Promiscuidade Publicitária Infantil

Bons tempos aqueles (e olha que eu nasci em 84) em que as propagandas envolvendo crianças eram simples, sutis, admiráveis, suaves, delicadas e respeitosas. Porventura encontrei uma revista da Turma da Mônica aqui em casa, e eu vi justamente na quarta-capa uma propaganda de roupa infantil.

Texto: Somente para meninas comportadas.
Imagem: Uma menina, com roupa estilo Maísa (na época era o auge fashion – só na época, viu Sra-estilista-da-Maísa?), pintando uma parede com desenhos de árvores, flores, montanhas etc.

O vestido da menina estava comportado, assim como todo o resto da roupa (sem fendas, nada justo, tudo bem distribuído naquele corpo diminuto), e a composição em si não faz nenhuma alusão à nada ambíguo.

Esse era o estilo de propaganda com crianças que, com certeza, era um reflexo do conteúdo exposto nas mídias: o que passasse disso era moderno ou provocante demais. Diferente dessa época, faz muito tempo que as crianças estão se deturpando (e não por iniciativa diretamente delas, afinal a maioria tem pai e mãe para ensinar o que é certo) com milhares de coisas que vão surgindo no mercado.

Alguém aqui já se indignou em ver uma criança de 8 anos, usando shortinho colado e minitop dançando A Boquinha da Garrafa em todos os programas da televisão? Ou então interferirem na moda infantil, criando roupas que cada vez mais expõe a criança, só para tentar aproximá-la de uma aparência adulta?

Olhando essa propaganda antiga de moda infantil, com a singela criança em roupas largas, pintando um sol e uma árvore na parede, me fez voltar a ficar indignado e, sim, chateado, em ver que cada vez mais é “moda” a criança se parecer com o adulto.

Pior ainda foi saber que crianças dançam Reggaeton, com toda a família apoiando. Não recomendo a ninguém ver qualquer material desse tipo, de verdade, é repugnante ver como expõe os próprios filhos a tais obscenidades.

Pior é quando a criança cresce, tarando até o buraco da fechadura, ou se vestindo como uma prostituta, e arrumam problema: ou pega a amiguinha de jeito (como o caso dos adolescentes de 13 anos que filmaram uma menina fazendo sexo oral) ou então vira alvo de pedófilo. Em tempo: não há justificativa alguma para esse crime, porém convenhamos que quem dá motivo pra um louco tarar sua filha de minishorts aos 10 anos precisa rever suas idéias e conceitos de educação.

Então, com dor de cabeça e incômodo na consciência, eu falo o seguinte: cuidem de seus filhos.

Cuidem das crianças.

Respeitem as crianças.

Sabe aquele papo de que as crianças são o futuro? Pensa que você pode fazer sua parte e investir em educação, ou no mínimo respeito. Se a criança crescer e escolher outros caminhos, é direito dela de exercer sua liberdade de expressão, mas ao menos sua consciência poderá se isentar de culpa, tanto contigo quanto com a sociedade.

Sinceramente.

TEDXSP + Monkey Business

tedxsp

É com grande alegria que posto (atrasado, mas melhor do que nunca) que a Monkey Business tornou-se apoiadora do evento TEDx São Paulo (www.tedxsaopaulo.com.br).

O TED começou nos Estados Unidos em 1984, como uma reunião de profissionais das áreas de Tecnologia, Entretenimento e Design (cujas iniciais deram nome ao encontro). A conferência logo se expandiu para outras áreas e passou a atrair não só ícones globais como talentos desconhecidos. Para todos, o desafio é o mesmo: inspirar as pessoas com uma palestra de até 18 minutos.

Já passaram pelos palcos do TED personagens como Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA e ganhador do prêmio Nobel; o cantor Bono Vox; o designer Phillipe Starck – todos contando sobre as suas paixões. Entre os brasileiros, estão o artista plástico Vik Muniz, o ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner e, mais recentemente, a geneticista Juliana Ferreira.

A primeira edição do TEDx no Brasil está sendo organizada sob rigorosos critérios do TED norte-americano. O primeiro passo para obter a almejada licença é ser membro da comunidade internacional do TED, seja pela participação como palestrante, platéia, doador ou patrono.

Agradeço ao Helder Araújo, pela bela iniciativa e força de trazer este evento para nós (o primeiro de muitos), a Lívia Ascava, nossa simpática amiga e parceira já que nos concedeu a reunião e companhia de um belo café americano e a toda equipe que está suando e ralando para oferecer um evento que todos são apaixonados e ansiosos para participar.

Nós da Monkey Business iremos tuitar ao vivo do evento, para que você possa acompanhar junto conosco todos os detalhes sobre o evento. Teremos mais novidades, mas isso ficará para outra postagem.

Para conhecer mais:
TED (www.ted.com)
TEDx São Paulo (www.tedxsaopaulo.com.br)
Monkey Business (www.monkeybusiness.com.br)

@tedxsp
@mkbusiness

Mudança de Casa

“Alexandre Franzolim não é mais o Líder de Projeto da SOAP. Depois de 3 anos, ele se associa ao irmão, Marco Franzolim (diretor de criação), na Monkey Business, como diretor de arte, e ao Gustavo de Britto (diretor de atendimento). – http://www.adonline.com.br

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“Alexandre Franzolim não é mais o Líder de Projeto da SOAP. Depois de três anos, ele se associa ao irmão, Marco Franzolim (diretor de criação), na Monkey Business, onde passa a atuar como diretor de arte.

A agência tem ainda como sócio Gustavo de Britto (diretor de atendimento). A Monkey já atendeu clientes como Serasa, Warner, Avaya, Telefônica, Abril, Aines, entre outros.” – http://www.adnews.com.br

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“O designer Alexandre Franzolim anuncia sua saída da agência SOAP, especializada em apresentações em Powerpoint, depois de três anos.

Franzolim se associa ao irmão, Marco Franzolim (diretor de criação), na Monkey Business – agência que também é especializada em apresentações em Powerpoint – onde passa a atuar como diretor de arte. A agência tem ainda como sócio Gustavo de Britto (diretor de atendimento).

A Monkey já atendeu clientes como Serasa, Warner, Avaya, Telefônica, Abril, Aines, entre outros.” – http://portalimprensa.uol.com.br

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O mercado mostrou sua grandiosidade, e o bolo que antes era só do aniversariante agora será dividido com todos. Muito tempo passou quando eu comecei a trabalhar na área de apresentações, desenvolvendo diversos trabalhos para clientes de todas as áreas: financeiras, agências, estúdios, convenções, eventos, entretenimento, governo, e muitas outras.

Agora tenho a oportunidade de, junto ao meu irmão e ao Gustavo, tocar nossa própria agência, com um modelo diferente de trabalho e buscando sempre novas referências e posicionamento. Então, é com muito orgulho que apresento a Monkey Business.

Desde o meu primeiro dia por aqui eu tenho trabalhado bastante, já tivemos inúmeras horas extras e finais de semana reservados para atender nossos clientes e garantir cada trabalho realizado. E realizados com sucesso. Sem contar os inúmeros contatos com novos (e conhecidos) clientes, aquela correria de participar de reuniões, briefing, planejamento, roteiro, criação (a melhor parte – para mim, que faço parte dela) e finalmente a entrega do produto final.

Também estou reformulando o site e mais um monte de novidades que chegarão em breve para vocês, que gostam do meu trabalho, e para aqueles que se simpatizam com a Monkey.

Sucesso, nós chegaremos lá (e seremos milionários, bonitos e na moda).

Atchô! (porque Atchim é marca registrada da Disney do Brasil)

Estava escrevendo uma grande história sobre minha gripe, mas vou utilizar a arte de resumir (a mesma que usavam para resumir os livros do colégio e que me fizeram tirar notas abaixo de cinco).

Meu amigo com gripe – meu carro com janelas fechadas – eu gripado – hospital (para atestado médico e verificar a gripe) – máscara da gripe – diagnóstico: saúde forte, gripe comum, licença médica de sete dias – recuperação 90% logo no dia seguinte – atualmente com um pequeno resfriado e só.

Alguns pontos:

- gripe comum, não suína: estou cortando o bacon atualmente
- me sinto bem, estou bem, apesar de minha vó me olhar como se eu fosse morrer mesmo quando eu falo estou ótimo, vó!
- eu não costumo ficar doente, isso acontece uma ou duas vezes por ano no máximo: agora não lembro se essa é a primeira ou a segunda

Quando você está usando a máscara da gripe, as pessoas te olham como se você fosse o responsável pelas mortes do mundo todo, mas essa sensação passa um segundo depois que você começa a se entreter com a máscara, pensando em estampas e desenhos para se fazer nela.

Não, não estou usando máscara, só usei no hospital até ter o diagnóstico completo. Fim.

5set (Nápoles-Madrid-São Paulo)

Levantar cedo em situações emergenciais têm sido uma proeza para mim, ainda mais quando eu me programo para levantar cedo e vejo que faltam ainda quase duas horas para o translado do hotel ao aeroporto acontecer. Então eu bebo água, confiro tudo no quarto, na mala, fico olhando a rua na janela, olho o quarto novamente (pensando o quanto é feio – apesar de ter me servido por duas noites), beber mais água (e enjoar do gosto dela – mimimi água não tem gosto mimimi tem sim), comer um Mentos (havia parado com esse vício, comprei um faz pouco tempo e realmente o gosto já me enjoou), e fazer o checkout.

Momentos depois, no hall do hotel, vem um cara perguntando pelo meu nome, confirmo que sou eu, ele me ajuda com a mala, entro em uma van da Mercedes e vamos para o aeroporto.

No voucher dizia que ele só falava o idioma local (italiano), mas ele começou a puxar papo comigo em inglês, e nessas horas a gente fica feliz por ter pessoas que falam mais de um idioma, mesmo que tropeçando em algumas palavras (esse seria eu).

Sempre falam a frase brazilian woman are beautiful e eu fico pensando se eles algum dia irão aprender alguma coisa nova. Falando como homem agora, e heterossexual, tem mulher linda em qualquer canto do mundo. Sabiam que Charlize Teron é africana? Aprendam.

Cheguei ao aeroporto, despachei minha mala, e a espada romana despachei em outro local. O que estranhei foi que eles não entenderam quando eu falei sword, ficaram olhando para mim com cara de dúvida, e eu tive que fazer algum gesto babaca tipo empunhando uma espada ou falar que era like a big knife.

Falei essa frase para a moça da bagagem e para o cara que despacha coisas estranhas.

Tudo certo, peguei meu vôo para cá, e na hora de entrar na área dos portões, o cara que olha o passaporte virou e falou em alto e bom português brasileiro han? Eu morava na Bahia, que tudo dê certo.

Encontrar um brasileiro, e simpático, que venha até você no meio daquela multidão de italiano, espanhol, alemão, finlandês e sabe-se-lá quais outras partes do mundo estavam ao meu lado, e fale algo bacana assim, mesmo simples, te faz ganhar o dia.

Se não o dia, pelo menos aquele minuto.

Passei pelo detector de metal, e pediram que abrisse minha mochila pois eu tinha um desodorante spray com mais de 100ml permitidos pela legislação internacional de segurança. O segurança gentilmente me explicou brevemente que não poderia, se havia problema em eu deixar o desodorante para trás, o que não foi incômodo algum (pelo menos doei um desodorante para os funcionários, para aqueles dias de calor, sabe?).

Peguei um assento na janela, e ao meu lado não sentou ninguém, o que significa que minha mochila ganhou um lugar especial, enquanto eu olhava a paisagem, esperando o avião decolar e sentir, novamente, aquela sensação de cacete, essa pitomba está voando.

Depois dessa sensação, na ordem, houveram outras: que incrível ver as nuvens a essa distância; puxa, ele voa bem acima das nuvens, havia esquecido; em um acidente, é melhor cair no mar ou na terra?; Google Maps!; Achei que fosse turbulência, mas sempre que o avião desce para um nível abaixo das nuvens dá essa tremidinha sussa; Quanto terreno sem mato; Vamos pousar, ele já embicou a frente no chão; Ahn me enganei, agora sim ele embicou.

MADRID

Descemos, eu fui procurar o meu amado Starbucks para tirar o atraso de um bom Dark Mocha e, como não achei salgado para comer, comi um donut de chocolate, que era incrivelmente leve, pois a massa de dentro da casca de chocolate não era de chocolate, era porosa e suave.

Depois comi um hambúrguer em um restaurante com nome engraçado, algo como Henry J. Jack But his friends all call him Hank (sim, esse nome inteiro). Não achei o lanche muito bom, pela banca que o restaurante coloca parecia que iria oferecer comida melhor.

Fiquei dando algumas voltas por aqui, olhando as lojas, desejando algumas coisas, e comprei três coisas: uma bolsa da Timberland, daquelas pequenas que está na moda e é ótima para levar carteira, celular, documento do carro e miudezas, o que me fará dispensar a mochila cheia de tranqueira e aliviar minhas costas (que estão ótimas), um perfume (One Million – Pacco Rabanne) para mim e outro para minha mãe (Kenzo Power). Nessa leva de compras eu gastei quase todo o resto dos euros que eu havia reservado para…momentos como esse.

Ainda sobrou bastante, considerando que não vou sair da área de embarque, o que significa que ainda consigo jantar e comprar tranqueiras para comer, o que não vou fazer, pois de tarde tive uma bela de uma caganeira.

Sim, leitores: caganeira. O Blog é meu e eu compartilho o que eu quiser, e a caganeira está em pauta, agora irei falar que minha caganeira me fez descansar sentado por um bom tempo, mas passou e eu pude continuar andando. Agora vou parar de falar da minha caganeira e falar dos fatos posteriores.

Bando de frescos.

Aqui tem uma lanhouse e eu comprei uma hora para usar a internet em meu notebook, o que foi bom para colocar o restante das fotos de Nápoles, as duas postagens atrasadas (vai lá Martinha, lendo e comentando, lendo e comentando) e ver algumas notícias no Brasil e no Omelete (sou viciado nesse site, deixem-me em paz).

Vi também que o euro está menor do que quando eu comprei, cerca de dez centavos abaixo. Coisas assim são patrocinadas pelo querido Google.

Continuei dando voltas pelo aeroporto até ver que o iPhone estava com a bateria acabando, e eu lembrei que os banheiros possuem milhares de tomadas. Então lá vai eu para o banheiro, mas sem caganeira dessa vez, apenas pluguei ele na tomada e fiquei esperando a carga completar e, enquanto isso, escovava os dentes, me olhava o espelho, dava uma aliviada na bexiga, lavava as mãos novamente, lavava o rosto etc.

Carga completa, comprei uma água na máquina e dei mais umas voltas (foi quando comprei os dois perfumes citados anteriormente), e resolvi parar em algum banco para esperar as horas passarem (falta pouco até para o vôo para São Paulo chegar).

Resolvi dar mais uma volta, e isso me custou um lugar no banco perto do portão, então resolvi sentar perto de uma coluna bizarra que tem no aeroporto, aliás tem várias, e ao chegar bem perto descobri (senti) que era um ar condicionado. Sentar de costas para isso foi uma ótima escolha.

Embarque anunciado e as pessoas se aglomeravam na porta, sem pensar em formar uma fila, apenas formaram um grande funil humano. Depois deste rápido sufoco entrei no avião, novamente na janela, torcendo para que o assento ao lado fosse vago, o que seria um presente para minhas pernas e viagem.

Não era vago, pertencia à uma senhora que puxou papo algumas vezes comigo. No começo ela parecia louca, eu pedi licença para ir ao banheiro, ela se levantou e ficou na minha frente, exatamente impedindo minha passagem. Então eu, quase escalando os bancos, me segurando no bagageiro, falei um tímido e contido licença que fez ela ter ciência da situação e finalmente saiu da minha frente, falando que estava com a cabeça louca e que não havia reparado.

Não precisava ser Jason Bourne para notar minha dificuldade de sair do local.

Mais de dez horas de vôo, precisava aproveitar cada minuto para dormir, apesar da senhora tentar puxar conversa ela sabia ver que eu estava dormindo (ou tentando) então não fui interrompido nenhuma vez.

Acordava nas horas certas (refeições) e nenhuma vez fui ao banheiro (novidade), apenas procurava fechar os olhos para dormir e ficava esperto para quando servissem algo: isso, e a segurança do vôo, me bastavam.

Nem hidratei meus olhos, por estar de lente de contato deveria, mas não tive problemas com isso também, tudo foi muito tranqüilo. O jantar deste vôo não foi legal: era um macarrão com um molho bizarro (e ralo) com azeitonas pretas e funghi, o que me fez pensar na primeira garfada de que aquilo seria o estopim de uma caganeira oficial de volta para casa. Fala sério, molho de azeitona com funghi em pleno vôo? Querem nos matar de diarréia, só pode ser.

Caganeiras fantasiosas à parte (não houve – pelo menos da minha parte), o vôo foi tranqüilo, e cheguei em casa são e salvo. Peguei minha bagagem na esteira e logo estava na fila para sair daquela parte, mas antes me bateu a dúvida sobre declarar os pertences.

Voltando no tempo agora: durante o vôo recebemos um formulário para preenchermos a respeito de nossa bagagem, se estávamos carregando algum alimento, produto derivado animal ou vegetal, armas etc. Perguntei à senhora do meu lado se era referente à bagagem de mão ou geral, e ela disse que pediu ajuda para a aeromoça e que ela não preencheu essa parte do formulário, que ficou em branco. Resolvi imitar.

SÃO PAULO

No aeroporto (continuando de onde parei), havia a fila para declarar pertences ou nada a declarar, a qual eu fui com a maior cara de pau, mas eu havia me preparado: sem mentir, como eu estava com dúvidas, qualquer problema que houvesse eu iria falar que deixei em branco para não preencher errado, e assim pediria ajuda à algum funcionário da PF.

Aconteceu que na minha vez o funcionário pegou o formulário e me indicou a saída: livre.

Procurei meu irmão e minha mãe, mas nada, então resolvi andar até um ponto e ligar para eles, avisando que havia saído do vôo. Nos encontramos e voltamos para casa, onde mostrei os presentes de cada um, contei rapidamente sobre a viagem e o vôo, e fui tirar uma pestana.

Demorei mais de uma semana para colocar a postagem deste dia pois havia esquecido, depois acabei me ocupando com outras coisas e agora, um dia antes de voltar ao trabalho, aqui estou eu atualizando todos os meus milhares de seguidores do blog.

Depois, com tempo e vontade, posto o saldo da viagem, em versão resumida.

4set (Nápoles)

Despertador tocando e aquela preguiça de sair da cama, mas era preciso: Pompéia me esperava (e não era a filha de nenhum signore, e sim a atração turística). Depois de levantar e quase despertar totalmente eu percebi que não precisava ter levantado tão cedo para me arrumar e ir ao ponto de encontro da excursão.

Depois de chegar no local faltando vinte minutos para o encontro eu percebi que, sim, foi necessário acordar tão cedo.

Peguei um taxi que mostrava dois valores no taxímetro: o preço da corsa e o suplementi, sendo que este último parecia um cronômetro de tão rápido que os números iam crescendo, o que me fez lembrar uma pesquisa sobre taxis na Itália que fiz antes de viajar, onde encontrei uma pessoa reclamando que os taxistas são pilantras e te mostram um valor, mas na hora de pagar eles falam outro e inventam um monte de coisa (mais ou menos como quase foi em Roma para andar dois quarteirões).

Então o preço da corsa mostrava mais ou menos uns €7 enquanto o suplementi mostrava mais de €15, o que começou a me deixar preocupado (e chateado), mas no final saiu €10 e pelo que eu entendi ele havia gostado da minha companhia (por incrível que pareça consegui conversar o mínimo do ridículo em italiano – lembrando que não, não fiz as aulas que queria ter feito e contei para todos que queria fazer).

Eu sou um agitão.

No voucher dizia que o ponto de encontro seria em frente ao Hotel Jolly, mas chegando no endereço havia apenas o NH Hotel, e o taxista me confirmou que o hotel havia mudado de nome há poucos dias, por isso minha confusão (e a de outras pessoas, creio).

Entrei no hotel e confirmei a informação da mudança de nome (vai saber, mal confio em minha sombra)

8h20 era o horário marcado, e esse horário foi chegando e eu não via ninguém com voucher na mão, nenhum grupo pelos arredores, ônibus, van, carro, placa, pessoa com indicação, nada. E eu estava lá, com sono e de pé, mais ou menos longe do meu hotel (sinceramente estava com preguiça de ficar andando, como era o plano inicial), esperando por algo que não sabia o que era,

Resolvi tomar uma atitude, me sentindo o homem mais homem (com H maiúsculo) de toda a Grande Bota: peguei o telefone da agência de turismo e liguei, mas como eu sou um completo ignorante eu não sabia fazer ligação internacional e não consegui nada do que queria.

Então tome essa.

Eis que chegou uma van e saiu uma italiana pomposa (parecia ter saído de uma revista de moda) perguntando se éramos da excursão. Ivana. Digo éramos pois havia um casal do meu lado que eu desconfiava estar no mesmo barco que eu.

Barco não. Van.
(Sacou? Sacou? Han? Tudo bem, eu paro).

A van tinha ar condicionado e isso já foi algo maravilhoso, pois de manhã já fazia mais ou menos 27º, e apesar da roupa leve e confortável que estava (bermuda, chinelo e camisa aberta folgada de algodão) o calor era de encher o saco e seus colhões.

Metáfora e literalmente.

O taxista que me levou até o ponto de encontro da excursão havia dito que geralmente não existe trânsito em Nápoles, mas que neste mês estava ruim pois era a época quando todos que estavam viajando voltavam a trabalhar, estudar e seguiam suas rotinas.

Mais ou menos como Agosto para os brasileiros, principalmente para quem mora na Zona Norte, trabalha na Zona Sul, freqüenta igreja em Alphaville, sai com os amigos para a Zona Oeste (e a Zona Leste que fique onde está).

Então pegamos trânsito no começo, mas depois caímos na estrada (caímos na estrada – sempre quis falar essa frase, que parece nome de filme), e em quarenta minutos mais ou menos (ou mais, acho que dormi um pouco) chegamos a Nápoles, onde fomos apresentados para a guia da excursão.

Não, Ivana não era a guia, ela era, novamente, a mulher bonita que serve para chamar a atenção e depois passar o bastão para outra pessoa.

Francesca. Até hoje a guia mais simpática de toda a minha viagem pela Itália (não posso esquecer que quando fui para Orlando as duas guias eram fantásticas e super amigáveis – para meus 12 anos e pensamentos compulsivos por miniaturas e comida), até conversamos um pouco e ela disse que tem amigos que costumam passar férias no Brasil por mais de um mês e que ela ainda não visitou nosso país.

Seja bem-vinda, Francesca!

Pompéia tem uma história interessante, e vocês podem pesquisar no Wikipédia, pois eu não irei dar explicação alguma do que é, onde fica, porque está assim, qual seu valor etc. Ela é bonita também, principalmente por ter um bom estado de conservação, pela visão que ela mostra, com vales e, principalmente, ver o Monte Vesúvio ao fundo da paisagem, com seu cume sumindo nas nuvens, é realmente lindo.

Eu queria conhecer o Monte Vesúvio, mas era mais complicado (e isso significa gastar mais dinheiro, ser longe e precisar planejar outro esquema além do que estava participando). Fica para uma próxima.

Pompéia era uma cidade tarada. Sim, era, e que os cultos historiadores engulam suas explicações, pois eles usavam uma forma fálica (remetendo ao pênis – pinto, para os mais íntimos) em cima de algumas portas das casas para sinalizar que ali era a casa da oba-oba, casa de burlesco, casa rossa (como dizem os italianos), entre outros nomes.

A cama era de pedra. Como alguém consegue ter conforto deitado em uma cama de pedra e…enfim, sem detalhes, a cama era de pedra, assim como seu travesseiro (tenho foto para comprovar, parem de me azucrinar com suas inteligências).

Achou que aquela forma fálica em cima da porta era tudo? Mal pode esperar para ver outra casa, com dois andares, cujo segundo andar era para fazer o famoso sexo descompromissado, e em cima de cada porta de cada quarto haviam afrescos (que até aqui é uma técnica de pintura famosa por estar presente na Capela Sistina) de cenas de sexo.

Pompéia já era adiantada no tempo e, com afrescos, faziam seus cartazes pornôs. Claro que nada tão elaborado quanto os panfletos do Largo São Bento, mas para a época devia ser algo extremamente moderno, visionário e, como alguns publicitários adoram falar, fora da caixa.

E na calçada havia também um pênis esculpido na calçada, apontando para as casas que prestavam esse serviço, mas de acordo com os historiadores, não era sacanagem usar esse símbolo pois ele era o símbolo da fertilidade.

O mesmo símbolo da fertilidade, usado anteriormente para sinalizar sexo.

Visitamos o anfiteatro, que apesar de pequeno comportava mil pessoas, e isso só acontecia pelo fato dos habitantes daquela região serem curiosamente menores que o normal (de acordo com a guia). De lá, fomos para o Foro, visitamos dois templos (o de Júpiter e outro que esqueci o nome, mas com certeza tem no Wikipédia) e depois vimos os famosos corpos conservados da erupção do Vesúvio.

O corpo em si só existe no material (tipo gesso) que eles usaram durante as escavações para preencher o espaço que o corpo de verdade deixou durante os anos que se passaram debaixo da terra, lava etc. Mas os ossos estão presentes e, agora, conservados. Vendo o corpo achei que fosse pensar algo como hahaha caramba eles eram realmente pequenos, quando na verdade eles tinham mais ou menos minha altura, ou um pouco menores.

Visitar Pompéia significa caminhar bastante, por mais ou menos três horas (ou mais, se você estiver sozinho e quiser ficar andando mais tempo por lá), o que foi suficiente para conhecermos tudo e aprendermos sobre o local, sua história e características. Resumindo, quase tudo são ruínas de casas e não tem exatamente muitas diferenças visuais para você olhar e admirar, então eu pude apreciar tudo que havia lá dentro sem ter culpa de ter deixado algo passar.

Saindo de lá voltei para o hotel e pensei em ir para a Ilha de Capri, então usei o computador zuado do hotel para acessar a internet e ver mais sobre Capri, e seria realmente bacana ir lá, mas eu não fui. A razão de não ter ido é que, apesar de não ser tão caro (mais ou menos €15 a passagem de barco, que dura de vinte minutos a uma hora, dependendo do barco), faria falta no meu bolso.

Por quê?

Hoje é meu último dia, amanhã irei começar minha saga pelos aeroportos, sendo que em Madrid eu vou ficar mais de 9 horas esperando meu vôo para São Paulo. Isso, para mim, significa que eu preciso economizar o dinheiro para o caso de qualquer emergência, ou até mesmo porque com algumas horas eu posso, pelo menos, conhecer os arredores do aeroporto e, caso exista, ver alguma atração turística que fique lá por perto.

Economizar dinheiro faz bem, principalmente em viagens como essa, quero evitar ao máximo dar brecha para o erro e o inconveniente.

Agora no final do dia eu recebi minhas novas passagens aéreas e o voucher do translado para o hotel, e eu os imprimi aqui no hotel mesmo, usando papel velho (o recepcionista disse que não tinha papel novo, o que eu acho uma grande de uma mentira – pelo menos a maneira que ele olhava desconfiado para mim acusava isso).

Claro, como se eu estivesse pedindo SULFITE para enrolar fumo!

Agora é esperar.

Pode parecer babaca, apesar de que nessa o Luiz vai me apoiar (talvez mais pessoas), mas o que me deixou feliz de fazer conexão em Madrid, no Aeroporto de Barajas, é que lá tem Starbucks (o mesmo que eu tomei na conexão para a Itália, onde perdi o vôo etc.) e eu estou com desejo. Provavelmente terei tempo de tomar mais de um café por lá, e me deixem em paz com meus planos de gordo.

Se alguém tiver dicas sobre o que fazer nos arredores do Aeroporto de Barajas (somente nos arredores), mandem para o meu e-mail ou comentem nesta postagem, pode até me salvar tempo e eu conseguir planejar melhor minhas poucas horas espanholas.

Tenho mais duas fãs neste blog: Marta e Grazi. A primeira, inteligentíssima (elogios da parte dela valem mais que ouro), está achando as descrições formidáveis, enquanto a segunda está rindo alto com cada postagem sobre minha viagem. Continuem acessando meu blog, ele costuma ser interessante mesmo antes e depois da viagem.

Brasileiros, vou-me a encontro de vocês.

3set (Roma-Nápoles)

Acordar, guardar o restante das coisas (itens de banheiro que usei pela manhã após acordar), checkout, taxi, Roma Termini, pagar reserva de lugar no próximo trem para Nápoles, andar com mala de alça e a caixa com a espada romana (não cabe na mala – mesmo) mais mochila nas costas e usando o chapéu (para não amassar na mala, precisa ir na cabeça), parecia um rockstar conhecendo a Europa, apesar de não ser bonito e em forma como tal, não estar na moda como tal e usar segunda classe e classe econômica em minhas viagens.

E eis que…

NÁPOLES

As estações anteriores mostraram prédios feios ao redor das estações, classe baixa, pobre, roupas estendidas em varais que iam de uma sacada até outra, grafite em tudo quanto era lugar, carros velhos, mato crescendo onde não deveria etc. Imaginei que em Nápoles, apesar de ter visto no GoogleMaps Street View que o lugar era bem urbano e centro de cidade, fosse melhor.

Ingênuo engano.

O contraste é bem grande, quando lembro das outras cidades e dos outros hotéis em que fiquei, pois aqui lembra um pouco o Largo São Bento. Muitos comércios, daqueles tipos onde tudo é extremamente barato (a latinha de refrigerante, que geralmente pago €2,50, costuma custar €0,80).

(pausa para esfregar uma mão na outra – estão super secas, mesmo usando hidratante com certa freqüência, cacete de sensação de lixa)

Saindo do trem, um homem perguntou se precisava de taxi, confirmei, e o segui até o seu carro. Algo estava estranho, mas me reservei, até chegarmos no carro dele, que era um trio elétrico do Jamil e…brincadeira. Ao chegar no carro dele, não era um taxi, era um carro comum, e ele fazia preço fixo. Saiu mais caro, claro, do que se eu tivesse andado mais dois metros e pego um taxi regular, mas o bom é que cheguei logo no hotel.

Fiz meu checkin, peguei as informações sobre quarto e serviços, e subi para o meu quarto. Não quero ser uma pessoa que reclama de tudo ao invés de ser grata por ter algo que ofereça o que preciso, então eu vou dizer que é algo muito bom entrar em um quarto com cama, banheiro com tudo em ordem, e ar-condicionado (que já liguei a 19º, mas agora mudei para 22º por começar a criar estalactites no teto)

Confesso que chegar nesta região de Nápoles foi um grande desânimo, pois se fosse para conhecer centros urbanos eu ficaria em São Paulo, andando a pé, de ônibus, metrô, ou melhor ainda, com o meu próprio carro. Evitando a reclamação, tudo está indo muito bem e aqui ao redor não tem nada para se fazer, ainda mais quando começar a anoitecer pois a região tem mais gente mau apessoada do que Veneza, o que significa sempre ver gente te encarando (ou, na verdade, encarando qualquer coisa – são suas caras de “mano”).

O que isso significa?

Que hoje eu não irei fazer nada cultural, o meu máximo já foi feito: almocei pizza (novidade), comi um doce em uma padaria e dei uma volta no quarteirão, e isto foi o máximo e suficiente para perceber que realmente não tenho nada a fazer nesta região do hotel.

Mas, eu tenho amanhã uma excursão com quatro horas de duração pela região da Pompéia, que eu não faço a mínima idéia do que seja, como seja (minto, já vi algumas fotos) e por que é que é do jeito que é, mas eu irei conhecer, tirar fotos a valer e, depois, tenho outro plano, mirabolante, fora de roteiro, arriscado, mas que dependendo de minhas pesquisas pode ser um lugar lindo: Ilha de Capri.

Pompéia será de manhã com previsão de término por volta do meio-dia, o que significa que eu posso aproveitar a partir desse horário e tentar ir até a Ilha de Capri, dar uma volta por lá, ver o mar etc. Sempre ouço falar super bem desse local, assim como sua beleza (e também suas baladas), como eu sou um cara que não freqüenta baladas e está de passagem rápida (e com dinheiro contado), me limitarei a fazer passeios diurnos, calmos, tranqüilos e em horários tranqüilos para voltar para o hotel.

Agora estou impressionado sobre como eu tenho a capacidade de escrever quase duas páginas sobre absolutamente nada. Melhor ainda será as pessoas acessarem este blog e lerem com atenção a cada palavra e no final pensarem melhor se tivesse esperado para ler apenas sobre o dia de amanhã com passeios e aventuras mais interessantes do que um quarto com ar-condicionado.

Soube que em São Paulo está calor, bastante calor, o que me deixa animado para finalmente ter um momento na piscina e tomar sol, algo que meu corpo certamente vai estranhar depois de bons anos de abstinência.

(o quarto está tão gelado que minha bebida nem precisa ficar no frigobar, hahahahahahaha).

Saudades de todos.

Salute.

Curtas

1. O hotel possui apenas internet a cabo, sem wifi, um computador apenas, cujo teclado esta desconfigurado, por isso a horrivel pontuação

2. Recebi minhas passagens e voucher do translado e irei imprimir agora mesmo, por isso estou aqui

3. Tenho uma admiradora do blog, especificamente na parte da viagem, a Martinha! E elogios vindo dela significam algo bom, pois ela eh minha amiga poliglota e inteligente a valer…e por isso esse post vale a pena pois assim ela tera o que ler hahaha

4. Sede, fome, vontade de comer besteiras…amanha irei para Madrid e talvez de tempo de dar uma volta por la, pois precisarei esperar nove horas para o vôo ate SP

Brasileiros, ja sabem o que fazer com suas filhas…meu retorno eh certo, e nao perdoarei uma…

..ok, brincadeira, novamente.

2set (Roma)

Apesar de não ter feito nada turístico, fui dormir às três da manhã, e a última coisa que fiz foi falar ao telefone com minha família. Pela internet eu mandei e-mail e, finalmente, consegui colocar as fotos de Roma para eles (e qualquer um) verem.

Hoje levantei mais cedo que ontem, então usei a internet novamente para fazer umas operações no banco, vim para o quarto curtir a preguiça, até que decidi ir ao Pantheon.

Pensava em passar o dia sem comer, pois ultimamente as refeições têm sido bem fortes (não necessariamente em grande quantidade), mas isso não foi possível, e eu acabei me encontrando defronte a uma pizza marguerita maior que o prato (sim, tenho foto com minha mão ao lado para mostrar que é realmente grande). A parte boa é que bebi apenas água, o que é uma novidade (nunca gostei de tomar água durante as refeições). Voltei para o hotel com uma latinha de refrigerante e um chocolate, dei um tempo no quarto (para não ter a sensação de ficar 24h andando) e, antes de sair do hotel, peguei um mapa que havia no balcão do hotel.

Apesar de o mapa mostrar uma distância bem relevante, chegamos rápido (considerando que aqui é a primeira cidade em que pego trânsito – mas foram dois minutos no máximo), e eu pude conhecer o famoso Pantheon, tirar fotos e passar um tempo lá dentro.

Não, não sabia que era (mais) uma igreja, eu tinha na cabeça algo como uma fortaleza de gigantes feitos de pedra que lutavam contra dragões e monstros marinhos, algo mitologicamente babaca, mas estava completamente enganado (e fantasioso).

Comecei a dar umas voltas por lá e não havia mais coisas interessantes, eram apenas restaurantes, sorveterias e algumas lojas de roupa com marcas provavelmente locais e nada (?) famosas. Voltando para a praça onde fica o Pantheon uma loja me chamou a atenção: era uma mercearia.

Pães, queijos, petiscos, frios, bebidas, quinquilharias em geral da gastronomia. Uma loja bastante rústica (falando assim parece que tudo aqui tem o visual moderno), e o principal funcionário (creio que seja o dono) falava inglês fluentemente, para a minha modesta alegria.

Depois de pedir umas informações sobre uns vinhos que tinha anotado, liguei para o meu pai para confirmar se podia comprar o vinho que achei (afinal, as anotações eram pedido dele, e ele é quem sabe) e comprei, assim como uma garrafa de Limoncello, que o deixou bem feliz por telefone.

Voltei para o hotel, com meu querido ar-condicionado, e irei dormir cedo esta noite, pois amanhã de manhã farei meu checkout e pegarei um trem para Nápoles, creio que será uma viagem rápida (ou pelo menos no mesmo tempo que as outras).

Faltam três dias para eu voltar para o Brasil, e isto me deixa muito feliz. A viagem está muito boa, o erro que eu cometi foi escolher dias a mais com planejamento de menos, o que significa ter dias parados, e não é legal viajar para ficar parado, e sim conhecer os lugares.

Outro ponto: como disse, muito daqui é igreja, e conta a história do catolicismo, do envolvimento político, e todas essas historias estavam me cansando, então sim, uma parcela de ficar parado é iniciativa própria pois não agüento mais ver igrejas maravilhosamente esculpidas e pintadas (ou fontes!).

Eu sou um grande de um saco para cultura, história e conhecimento. Meu forte é ser engraçado.

Brasileiros, guardem suas filhas em casa (sempre quis falar isso, mesmo eu não representando ameaça alguma), pois eu estou voltando para minha amada terra.

Como escrevem nas camisetas aqui: Ciao Bella.

1set (Roma)

Ontem fui dormir por volta da meia noite e meia, imaginei que fosse ter mais ou menos oito ou nove horas de sono, no máximo dez (dependendo da preguiça de acordar e voltar a dormir como se nada tivesse acontecido), mas eu me surpreendi: contando com as vezes em que eu acordei e decidi voltar a dormir, posso afirmar que dormi mais ou menos quatorze horas.

Sim, levantei às 14h00 (horário de Roma) com a maior cara de pau (que só eu poderia ver, pois estou sozinho), e ainda enrolei o suficiente em meu quarto por um motivo: tem um período do dia em que o sol fica muito forte, e este período é depois das 14h. Quem nunca ouviu da mãe, pai, tia, avó ou quem seja que criou vocês, falar cuidado com o sol do meio-dia, é o mais forte?

Eu já ouvi. Da mãe, do pai, da avó, do irmão, dos familiares, dos pais dos amigos etc.

Saí para almoçar, e desta vez eu comi macarrão, um prato de nhoque com molho e queijo, que estava abraçando meu interior com muito carinho enquanto eu dava uns bons goles no refrigerante gelado. Saindo do restaurante, passei na mesma mercearia onde comprei o doce de chocolate (e eu descobri o nome: torrone italiano, que de torrone não tem nada, pelo menos comparado com o que é famoso no Brasil) e comprei, além de minha lendária Coca-Cola Zero, um doce de chocolate que tinha mais ou menos o tamanho de um azulejo de banheiro, mais ou menos do tamanho da mão de um homem graúdo por volta dos 25 anos (ou eu).

Voltei para o hotel para comer minha sobremesa, pois com aquele tamanho, textura e consistência, seria não apenas incômodo mas também vergonhoso tentar comer na rua, enquanto se está andando, ainda mais segurando uma garrafa de 600ml.

Por volta das 16h eu comecei o meu passeio, com a ajuda de um taxi para chegar até o Coliseu novamente, e por lá eu fiquei andando. A princípio procurando o Foro Romano, e pretendendo visitar também o Palatino, mas acabei me entretendo com as ruas e as pequenas construções menosprezadas, ou melhor, ofuscadas pelas grandes e abissais atrações.

(aliás, vocês sabiam que o nome original – ou inicial – do Coliseu é Anfiteatro de Flavio?)

Meu passeio foi me afastando mais do Coliseu, e eu finalmente encontrei o Foro Romano. Ou pelo menos acho que encontrei, eu apenas segui as placas da cidade e nada mais. Sinceramente achei sem graça, mas eu confirmarei na internet as outras arquiteturas que ainda não visitei por aqui, ver a cara delas, para saber identificar amanhã.

Entrei em uma praça, que esqueci o nome, que tem uma escadaria imensa para chegar até ela, e estava havendo um protesto com algumas pessoas no terraço de um edifício (no máximo dois andares de altura) ameaçando se jogar de lá.

Eram os sem-teto de Roma.

Ouvi alguns brasileiros conversando ao meu lado e puxei papo com eles, com aquele charme e originalidade, falando e aí, será que eles pulam mesmo?

O casal era de Santo André, simpáticos, me ensinaram que aquela praça foi desenhada pelo Michelangelo, e que alguns dos sem-teto usavam tênis Nike Shox. Diferente do Brasil, onde os sem-teto usam aquelas roupas surradas de trabalho, os daqui pareciam um tanto arrumados.

Comentei um importante detalhe com o casal: quem quer se matar não faz estardalhaço, simplesmente se mata e depois descobrem quem era, o que queria, se havia alguma causa naquilo. Os de hoje queriam apenas chamar a atenção das pessoas e fazer sua causa ser conhecida.

Andei.

Andei.

Andei.

Pareceu muita coisa, mas foram apenas três horas de passeio, e eu decidi experimentar o cappuccino daqui que, segundo o meu pai, é muito elogiado. Apesar de eu não ser um bom conhecedor de cafés ou já ter provado diversas iguarias de seu grão (eu me forcei a gostar de café há menos de um ano, sendo um fiel consumidor da Starbucks), o cappuccino estava realmente muito bom.

O que eu tomei estava suave e cremoso, mas eu ainda preciso experimentar de outros lugares aqui, e no Brasil, para ter base comparativa, ou parecerei um grande babaca falando do que não sei.

De volta ao hotel, meus planos para amanhã será, novamente, passear pela região do Coliseu, ou Piazza del Coliseo, provavelmente buscar chegar lá em um horário muito cedo para estar mais vazio e fugir do atormentador sol do verão europeu.

Se ao menos tivesse uma piscina no hotel, como em Verona, eu poderia de manhã fazer mais passeios, voltar para o hotel e passar a tarde debaixo do sol na piscina, e no cair da tarde fazer mais alguma coisa rápida antes de realmente anoitecer.

Saldo alimentício de hoje: nhoque, azulejo com recheio de chocolate, refrigerantes, água e cappuccino. E eu realmente pretendo não comer mais nada por hoje, o almoço em si não era grande mas me estufou durante o dia todo, quase que desisto de tomar o cappuccino (mas alguns arrotos ajudaram a liberar espaço). Aliás, comer pouco e ficar cheio significa outra coisa muito conveniente, que é perder peso e diminuir as medidas, então preciso tomar cuidado como que como para não correr o risco de ter alguma indigestão ou apenas aquele incômodo pós rodízio de comida.

Quanto à antecipação de minha volta ao Brasil, será no dia 5 de setembro (quatro dias antes da data original) e eu não precisarei do vôo até Roma, para depois seguir até Madrid, eu irei para Madrid direto de Nápoles, e daí sim pegar o vôo para o Brasil, aeroporto de Guarulhos.

Até breve, brasileiros!

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