27mar (Lisboa)

Como um ser humano que tem controle de seu sono e disposição matinal, eu consegui levantar cedo, antes mesmo do despertador tocar, para aproveitar meu dia em Lisboa e conhecer alguns lugares. Claro que o descrito agora precisam de mais detalhes: eu acordei, realmente, antes do despertador, mas sair da cama foram outros 500, mas não demorei tanto ao ponto de sair na hora do almoço.

Objetivo 1: visitar o Castelo de São Jorge.
Objetivo 2: ir a pé (clique e veja a distância entre o Castelo e o Hotel)

Viu? 3Km. Agora pense que, como eu não estou com um mapa na mão, na hora de voltar eu dei uma caminhada a mais pelas ruelas do bairro, então ida e volta foram 6km: já posso participar do Iron Man.

Falando sobre o Castelo, é muito bacana, e eu sempre piro em arquitetura, então quem tiver meu Facebook pode ver lá no álbum de fotos de Lisboa todas as fotos que tirei de lá, e uma das coisas mais lindas foi a vista para o mar, as residências, as pontes, tudo lindo (e registrado em fotos).

Após lá, voltei para o hotel e descansei um pouco, pois apesar de ser domingo eu tive minha última reunião profissional, que foi bastante rápido. Para ir até essa reunião, eu poderia ter ido a pé novamente (mais 3km) mas estava cansado e atrasado, então resolvi ir de metrô, mas na volta…mais 3km a pé.

Somando tudo: 9km de caminhada. Suspeito fortemente de que emagreci em minha estadia aqui em Portugal, pois eu não queria comer muito, estive sempre andando de um lado para o outro, cheio de compromissos, só parava para descansar e dormir, e não gosto (mesmo) de frutos do mar. Aliás, chamar caranguejo e outros animais do mar de frutos é mais uma tática de gordinhos para saírem da dieta.

Emagreci, retornarei ao Brasil um homem mais esbelto: mães, pais, prendam suas filhas em casa, sou um gajo muito giro.

Na volta para o hotel, decidi comer, pois quem leu minha postagem anterior vai lembrar que eu comi a valer no rodízio de carne e isso me fez ficar mais da metade do dia sem ter vontade alguma de comer. Como a fome era pequena, resolvi passar no Starbucks, pedi um lanche minúsculo (significa pão + quejo, que na verdade parecia mais uma bisnaguinha um pouco maior), um cookie (esse sim, melhor que no Brasil, muito maior) e o meu “de sempre” Frappuccino Mocha Tall.

Mais caminho a pé, passei em frente ao Hard Rock Cafe Lisboa e pensei que não seria uma boa ideia comer lá, pois eu já tinha comido um lanche rápido no Starbucks e isso deveria me segurar até a hora de dormir. Eu às vezes confio em minha ingenuidade e esqueço que eu já cheguei a comer 15 pedaços de pizza quando tinha 15 anos ou que cheguei a pesar 110Kg há uns 2 anos atrás – sim, eu precisava ter comido mais que um lanche no Starbucks.

E quando que eu fui perceber esta condição biológica? Apenas no final da noite, e isso aqui em Lisboa significa:
1. Fim do serviço de quarto
2. Restaurantes fechados
3. Deliverys encerrados

Clap. Clap. Clap. Eu realmente sou um ninja do planejamento, se eu tivesse um exército que dependesse de mim para se alimentar, já teria virado a bóia deles. Bom, a única opção era sair pela noite atrás de algum restaurante, e confesso que a preguiça era bem maior do que a vontade de caçar comida em Lisboa: eu havia andado 9km o dia inteiro, estava com os pés doendo, calos, com sono…e tudo isso resultou em eu, relutantemente, começar a consumir o mini-bar.

Mas, antes, fui até a recepção e confirmei que a conta do mini-bar poderia ser debitada no cartão que usei para pagar as estadias, pois eu não quero passar por imprevistos e ficar sem dinheiro na carteira: preciso de taxi até o aeroporto e, também, comer! A boa notícia é que eu posso fazer isso, o que me tranquiliza bastante, e isso significa que:
1. Comi 1 mini-Toblerone
2. Comi 1 mini-Pringles
3. Comi 1 pacote de amendoin (péssimo)
4. Tomei 1 refrigerante

E no momento de angústia alimentar, eu tive meu humor bastante aperfeiçoado: Facebook e Twitter tornaram-se principais vias de alívio cômico de minha situação desgraçada, fazendo todo mundo rir (ou pelo menos digitar “hahahaha” e outras frases semelhantes). Chegaram a lembrar (e muito bem) que o fato de eu estar sem janta é um tanto irônico pois eu sou host do TEDxCampos, cujo assunto será gastronomia e alimentação.

Cheguei a lançar, sem sucesso, a campanha “traga-me uma janta e eu pago a sobremesa” – ninguém de Lisboa se comoveu com minha situação, provavelmente porque deviam estar comendo.

Hoje entramos em horário de verão, aumentou mais uma hora, o que significa que estou a 4 horas à frente do Brasil – por exemplo, agora são 22h26 no Brasil, final de Fantástico, dá para fazer alguma coisa ainda, enquanto aqui são 02h26, hora de já estar no segundo sono, mas tudo bem, eu posso, já que meu dia amanhã será apenas correria de aeroportos.

Chegarei no dia 29 às 06h20, e será o encerramento de mais uma viagem minha para a Europa, desta vez com muita carga de trabalho, pouco lazer e perrengues diferentes de quando eu estive na Itália. Aliás, se vocês ficarem tristes pelas minhas postagens mais engraçadas do mundo terminarem (pelo menos até eu fazer outra viagem), vasculhem meu blog e comecem a ler minha viagem para a Itália: foram mais dias, o que significa que eu passei por mais problemas, sempre com uma visão bem humorada.

Sucesso.

26mar (Lisboa)

Como hoje é sábado, coloquei em minha cachola que eu não teria despertador, iria acordar a hora que meu corpo estivesse disposto a sair da cama (ou a hora que eu estivesse agoniado de estar na cama). Admito que o prazer é bom demais para tornar-se cansativo, já que preguiça é um dos pecados do ser humano, tamanha tentação de não fazer absolutamente nada, mas eu acabei levantando: 14h30.

Banho, me arrumo, e decido sair para almoçar, e tudo está fechado. Obviamente que eu não tenho o poder mitológico de percorrer toda Lisboa em 1 segundo, a pé, por isso meu comentário restringe-se apenas a um pequeno raio de onde estou. Lembrem-se: acordei às 14h30, minha disposição não era muito interessante (também), mesmo tratando-se de comida.

Tudo fechado, achei uma lanchonete pequena, pastelaria, como dizem por aqui (se é que eu entendi certo a relação – alguém ainda irá me corrigir caso esteja errado) mas não queria comer nada que havia lá, era tipo PF e eu realmente não estava com fome, então decidi por meia torrada e um achocolatado.

Meia torrada parecia uma inteira, uma fatia bem grossa de algum tipo de pão com um pouco (mesmo) de manteiga (ou margarina, ainda não lembro a diferença entre as duas), e começou a chover. Pensei que fosse ficar lá por muito tempo, mas a chuva amenizou, comprei um refrigerante e sai tomando ele e andando na chuva.

O bom é que muitos estabelecimentos possuem toldo ou sacadas, então eu ia colado na parede e tudo bem. Até acabarem as coberturas, e eu de camiseta branca estava ficando quase igual às garotas do concurso de camiseta molhada do Viva a Noite (ou seja lá qual programa que o Gugu apresentava na década de 90).

Voltei ao hotel, já que qualquer plano de conhecer Lisboa estava arruinado com a chuva (pois estou a pé, e certamente o tempo ficou feio pra cacete), e voltei a fazer o que sempre faço: postar, twittar, responder e-mails. Quando tudo passou, fui encontrar com um amigo aqui de Lisboa, para conversarmos sobre uns projetos e o envolvimento de minha agência neles, e ao invés de pegar um taxi, resolvi ir a pé.

Para quem for de Lisboa: saí da Praça Marques de Pombal e fui descendo a Av. Liberdade inteira, até chegar no Starbucks (sim, era lá – me deixem em paz), e de lá fomos andando e conversando pelo Bairro Alto, cheio de gente nas ruas, tudo muito movimentado, e na hora de ir embora, resolvi ir a pé novamente – até liguei meu Nike Plus para marcar a experiência, e você pode ver a prova clicando aqui.

Chegando ao hotel, pensei apenas em comprar mais 2 achocolatados (estou viciado em uma marca que vende aqui, Ucal), mas vi que os restaurantes estavam abertos, e um deles bem em frente ao hotel chamado Rodízio Gaúcho. Sim, um brasileiro do Sul que veio para Portugal (óbvio, o gajo não pode abrir seu comércio estando longe) abriu, e mais alguns funcionarios são brasileiros também.

Qual é a boa de hoje a noite? Eu estive economizando em muita coisa por causa de um contratempo que tive em Porto, e comer em um rodízio significa estufar a pança com comida para durar por dias a seguir, e foi exatamente o que fiz. Claro, não tenho mais a capacidade ogra de antigamente, quando pesava 110Kg (atualmente peso 80Kg, talvez menos, preciso de uma balança), mas comi bastante: muita carne, couve, arroz, feijoada, batata frita, banana à milanesa, queijos, salada (viu mãe? comi salada, agora posso pegar a sobremesa?) – aliás, comi tanto que acredito dentro de mim todas as carnes estarem se juntando e formando um Megazord Bovino, pois eu estou bem indisposto, hahahaha mas era algo normal de se esperar, depois de comer como um faminto.

O melhor de tudo foi o preço. Depois de comer tanto, creio que só conseguirei comer novamente daqui uns 2 ou 3 dias, até la ficarei na posição jibóia, olhando para o infinito, esperando tudo digerir, no sol, imóvel…e escrevendo no meu blog.

Amanhã precisa fazer um dia bonito, sem chuva, pois quero acordar bem cedo (para isso, irei dormir daqui a pouco – acho) e ir visitar alguns lugares, já que segunda-feira eu irei embora de volta para casa.

Muita digestão pela frente, amanhã conto maiores novidades.

25mar (Lisboa)

Acordei mais cedo de quando estou em São Paulo. Agora pense que estou num fuso-horário de 3 horas adicionais. Eu levantei 7h30, o que significa que esta notícia para minha família significaria que eu acordei às 4h30! Caraças! Imaginem se eu estivesse na Austrália? Eu estaria fazendo as coisas no dia seguinte, e mandando recados para minha família no passado.

Chega de piração com tempo.

Um compromisso profissional pela manhã, e logo após surge outro, tipo Kinder Ovo: tá-dá! Pronto, mais um compromisso, longe, bem longe, mas como em Portugal tudo é perto, o longe daqui significa a mesma distância de São Paulo até Alphaville – ainda mais a bordo de uma BMW coupe batendo 140 ou 160Km.

Mãe, pai, não era eu na direção, e eu continuo vivo. Vejam, estou teclando!

Após tudo isso, volto para o hotel, vejo alguns e-mails, falo com o pessoal na agência, e penso que já precisaria ir ao terceiro compromisso marcado (também, em cima da hora), então fico no quarto até dar a hora de sair, e me vou. O problema: desinformação – fui para um lugar, era para ir até outro, não achei quem precisava, voltei para o hotel, e tudo isso ao custo de 18 euros de taxi, que significam mais de R$ 40,00. Ouch.

De volta ao hotel, mais computador, e-mails, recados etc. e eu começo a pensar que eu deveria me presentear com, finalmente, o tão aguardado jantar português – os portugueses que lerem este post, peço desculpas caso eu soe clichê, mas eu não conheço quase nada (ou nada) da cultura gastronômica de Portugal: bacalhau assado com batatas aos murros.

Decidi ir a pé, para me exercitar, aproveitar o clima de frio (18 graus – apesar de que isso não significa muita coisa para mim, ser humano com biotipo próximo ao de um esquimó) e, principalmente, economizar, pois não quero encerrar o período aqui no bico do corvo.

Cheguei ao restaurante, e já perguntaram se eu queria vinho, colocaram os pães e as azeitonas na minha frente, e o azeite também. Tive que escolher um vinho, e quem me conhece sabe que eu não entendo nada: escolhi o vinho de produção própria, pois se eu parecer um ridículo experimentando, pelo menos agradarei à casa provando algo genuíno deles.

Uma taça e basta.

Quando estava na mesa, um senhor ao meu lado começou a reclamar com o garçom, mas em tom brando, como se estivesse preocupado, ansioso, e vi que era comigo o problema. Fingi não ouvir nada, até porque eu realmente não tinha ouvido o que aquele homem estava falando. Ele calou-se, e logo tornou a falar novamente com o garçom, até este vir até a mim e perguntar se tudo bem eu mudar de mesa, para uma na parede, mais reservada.

Concordei, e percebi que aquele senhor havia pedido isto e pensei mas porque?, não esbocei reação ou preocupação alguma, e fui até a mesa sugerida, e então abri o menu para olhar as opções. Na última página, uma montagem com duas reportagens sobre o restaurante, de época, e eu pude reparar que aquele senhor estava nas fotografias: ele era o dono!

Ele está bem velho, andando de muletas, devagar, falando devagar, aparentemente debilitado.

De entrada veio, também, 3 bolinhos de bacalhau, frescos, acabaram de sair da cozinha, da frigideira, ou seja lá onde eles fritam: estava leve, antecedia algumas mordidas pressionando eles na poça de azeite em meu prato de antepasto. Azeite suave demais, não sentia ele nas mordidas.

Pedi o bacalhau.

Ansiedade.

Veio o prato, pequeno até: bacalhau assado na grelha, com um dedo de azeite sobrando na forma, pimentão, cebola, meio ovo cozido (cade minha outra metade, chefia?) e as tais batatas aos murros (que nada mais são do que batatas pequenas, literalmente socadas, para ficarem meio amassadas, rachadas, levadas ao forno, porém eu acho que as minhas não eram 100% genuínas, pois não tinha manteiga ou algo assim para dar aquela umidade na batata.

Primeira garfada.
Pensamento: hum, bacalhau, mesmo ingrediente que o bolinho que eu como de vez em quando.

Segunda garfada.
Pensamento: é, o gosto é o mesmo de quando eu ia na feira e tinha peixes ao sol do meio-dia.

Eis que surge o dono do restaurante, de novo, para pedir que eu o desculpasse e explicar que ele havia sugerido a mudança pois, até onde entendi, o restaurante era frequentado mais por grupos, então seria melhor eu ir para uma mesa sozinho, no canto, que na hora de juntar as mesas seria melhor para eles trabalharem sem interromper.

Lojística.

Terceira garfada.
Pensamento: Vou prestar atenção na textura, na suavidade do gosto, em como ele fica na boca depois da garfada…

Quarta garfada.
Pensamento: Foda-se*, não aguento mais este peixe, pira-te

* Mesma conotação de “porra” usado no Brasil

Não comi inteiro, não comi fazendo careta, torcendo o nariz, nem nada que denunciasse a minha conclusão: não faz parte do meu gosto culinário. Sim, estou em Portugal, onde a pesca é uma atividade super importante, possui uma grande atribuição histórica por trás, valores culturais muito fortes, mas tudo isso não faz meu paladar gostar.

Portanto, da mesma maneira que eu experimentei comida japonesa umas quatro vezes e concluir que não me agrada o tipo de culinária, posso dizer a mesma coisa quanto ao bacalhau: não me agradou. Não significa que estava ruim, até por ser meu primeiro bacalhau eu não possuo conhecimentos de como é um bem feito ou um a desejar, tampouco tenho referências de outros que comi e são bons (ou ruins), mas asseguro que busquei restaurantes conhecidos, de guiar populares de restaurantes locais, e não fui apenas em uma padaria pedir um naco do peixe.

Creio que esses parâmetros sirvam para que o prato seja bom suficiente para você ter que se preocupar apenas com o fato de gostar ou não da culinária sem se preocupar com o modo de preparo.

Ainda tenho outras coisas para experimentar, como o Pastel de Belém, diretamente de Belém – pelo menos para doces eu sou um pouco mais fácil de me inclinar.

Ao escolher a sobremesa, eu torrei a paciência do garçom, pedindo a ele que me explicasse todas as sobremesas (umas 10, quase), para escolher o bolo de bolacha, que no Brasil é conhecido como pavê: bom, um pouco mais leve do que eu esperava, e um imenso lamentar que o deste restaurante (ou em Portugal, não sei) não era com chocolate.

Depois, um café.

Depois, caminhada de volta para o hotel, com esta bela pança com 1/2 bacalhau nadando em suco gástrico com batatas aos murros, bolo de bolacha e café. Tive vontade de comprar uma Coca-Cola Zero, que é mais simples que vinho (e aqui nem perguntam se quero limão, veja só), o que fez tudo dentro de mim começar a reagir de uma forma curiosamente incômoda, mas nada grave.

A caminhada foi muito boa, cheguei ao hotel em um trajeto de 18 graus e muitos arrotos – as ruas estavam bem vazias, eu poderia fazer o que eu quisesse (sem extremismos, por favor).

Amanhã, se nada surgir de surpresa, terei um período bacana para conhecer lugares lindos aqui em Lisboa e, finalmente, cumprir com a parte de lazer desta viagem que, a princípio, deveria ser apenas profissional.

24mar (Lisboa)

Aí sim! Finalmente um dia para chamar de “meu”, sem compromissos, sem correria, sem ameaças ou notícias patéticas: e ae, o que eu vou fazer? Como estava escrevendo no post anterior, eu pretendia ir ao Zoo de Lisboa, mas eu iria de manhã, para ter mais tempo de aproveitamento durante o dia…percebi que acordar cedo realmente é complicado (certo, podem me ovacionar em falar mal e sobre quanto imaturo eu sou), e eu só fui sair da cama depois do almoço.

Almoço, aliás, eu quase nem tive, pois não estava com vontade, pelo que lembro foi uma empada, algo patético assim, e eu lembrei de ir visitar o cais: câmera no bolso, e fui andando. Aliás, foi uma boa andada, desci uma avenida inteira, estava com sede, e o que eu avisto? Uma Starbucks. Sim, eu tomei o mesmo de sempre, só que em Lisboa. Sem contar que na noite anterior eu jantei Pizza Hut (era uma das únicas opções por perto que estava aberto no horário que eu resolvi sair para jantar – falha de planejamento).

Continuei andando, até ver que estava na…Rua Augusta! Eu, um grande odiador desta rua em São Paulo, estava nela aqui em Lisboa. Claro que, apesar do nome, são muito diferentes, exceto por uma coisa: me ofereceram maconha. Ao ar livre. À luz do dia. Em público. Duas vezes!

Então eu tenho cara de maconheiro, é isso? E ainda: vieram falar comigo em inglês. Certo, tenho cara de gringo, mas não chega a tanto, eu bem que podia ter fingido algum idioma e sair esbravejando, ou começar a falar sem eles entenderem, mas poderia parecer que estava negociando, iam me prender, me bater, enfim…tomei meu rumo à ignorância dos traficantes populares e continuei minha jornada.

Cheguei.

Cacetada, que lugar delicioso de passar o final de tarde: existem umas áreas que são escadas rasas que dão direto no mar, e fica o mar batendo nos degraus, as pessoas ficam sentadas, algumas descalças, olhando para aquele horizonte, olhando alguns navios passarem (literalmente), sentindo aquela brisa gelada que sopra do mar.

É uma delícia, é poético e eu preciso voltar lá.

Então sai do computador e vai pra lá.

Não, agora já anoiteceu, e se de dia me ofereceram maconha, vai saber o que irão me oferecer à noite. Agora vou me informar sobre os valores da janta no restaurante que estou de olho faz tempo, chamado Laurentina, e dependendo irei lá para, finalmente, ter uma refeição portuguesa.

23mar (Lisboa)

Um dos poucos dias em que eu não tinha compromissos profissionais para resolver, então eu planejei meu dia mentalmente para acordar cedo, ir ao Zoo de Lisboa, depois me perder de propósito, me misturar com as pessoas do dia a dia.

Mais um dia de correria profissional, com algumas reuniões e muito bate-papo para levantarmos ótimas ideias, eu estou tão perdido no tempo que achei que este tivesse sido o dia em que eu tive liberdade de lazer, mas não: este dia foi ontem, apenas. Novamente, na companhia do Julian Treasure, e seu fantástico trabalho, que muitas empresas deveriam contratar – lembram quando no começo as pessoas indagavam sobre a importância de uma apresentação, e atualmente não vivem sem? A mesma coisa com o trabalho dele.

Admito que por passar a maior parte do tempo sozinho, eu acabo me entediando facilmente, e por isso não tenho muitas novidades: quando o dia está cheio de trabalho, é igual a qualquer dia em São Paulo, onde chega o final do dia e você só pensa em ir para a cama, dormir, descansar.

No meu caso, antes de fazer isso eu ainda abro o notebook, vejo os meus e-mails, respondo, trabalho (além da agência, ainda tenho não um, nem dois, mas TRÊS eventos TEDx – sendo que um deles eu sou host), dou notícias para a família, falo com alguns amigos e, aí sim, vou dormir, e quando isso acontece já é tarde e eu me dano pela manhã do dia seguinte.

Mas o dia seguinte foi melhor, em questões de lazer.

22mar (Porto-Lisboa)

Último dia em Porto, e precisava voltar para Lisboa: fazer as malas de manhã e pegar um taxi para ir até a estação de trem, e minha mala por ser tão gorda quase não coube no compartimento (o maior que tinha), mas com um certo jeitinho (chamado força bruta) eu consegui, e pude desfrutar de uma viagem de 3h até Lisboa, com o som no ouvido e uma posição pouco confortável para dormir.

Chegando em Lisboa, não tive muito tempo de me arrumar e já tive que sair novamente, pois tinha outro compromisso da agência para cumprir. Aliás, um não: dois. Durante este tempo todo, tive o prazer de conhecer pessoalmente o Julian Treasure, que palestrou no TEDxO’Porto e já palestrou, também, no TED Global.

Depois do compromisso, nada como o conforto do hotel. Já era noite, não tinha o que fazer (mesmo), pois não conheço nada por aqui, e somando que eu preciso sempre acompanhar meus e-mails profissionais (muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e não posso ficar sem olhar nem um dia sequer), acabo passando as noites na frente do notebook, seja no quarto ou no saguão do hotel.

Aliás, o hotel onde estou é o mesmo que fiquei no começo da viagem, e a internet era maravilhosa, funcionava 100% sem interrupções, e eu conseguia fazer tudo que queria e até alguns lazeres, como assistir trailer de filmes, conversar por Skype usando vídeo, e pequenas regalias virtuais. Agora, não sei o que houve, talvez todos os geeks de Lisboa se hospedaram aqui e usam a banda 24h para baixar torrents do mundo inteiro, pois eu mal consigo postar no Twitter uma besteira qualquer com menos de 140 caracteres que a internet já cai.

O decorrer da semana será corrido, com mais e mais compromissos para cumprir por aqui, porém creio que terei algum tempo para aproveitar mais a cidade, caminhar, tirar muitas fotos e poder respirar um pouco mais aliviado sem ter que pensar em correria de trabalho e nos problemas que preciso enfrentar.

Viajar relaxa a cabeça, mas não resolve problema tampouco paga conta.

21mar (Porto) TEDxO’Porto 2011

Na noite passada eu fui dormir quase às 03h00 da madrugada, e o credenciamento para o evento começava às 07h00: imagine o estado do meliante cá. Para complementar a situação, eu precisava fazer a barba (uma das raras vezes em que eu limpei o rosto 100% com gilette foi este dia), e não é algo que se deva fazer rápido, principalmente se precisa aparar pelos perto da jugular.

Também estou com uma mania cretina: coloco o celular para despertar, e quando ele desperta, eu pego ele, trago de volta, e durmo. Sim, durmo, o que significa que eu entendo menos que uma pedra a função de um despertador (pelo menos ultimamente), e isso faz, também, com que meu atraso apenas se prolongue.

As boas notícias: o credenciamento terminava às 09h00 (tranquilo), e meu hotel ficava a duas quadras do local do evento (mais tranquilo – e saudável – ainda), então meus problemas não foram tão agravantes para a minha manhã.

Tendo dito tudo isso, vamos direto para o evento: a Casa da Música, para quem (ainda) não sabe (como eu, que só soube uns dias antes) é uma casa de shows e espetáculos que possui a melhor acústica do mundo. Sim, do mundo, ele inteiro.

Sim, estamos contando até os oceanos, quando dizemos “mundo”.

O TEDxO’Porto 2011 foi realizado para mais de 1200 pessoas, muito bem distribuidas, super confortável de se estar, tudo maravilhoso. Palco, luz, som (bom, não preciso entrar em detalhes sobre este ponto específico), a cerimonia de tudo realizada pelo Manuel Forjaz, o incentivo ao networking e às misturas, para evitar grupos fechados que não interagem com ninguém. Confesso que esta parte é sempre muito difícil, pois significa lidar com as vontades de cada pessoa, principalmente as mais introvertidas ou menos humildes.

É sempre uma experiência maravilhosa participar de um evento TEDx, mesmo que seja um modelo previsível (sempre serão palestras, e nada mais – para quem acha que existe diferenciações entre um evento e outro), pois é muito rico em conteúdo, principalmente cultural, pois trata-se de experiências particulares aplicadas em um assunto que tenha conexão com o tema do evento – como este agora, aqui em Portugal, cujo tema era Being Blue, que de acordo com Manuel Forjaz teve como objetivo mostrar o grande potencial que Portugal tem em si, e diversos pensadores subiram ao palco, em distintas áreas, para afirmar (e provar) que o tema é bastante concreto e realista.

Conheci muita gente bacana, também, tanto da organização quanto os próprios palestrantes, tive o prazer indescritível de, no jantar com palestrantes após o evento, sentar-me na mesma mesa que Celso Grecco e Miguel Neiva. Para quem não sabe, Celso Grecco é brasileiro, trabalha na Bolsa de Valores e criou a primeira Bolsa de Valores Sociais do mundo. Já Miguel Neiva é designer e desenvolveu um sistema de identificação de cores para daltônicos – Color Add – simplesmente encantador, sensacional, e de tirar o fôlego (dou mais enfoque nele pois eu sou formado em design, e não entendo bulhufas de economia).

Como dito acima, participei do jantar com os palestrantes, realizado no restaurante do Hotel Infante Sagres, que descobri ao final do jantar ser um dos restaurantes portugueses recomendado pelo Guia Michelin 2011. Portanto, taí uma experiência gastronômica muito bacana que tive no dia, principalmente por eu estar organizando o TEDxCampos, que irá abordar a gastronomia e alimentação dentro do tema “Alimentando ideias, inspirando relações humanas”.

Este foi o meu dia: prazer, conhecimento, conexões, e uma boa janta premiada com todos os envolvidos.

20mar (Porto)

Este dia não postei ontem, por algumas razões – no decorrer da postagem, entenderão.

Acordei tarde (oh yes), e vim verificar e-mails, recados etc. (para quem ainda não sabe, mais da metade do meu planejamento em Portugal é de trabalho, e o lazer seria apenas para os momentos que sobrassem), e acabei engatando uma conversa que foi bastante prolongada, até eu ver que não tinha almoçado (já se passavam das 15h aqui em Porto), então saí para comer, mas antes dei uma volta pelos arredores.

Para começar, a duas ou três quadras daqui do hotel, estava o local do TEDxO’Porto 2011, a Casa da Música, que já falei bastante nas outras postagens, e eu bati algumas fotos externas (quem tiver meu Facebook poderá ver), e depois fui para a Praça Mousinho de Albuquerque, onde tem o Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular – não sei, sinceramente, se é algo que realmente turístico, mas eu gostei bastante, adoro monumentos, estátuas e arquitetura.

Depois, nos arredores, fui em uma padaria/lanchonete e pedi a tal da Francesinha. Me descreveram ela como um sanduíche de queijo, presunto e molho de pimenta/apimentado, algo assim, e na hora que eu pedi veio um monstro. Para quem quiser ver a aparência da criança, clique aqui.

Na volta para o hotel, eu lembrei que precisava comprar algumas coisas que não trouxe do Brasil, como cortador de unha, barbeador, espuma para barbear e um engradado de Coca-Cola Zero (assim eu paro de consumir o minibar – apesar de que o preço no minibar é o mesmo lá fora…”lá fora”, como se fosse Arquivo X). MAS, era domingo, e tudo estava fechado. Cazzo. Ou melhor, foda-se (sim, aqui fala-se isso sempre, é tipo uma mistura de “porra” com “né?”).

Na volta para o hotel, achei um supermercado, aberto, e entrei nele: era bem varejão, com bandejão de calcinha, pilha, parecia uma feira com parede e teto. Não achei o que eu queria, saí de lá.

Depois de comer aquela atrocidade à humanidade, eu precisava tomar um cappuccino e comer algo doce, então fui até a cafeteria que tem colada ao lado do meu hotel, onde havia a placa escrito proibido estudar: se alguém puder explicar o que isso significa aqui em Portugal, os comentários da postagem estão em aberto para isso (também).

Cappuccino + croissant de chocolate. Tá, maior comida de fresco, eu sei, alguns vão falar que eu deveria mascar um peixe vivo e beber diesel, mas estava bom, apesar do chocolate no meio do croissant ainda estar na forma de barra – alguém esquecem de esquentar o suficiente, talvez?

No hotel, perguntei ao recepcionista sobre algum lugar para comprar o que precisava, e ele me indicou outro supermercado, na rua do hotel, a poucas quadras: maravilha. Consegui comprar tudo, e o supermercado era bonito! Nada demais ou diferente dos brasileiros, mas comparando com o bandejão de calcinha, sinceramente…

Voltei para o hotel, voltei para o computador, voltei para a mesma conversa, com a mesma pessoa (sinceramente? Era uma conversa bastante interessante), e vi que ia ter um jantar pré-TEDx, mas o tempo passou tão rápido que quando eu fui ver no relógio de novo já havia passado da hora, então resolvi ficar por aqui mesmo.

Lembrem-se: eu acordei tarde.

Daí eu pensei em dormir cedo, já que precisaria levantar 6h30 para me arrumar e estar no evento a partir das 7h, mas acabe indo dormir tarde (depois das 2h), ou seja, eu me auto sacaneei, mas esta parte eu irei contar na próxima postagem.

19mar (Lisboa – Porto)

Hoje meu dia foi bem vazio.

Tudo bem, eu irei encontrar detalhes para entreter vocês. Começando pelo momento em que eu acordei e pensei preciso fazer o check-out até meio-dia, e havia combinado de pegar carona com uma van do evento, que iria levar outras pessoas de Lisboa até Porto. Rapidamente fiz minhas malas, desci, fiz o check-out, e pensei em almoçar no próprio restaurante, assim ganhava tempo sem precisar ficar andando pelas ruas, e correr risco do planejamento dar errado.

Pois bem: não foi assim que aconteceu.

Almocei um hamburger no hotel que, sinceramente, não estava bom. Não estava ruim (a ponto de recusar), mas a aparência bonita escondia, na verdade, uma qualidade de lanche de bar: carne de hamburger frita, que dá aquele soco no estômago quando está terminando de comer, as batatas-fritas ajudaram (bastante), assim como o refrigerante e, a parte boa, a sobremesa, que foi uma porção de profiteroles.

Almoço realizado, pago, volto ao saguão do hotel e aguardo a ligação da van, o que demorou para acontecer, precisei ligar para meu amigo e perguntar se ele teria informações sobre ela, mas estava tudo normal, como planejado. Mas onde então estava o problema? Em Lisboa.

No dia estava marcada uma manifestação contra desemprego e injustiça social, e meus amigos explicaram, depois, que isso tudo é um reflexo (ou extensão) da crise mundial, que afetou fortemente alguns países da Europa (ou todos, eu sou burro para Atualidades), e eu imaginei que fosse ser algo pequeno, mas foi algo imenso, com mobilização policial e cobertura ao vivo na televisão.

Isso tudo causou…trânsito. Saio de São Paulo, esqueço que existe trânsito, e me deparo com o próprio aqui do outro lado do oceano. Mas o motorista (Nuno Baltazar, grande homem, simpatia) soube escapar por alguns atalhos, e fomos pegar outras pessoas que iriam conosco até Porto.

Essas pessoas, aliás, bastante loucas: todas mulheres, muito simpáticas e receptíveis, que ficaram mais de 3 horas sem parar de falar, e não era apenas falar, mas sim manterem-se engraçadas do começo ao fim, com direito a risadas de porquinho, gritos, cantoria e arrotos (minha amiga disse que elas arrotaram, mas eu estava dormindo – sim, eu consegui dormir).

Dormi, acordei, e continuavam cantando, gritando, atormentando o Nuno, até chegarmos em meu hotel, que fica a poucas quadras do local do TEDxO’Porto 2011, Casa da Música (http://www.casadamusica.com) – admitam, um lugar lindo demais. Amanhã irei tirar o máximo de fotos aqui em Porto, e dedicarei boa parte para a Casa da Música,

Havia uma exposição para visitar, Survivors, do GMB Akash (http://www.gmb-akash.com), mas chegamos muito tarde, já havia acabado, então nada mais do que se arrumar no quarto, consumir um pouco do mini-bar (refrigerante e um chocolate).

Quando entrei no quarto, acessei meus e-mails pelo iPhone e vi um e-mail do meu pai, dizendo que meu irmão havia sido atropelado, mas que estava tudo bem, foi um acidente leve e ele teve apenas alguns poucos esfolamentos. Porra! Meu irmão? Atropelado? Porra! Não falei com ele, pois ele estava fora de casa, mas falei ao telefone com meus pais, e eles garantiram que ele estava bem, já havia até saído com a namorada. Soube, também, que o motorista foi prestar auxílio e meu irmão, com sua gentileza nata, o mandou tomar no cu.

Sim, no cu. Esta informação significa que ele estava normal.

Depois, pensei em comer, decentemente, como sempre faço, mas o hotel não possui restaurante, daí eu fiquei com uma preguiça bem grande de sair do hotel e andar até algum restaurante, então continuo por aqui, e daqui será cama. Amanhã não sei o que farei durante o dia, sei que irei almoçar (dã), dar uma volta pelas ruas, encontrei várias arquiteturas bacanas por aqui, praças lindas e construções que, à noite, iluminadas, são fantásticas.

Aliás, repensando minhas fotos da Itália, e o pouco que tirei de Lisboa (irei voltar lá depois de Porto), conclui que eu gosto de arquitetura, árvores, nuvens, céu azul, cores vivas (principalmente quando há sol forte) e horizontes. E também gosto de usar ângulos um pouco diferentes, tenho uma técnica de alinhar algo do enquadramento de forma paralela com as extremidades do visor – quem quiser olhar minhas fotos da Itália novamente, poderá notar esta características.

Apesar desta técnica, eu não trabalho para a NatGeo.

18mar (Lisboa)

Fui dormir às 3h00, e hoje tinha reunião às 10h00, o que significa que sofri como um hamster parindo uma vaca – mas consegui: atrasado, mas consegui, a reunião foi um sucesso, a recepção foi ótima, e em breve poderei lançar a novidade. Dei uma pequena volta a pé, após a reunião, e cada dia que passo acho Portugal uma delícia, e está cada vez melhor pois se relacionar com alguma pessoa é muito mais fácil, por causa da similaridade dos idiomas, mesmo às vezes comigo tendo receio de falar, segundos depois lembro que ambos falamos português.

Os taxis são baratos, tenho feito bons trajetos por menos de 6 ou 7 euros (na Itália era um chute no saco – metaforicamente falando, creio que esta parte todos entenderam), mas pretendo andar mais, principalmente agora no fim de semana, que não terei compromissos da agência, tampouco profissionais: irei para Porto, onde passarei poucos dias, por conta do TEDxO’Porto 2011, e meu hotel será na rua do evento, maior conveniência não há.

Hoje comecei minha rota turística por Lisboa, graças à Bibiana, que já morou aqui e está tendo a paciência de me levar em alguns lugares. Como eu costumo esquecer das coisas, não poderei contar com detalhes os locais (nome, história etc.), creio que ela vá me corrigir depois e eu atualizarei esta postagem, mas prometo ser o mais explícito possível.

Tonto.

Peguei metrô, duas estações depois e já estava em Baixa-Chiado, onde encontrei a Bibiana e, alguns segundos depois, vejo uma pessoa vindo em minha direção, e eis que é o João Melhado! Porra moleque, a gente nem combinou nada, e nos encontramos tão rapidamente, adorei de verdade. Demos um tempo em um bar chamado A Brasileira, e a região é cheia de brasileiros, mas admito que em tanta muvuca é difícil distinguir uns dos outros.

Saímos, demos uma volta e fomos ao Adamastor, que é tipo uma Vila Madalena mais interessante, perto do cais, estilo mini parque, com pessoas sentadas comendo, bebendo, com os cachorros soltos brincando com as crianças, punks, roqueiros, hippies, maconheiros, mochileiros, e qualquer tipo de gente – é de se entender, pois há poucas quadras está o albergue Oasis. E pensando melhor, é realmente igual a Vila Madalena: gente estranha não falta.

Lá, comi uma tosta quente, que é um misto, porém melhor: presunto melhor, queijo melhor, e um pão que me lembrou ciabatta. E é barato! Isto foi o meu almoço, mais um cupcake e um copo de Cherry Coke (cacetada, há quanto tempo que não tomo uma dessas).

Mais passeio, andamos por algumas ruas pequenas, convidativas, aconchegantes, frias, com casas e lojas misturadas: o design era nítido, assim como as cores e a variedade de estilo em cada loja, sendo de bebida ou de roupa, todas compunham um cenário bacana.

Depois pegamos o elétrico (bonde), que foi até perto do Chapitô (www.chapito.org), um restaurante/bar/balada/biblioteca/teatro muito bacana, e bastante concorrido para se achar mesa para jantar (precisa de reserva): como nós chegamos antes do horário normal, de pico, pegamos uma mesa tranquilamente e apreciamos a vista do cais de Lisboa – fantástico, uma delícia.

Falando em comida: filé com bolo de cogumelos e espinafre cozido/refogado. Não tirei foto, mas garanto que dá vontade de comer todos os dias, uma delícia sem tamanho. Como estou organizando um evento com foco gastronômico, irei me forçar a comer coisas que eu geralmente não como, por escolha ou oportunidade, como por exemplo na hora de pedir sobremesa, sempre priorizo o que tem chocolate, mas desta vez escolhi uma torta de framboesa, que na verdade parecia uma fatia de pizza doce e eu acabei não gostando muito.

Chocolate, me perdoe, eu fui iludido!

O frio de noite é forte, mas estava mais fraco que ontem: só de camiseta eu consegui sobreviver muito bem. Claro que um casaco ia bem, mas eu quis correr o risco e ir sem.

Voltei para o meu hotel, e aqui estou desde então, respondendo e-mails, postando fotos e notícias em meu empoeirado blog, falando com as pessoas, assistindo alguns trailers de filmes, já com bastante fome e sede (mas infelizmente já encerraram a cozinha do hotel), e acabei de ligar para casa. Eu tenho dado notícias desde sempre, para começar, através do meu jeito nerd de ter me acostumado a postar os locais que estou no Foursquare, de usar o Twitter para falar algumas coisas, o Facebook para outras, o Instagram para compartilhar momentos interessantes…se minha mãe soubesse mexer no computador, quase nem precisaríamos nos falar ao telefone, ela já saberia tudo a meu respeito.

Mas voltando à realidade, liguei para casa, falei com meu irmão e minha mãe, e sim, estou com saudades de casa. Uma das primeiras coisas que falei para ela foi que o sentimento de solidão que tive na Itália está começando a surgir aqui, mas ainda está fraco – espera eu me enfiar no meio de 1400 pessoas na segunda-feira, quando acontecerá o TEDxO’Porto 2011, e eu conhecer algumas pessoas que só conheço virtualmente, que esta sensação irá passar…

…ou apenas se mostrar mais forte para, quando eu voltar para o hotel, ficar refletindo sobre a vida, a presença das pessoas ao meu redor etc. Sim, viagens em que você fica a maior parte do tempo sozinho servem, também, para você refletir sobre você mesmo, o futuro, como você lida com as pessoas etc.

Creio que eu irei atualizar este blog com as informações esquecidas de meus passeios, caso a Bibiana leia e venha me corrigir em alguma coisa, então fiquem atentos, todos vocês, um milhão (sic) de leitores que acham minha vida melhor que Paredão do BBB.

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