto fica para depois, em um hotel que não cobre a ponte aorta por um pífio sinal.

De volta ao quarto eu resolvi arrancar a roupa e cultivar meu destemido sono da tarde (que irá terminar quando eu voltar a trabalhar), e acordei por volta das 21h.

As ruas de Florença me lembram muito as de Milão por causa da tranqüilidade, estou pensando se devo dar uma volta agora à noite e ver qual é que é, apesar de estar distante do centro comercial e movimentado da cidade.

Amanhã tenho passeio para a Galleria degli Uffizi, que abriga obras de Michelangelo, Leonardo da Vinci, Botticelli, entre outros. Sendo assim, hoje será um dia oportuno para utilizar a internet, pois preciso ver com exatidão onde fica, e planejar a visita à Torre de Pisa e, quem sabe, ao Teatro del Silenzio. Também tenho vontade de conhecer alguma(s) vinícula(s), que provavelmente devem ficar bem longe daqui.

Mimimimimi você usa a internet enquanto está viajando.

Uso a partir das 22h, quando já não tenho muita opção (ou nenhuma) do que fazer, e ficar andando na rua até tarde, considerando que não conheço nada da região, não significa uma das opções mais seguras. Uso a princípio para me comunicar com minha família, e enquanto faço isso aproveito para postar e subir as fotos da viagem (o que significa, também, atualizar minha família). O tempo que sobra eu converso com quem estiver online, vejo algumas notícias e faço alguma pesquisa relevante.

Preciso usar fantoches para explicar isso?

Mimi…mimi…

É. Mimi demais a meu respeito.


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