Textos categorizados 'criação'

Photoshop: você realmente conhece?

Em minha primeira entrevista de emprego (Americanas.com – estágio para recortar os produtos que entrariam no portal de vendas da empresa), havia colocado experiência avançada em Photoshop (na época, eu mal sabia recortar um elemento usando path, e a pessoa que me entrevistou para a vaga me deu uma dica que eu nunca mais esquecerei:

Nunca coloque nível de experiência dos softwares, principalmente de Photoshop, pois nem mesmo os próprios programadores da Adobe são conhecedores de todas as possibilidades do software.

Depois de mais umas entrevistas em outros lugares, entrei na Basics (estágio em web) e de lá parti para a Soap! (agência de apresentações), onde eu realmente desenvolvi minha carreira na área de criação (largando, eternamente, a programação, os códigos e tudo que faz parte de Exatas). Nesta última agência, então, cheguei a indicar umas 15 pessoas, tendo por volta de 90% de contratação delas (que, hoje em dia, ainda continuam lá, crescendo cada vez mais) – por isso ganhei mais um apelido: Senhor RH.

Por isso, eu recebia milhares de currículos e portfolios, e eu comecei a reparar que a maioria ainda se auto-avalia na parte dos softwares: avançado, heavy-user, e outros termos que colocam a pessoa no patamar absoluto da criação, mas era só abrir o portfolio e ver que, na realidade, a pessoa mal tinha domínio de efeitos, filtros e outras coisas básicas.

Voltando àquela citação que aprendi, sabe porque é verdade? O Adobe Photoshop é uma ferramenta imensamente completa (e olha que cada versão a Adobe aprimora mais ainda – mesmo quando você acha que chegou no limite), e cada comando dele se combina com outro, oferece diversas configurações independentes, que se combinam com outras – você tem idéia da infinidade de resultados que você pode alcançar usando apenas o Photoshop?

Quando você olha um trabalho maravilhoso, você já acha que a pessoa tem um nível avançado de Photoshop, e não necessariamente ela tem: geralmente é conhecer, profundamente, algumas ferramentas, e utilizá-las ao máximo do que elas oferecem, conta mais do que saber de tudo um pouco.

Acima de tudo isso, existe uma diferença crucial: talento. Photoshop não resolver a idéia para você, tampouco um problema de diagramação, combinação de cor, conceito envolvido na criação etc. Ele é uma ferramenta. Como um artista plástico: você tem diversos pincéis (com diversos tamanhos e materiais de cabo e cerdas), tintas, solventes, telas e outras coisas para serem aplicadas na tela, mas você não pode colocar tudo em um grande liquidificador, bater, e esperar sair uma obra-prima.

Ahn, também, ele fez tudo no computador.

Essa frase acima é, geralmente, de gente velha, old school, que se recusou a conhecer o computador e ainda acha que a única maneira de se produzir um editorial é utilizando os blocos de tipografia, recortando e colando as matérias e diagramando na unha em uma mesa de luz. Isso não significa cuspir no prato que comeu, mas significa valorizar o prato que está por vir na próxima refeição.

Há o caso onde a pessoa fala tenho 7 anos de experiência em Photoshop, e a pergunta que quebra as pernas é: Você passou 7 anos aprimorando e conhecendo técnicas de criação OU passou 7 anos repetindo a mesma fórmula?

Ouch.

Existe muita gente arrogante pedindo trabalho: mandam currículo com nível avançado (not), e quando você pede o portfolio, tudo o que vê é trabalho simples que não condiz em nada com o descrito teoricamente.

Falta senso. Tato. Consideração. Conhecimento.

Meu nível? Certamente é básico, mas eu tiro cada gota do básico e ofereço o melhor de tudo que conheço dentro da ferramenta: cada um me avalia de um jeito, há quem goste, quem adore, e quem beije meus pés (mesmo eu sentindo cócegas), mas a realidade é: você NÃO É avançado em Photoshop.

Sim, existem pessoas avançadas em Photoshop, provavelmente são pessoas desconhecidas, que apenas amam o que fazem, ao invés de buscar glória dos outros, se exibindo como um pavão: faz o seu trabalho, tem seu reconhecimento ao seu tempo, e continua.

Eu não conheço Photoshop, tampouco você.

Cotidiano Criativo

Poderia escrever uma redação digna de aparecer nas principais veiculações, falando sobre a carapuça no mundo corporativo, assim como seus detalhes durante o processo de trabalho, sejam eles internos ou externos.

Não contente com isso, poderia citar também os diversos exemplos de pedidos anormais que recebemos de quem atendemos, geralmente por ingenuidade na área (e isso é legítimo, como salvar a imagem GIF dentro do arquivo EPS e achar que a extensão faz mágica), alguns devido à um duro e mimado posicionamento de “eu quero, você que se vire”, independente se é possível físico, humano ou emocionalmente.

Sem contar, também, os inúmeros altos e baixos que acontecem durante um trabalho (com empregados, colegas de trabalho ou clientes), que te fazem perder horas de trabalho, sacrificar finais de semana, compromissos com a família, namorada ou amigos (ou pessoais mesmos – quem ainda recrimina o sujeito que escolhe dormir depois do almoço?), tudo para atender diversos objetivos: mostrar um bom trabalho, conquistar o cliente, ser reconhecido no mercado.

Eu sou o único que engordou depois de começar a trabalhar freneticamente, esticando diversas noites, perdendo sono (que, aliás, é uma das chaves que contribui para o emagrecimento), comendo o que é mais fácil, prático e rápido (pizza, hamburger, fritura, comida chinesa etc.) e assumindo uma aparência cada vez mais pálida por trocar o dia pela noite, com olheiras tão fundas que invejaria qualquer Ray-Ban?

Tenho muita coisa para falar sobre o quanto é cansativo trabalhar na área, mas eu quero motivar e falar do quanto eu amo trabalhar na área, de trabalhar com o que gosto e sinto prazer: desenvolver bons trabalhos, ter idéias, que em alguns momentos explodem tudo ao mesmo tempo ou somem sem deixar rastro para persegui-las de volta, viver aquela inconstância gostosa da criatividade, algo como o personagem House, quando descobre a cura de uma patologia, que surge de repente e salva o dia, o trabalho, o cliente, os colegas de trabalho de virarem mais uma noite e, todos juntos, poderem sair juntos, compartilhar algo de lazer juntos.

Quando o cliente agradece, ou quando chacoalha a sua mão repetindo diversos elogios que te fazem se sentir maior do que ele (mesmo ele sendo presidente de uma empresa que ganha 10x por mês o que você ganha em 10 anos), você sente que as horas de sono que você perdeu, alguns compromissos e diversos cafés e energéticos valeram a pena.

Ao receber a ligação de um cliente, pedindo pelo seu trabalho por recomendação de outro, e você vê que seu esforço está resultando em uma corrente de indicação, de reconhecimento, de exposição, e você por um segundo para e pensa que, há um certo tempo atrás, você mal imaginava que tudo isso fosse acontecer justamente com você.

Existem vezes que um cliente, um funcionário ou alguém de fora possa não reconhecer tudo isso, ou não dar o merecimento que seu esforço poderia receber, e isso pode destruir o seu dia em um segundo: toda aquela motivação de trabalhar com o que gosta fica abalado, como uma pessoa com frio fugindo da chuva: você se encolhe dentro de você, e demora para soltar a criatividade de novo, de se expor, de ser extrovertido nas idéias e participações. Mas não pode ser assim: elogios e reclamações irão surgir em alguns momentos, e lidar com eles é necessário para manter sua saúde criativa que, aliás, precisa trabalhar também para, justamente, achar a melhor maneira de lidar com as reclamações mais inconvenientes que você possa receber.

Receber elogios é fácil, mas manter o compasso e ritmo de trabalho depois de uma boa descascada não costuma ser algo que todos exercitam com facilidade: canecas são castigadas, lixeiras recebem tiro de meta, pessoas são ofendidas, magoadas, telefones viram martelo de ferreiro, e são desligados com a mesma força que estão suas emoções: fortes, impulsivas, agitadas, excitadas como átomos em colisão.

Explosão.

Use essa explosão para sua criatividade. Aprenda que há momentos que devemos relevar o que é falado para nós, analisar com paciência e foco e não deixar que sua criatividade seja abalada: ela move a sua profissão, alimenta o seu trabalho e satisfaz suas expectativas. Aliás, as suas e as de quem você presta serviço.

Usar filtro solar?

Eu uso a minha criatividade, e essa é a minha história.


Agenda

maio 2012
D S T Q Q S S
« mar    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Arquivos

Twitter

  • Ser famosa pela bunda deve ser tão frustrante. O dia que tenta fazer algo legal não ganha atenção, já pedem para tirar a roupa. Triste, não? 33 minutes ago
  • Estou em MonkeyBusiness (São Paulo, SP) 4sq.com/LXUIAW 39 minutes ago
  • Ouvindo ópera na Cultura FM 58 minutes ago
  • Vontade de ofender no transito, mas não quero (mais) causar discórdia na vida 1 hour ago
  • Policial à paisana, no transito, sempre assusta: de Gol quadrado filmado e rebaixado até novo Passat, já vi de tudo. 1 hour ago

Flickr Photos

De volta, @benny68, quem manda fazer restaurante perto de onde eu trabalho? Baterei ponto aqui.



Vision

Cookies c/ sorvete

Amor e bobeiras em P/B

Preparando minha janta de gordo

Gajar Halav #instafood #vidadoce (agora uma foto mais bonita)

Gajar Halav #instafood #vidadoce

Sanduba maluco dos cavalos

Ring of Fire

More Photos

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.