Como um bom e inteligente rapaz, eu fui dormir tarde mesmo me planejando para levantar às 6h30 para que eu pudesse utilizar o mesmo dia de passe de trem para Roma e visitar Pisa, mais precisamente a Torre de Pisa.
Ontem à noite (hoje de madrugada) aproveitei ao máximo o meu momento de inteligência, que foi planejar os trens de acordo com o manual da EuRail que recebi da agência de viagens, com detalhes como hora de saída, chegada, estação, se precisa ou não de reserva, se tem cabine fechada, ar condicionado, se é de alta velocidade, e tudo quando é tipo de informação.
Checkout. Estação de trem. Bilheteria para validar o ticket (apesar de já ter usado ele desde o começo da viagem) e o atendente começou a falar tudo que eu não poderia entender (em italiano), apontando para o ticket, fazendo umas expressões que eu entendi como um infortúnio. Então ele se levanta, vai até o canto da sala, volta e me entrega o ticket com o carimbo de validação.
Ufa.
PISA
Sim, a torre está torta, e a cada ano (ou algum período já calculado) ela entorta mais, mas existem profissionais procurando sustentá-la (mesmo que torta, agora que se tornou sua principal característica turística).
De Pisa, peguei outro trem para Roma que previa mais ou menos 3 horas de viagem. Entrei em um dos vagões do trem, e ele era dividido por cabines, como eu apenas conhecia nos filmes, com a porta de vidro e os bancos voltados um para o outro. Ingenuamente achei que alguma daquelas cabines seria onde eu iria passar o resto da viagem.
Não.
Três vagões depois eu chego na área onde é normal: cadeiras, fileiras e tudo como eu tenho visto desde então, e quando eu digo “chego” significa “andar com mochila nas costas e outra de alça, puxando pela mão por um corredor que tinha gente sentada e não lhe permitia se locomover”), acho meu lugar e sento lá.
A viagem vai demorar, vou dormir.
Dormi. Acordei. Dormi. Acordei, olhei para as pessoas. Dormi. Acordei, olhei as mesmas pessoas, olhei pela janela. Fechei os olhos, mas não dormi. Abri os olhos, olhei pela janela (que estava imunda). Dormi. E assim por diante, enquanto os minutos se arrastavam e eu achava que estava chegando.
ROMA
Andei, comi uma fatia de pizza, procurei um taxi, e o primeiro que achei me indicou o caminho apontando a direção secamente (como se um turista fosse fazer bom proveito de meia informação). Disse que bastava cruzar a estação por dentro que já seria do outro lado.
Errado.
Procurei outro taxi, que ao invés de me levar até onde queria me ensinou como chegar ao hotel a pé, mas foi em italiano, e rápido, o que não me ajudou até outro taxista arriscar inglês e repetir as informações.
Não achei.
Andei bastante, e foi difícil achar o endereço do hotel com ruas sem placas com seus respectivos nomes, e ao procurar outro taxi (tentando realmente usar o serviço de taxi), este me diz que cobraria €50 + taxa de baagem. Neste momento me vieram alguns palavrões que não falo há anos na cabeça.
Fui-me de lá.
Andei.
Andei.
Andei.
Pedi arrego, achei um taxi que realmente me levasse ao local, e me custou apenas €5 (como em qualquer outra cidade ou situação que passei na Itália que precisasse de taxi).
O detalhe que potencializou minha frustração (e irritação) foi um calor em torno de 40º, eu usando calça jeans (apesar de fina e leve, é calça), com uma mochila pesada nas costas (o que significa que estava colada nas costas – abafando e me deixando encharcado) e puxando uma mala de alça pela outra mão. Eu não suava, mas sim escorria suor de tanto calor e esforço em andar, subir e descer ruas.
Chegando no hotel, guardei joguei minhas coisas com cuidado pois estava com pressa para tomar um banho e sentir a sensação de limpeza no corpo.
Internet de graça, que significa compensar o abuso cobrado em Florença, e o que não significa que ficarei mais tempo: mesmo não precisando dar satisfações, o principal e original motivo é falar com minha família.
Perguntei pela lavanderia do hotel, e o recepcionista disse que é muito caro, que seria melhor se eu fosse nas lavanderias das redondezas (são uma ou duas quadras no máximo – perto) que sairia muito mais barato.
Obrigado pela sinceridade.
Em 5 dias eu terei dois passeios programados desde o Brasil: visitar o Coliseu à noite (iluminado), e visitar o Vaticano. Não lembro dos detalhes de cada passeio, tudo isso está nos vouchers atrás de mim, em minha cama, que estou com preguiça de pegar agora só para reescrever aqui, então deixarei os detalhes para as outras postagens.
Muitos me deram conselhos de segurança na Itália, especificamente Veneza e Roma. A primeira cidade realmente não tem uma cara boa quando você passeia pelas ruas, principalmente à noite (mesmo com movimentação e alguns restaurantes funcionando), e Roma agora tem essa sensação elevada a décima potência.
A impressão é de estar no centro de São Paulo: muito movimentado, muitos comércios de tudo quanto é tipo, muita gente de tudo quanto é tipo, muitos carros, poluição sonora, eu vi até um cara caído no chão em uma poça de sangue tossida no meio da estação de trem.
Irei continuar com meus costumes: de dia, passeios, fotografia, sorvetes, sol, água, e de noite irei escrever para minha família, escrever sobre o meu dia no blog (que é um complemento do e-mail para a família, mas aberto para todos), subir as fotos tiradas no dia (que também é um complemento do e-mail para a família) e aproveitar o tempo que tenho disponível de internet para fazer outras coisas, como resolver assuntos financeiros, falar com meu irmão, ver notícias e assuntos de meu interesse.
Ciao.









