Levantar cedo em situações emergenciais têm sido uma proeza para mim, ainda mais quando eu me programo para levantar cedo e vejo que faltam ainda quase duas horas para o translado do hotel ao aeroporto acontecer. Então eu bebo água, confiro tudo no quarto, na mala, fico olhando a rua na janela, olho o quarto novamente (pensando o quanto é feio – apesar de ter me servido por duas noites), beber mais água (e enjoar do gosto dela – mimimi água não tem gosto mimimi tem sim), comer um Mentos (havia parado com esse vício, comprei um faz pouco tempo e realmente o gosto já me enjoou), e fazer o checkout.
Momentos depois, no hall do hotel, vem um cara perguntando pelo meu nome, confirmo que sou eu, ele me ajuda com a mala, entro em uma van da Mercedes e vamos para o aeroporto.
No voucher dizia que ele só falava o idioma local (italiano), mas ele começou a puxar papo comigo em inglês, e nessas horas a gente fica feliz por ter pessoas que falam mais de um idioma, mesmo que tropeçando em algumas palavras (esse seria eu).
Sempre falam a frase brazilian woman are beautiful e eu fico pensando se eles algum dia irão aprender alguma coisa nova. Falando como homem agora, e heterossexual, tem mulher linda em qualquer canto do mundo. Sabiam que Charlize Teron é africana? Aprendam.
Cheguei ao aeroporto, despachei minha mala, e a espada romana despachei em outro local. O que estranhei foi que eles não entenderam quando eu falei sword, ficaram olhando para mim com cara de dúvida, e eu tive que fazer algum gesto babaca tipo empunhando uma espada ou falar que era like a big knife.
Falei essa frase para a moça da bagagem e para o cara que despacha coisas estranhas.
Tudo certo, peguei meu vôo para cá, e na hora de entrar na área dos portões, o cara que olha o passaporte virou e falou em alto e bom português brasileiro han? Eu morava na Bahia, que tudo dê certo.
Encontrar um brasileiro, e simpático, que venha até você no meio daquela multidão de italiano, espanhol, alemão, finlandês e sabe-se-lá quais outras partes do mundo estavam ao meu lado, e fale algo bacana assim, mesmo simples, te faz ganhar o dia.
Se não o dia, pelo menos aquele minuto.
Passei pelo detector de metal, e pediram que abrisse minha mochila pois eu tinha um desodorante spray com mais de 100ml permitidos pela legislação internacional de segurança. O segurança gentilmente me explicou brevemente que não poderia, se havia problema em eu deixar o desodorante para trás, o que não foi incômodo algum (pelo menos doei um desodorante para os funcionários, para aqueles dias de calor, sabe?).
Peguei um assento na janela, e ao meu lado não sentou ninguém, o que significa que minha mochila ganhou um lugar especial, enquanto eu olhava a paisagem, esperando o avião decolar e sentir, novamente, aquela sensação de cacete, essa pitomba está voando.
Depois dessa sensação, na ordem, houveram outras: que incrível ver as nuvens a essa distância; puxa, ele voa bem acima das nuvens, havia esquecido; em um acidente, é melhor cair no mar ou na terra?; Google Maps!; Achei que fosse turbulência, mas sempre que o avião desce para um nível abaixo das nuvens dá essa tremidinha sussa; Quanto terreno sem mato; Vamos pousar, ele já embicou a frente no chão; Ahn me enganei, agora sim ele embicou.
MADRID
Descemos, eu fui procurar o meu amado Starbucks para tirar o atraso de um bom Dark Mocha e, como não achei salgado para comer, comi um donut de chocolate, que era incrivelmente leve, pois a massa de dentro da casca de chocolate não era de chocolate, era porosa e suave.
Depois comi um hambúrguer em um restaurante com nome engraçado, algo como Henry J. Jack But his friends all call him Hank (sim, esse nome inteiro). Não achei o lanche muito bom, pela banca que o restaurante coloca parecia que iria oferecer comida melhor.
Fiquei dando algumas voltas por aqui, olhando as lojas, desejando algumas coisas, e comprei três coisas: uma bolsa da Timberland, daquelas pequenas que está na moda e é ótima para levar carteira, celular, documento do carro e miudezas, o que me fará dispensar a mochila cheia de tranqueira e aliviar minhas costas (que estão ótimas), um perfume (One Million – Pacco Rabanne) para mim e outro para minha mãe (Kenzo Power). Nessa leva de compras eu gastei quase todo o resto dos euros que eu havia reservado para…momentos como esse.
Ainda sobrou bastante, considerando que não vou sair da área de embarque, o que significa que ainda consigo jantar e comprar tranqueiras para comer, o que não vou fazer, pois de tarde tive uma bela de uma caganeira.
Sim, leitores: caganeira. O Blog é meu e eu compartilho o que eu quiser, e a caganeira está em pauta, agora irei falar que minha caganeira me fez descansar sentado por um bom tempo, mas passou e eu pude continuar andando. Agora vou parar de falar da minha caganeira e falar dos fatos posteriores.
Bando de frescos.
Aqui tem uma lanhouse e eu comprei uma hora para usar a internet em meu notebook, o que foi bom para colocar o restante das fotos de Nápoles, as duas postagens atrasadas (vai lá Martinha, lendo e comentando, lendo e comentando) e ver algumas notícias no Brasil e no Omelete (sou viciado nesse site, deixem-me em paz).
Vi também que o euro está menor do que quando eu comprei, cerca de dez centavos abaixo. Coisas assim são patrocinadas pelo querido Google.
Continuei dando voltas pelo aeroporto até ver que o iPhone estava com a bateria acabando, e eu lembrei que os banheiros possuem milhares de tomadas. Então lá vai eu para o banheiro, mas sem caganeira dessa vez, apenas pluguei ele na tomada e fiquei esperando a carga completar e, enquanto isso, escovava os dentes, me olhava o espelho, dava uma aliviada na bexiga, lavava as mãos novamente, lavava o rosto etc.
Carga completa, comprei uma água na máquina e dei mais umas voltas (foi quando comprei os dois perfumes citados anteriormente), e resolvi parar em algum banco para esperar as horas passarem (falta pouco até para o vôo para São Paulo chegar).
Resolvi dar mais uma volta, e isso me custou um lugar no banco perto do portão, então resolvi sentar perto de uma coluna bizarra que tem no aeroporto, aliás tem várias, e ao chegar bem perto descobri (senti) que era um ar condicionado. Sentar de costas para isso foi uma ótima escolha.
Embarque anunciado e as pessoas se aglomeravam na porta, sem pensar em formar uma fila, apenas formaram um grande funil humano. Depois deste rápido sufoco entrei no avião, novamente na janela, torcendo para que o assento ao lado fosse vago, o que seria um presente para minhas pernas e viagem.
Não era vago, pertencia à uma senhora que puxou papo algumas vezes comigo. No começo ela parecia louca, eu pedi licença para ir ao banheiro, ela se levantou e ficou na minha frente, exatamente impedindo minha passagem. Então eu, quase escalando os bancos, me segurando no bagageiro, falei um tímido e contido licença que fez ela ter ciência da situação e finalmente saiu da minha frente, falando que estava com a cabeça louca e que não havia reparado.
Não precisava ser Jason Bourne para notar minha dificuldade de sair do local.
Mais de dez horas de vôo, precisava aproveitar cada minuto para dormir, apesar da senhora tentar puxar conversa ela sabia ver que eu estava dormindo (ou tentando) então não fui interrompido nenhuma vez.
Acordava nas horas certas (refeições) e nenhuma vez fui ao banheiro (novidade), apenas procurava fechar os olhos para dormir e ficava esperto para quando servissem algo: isso, e a segurança do vôo, me bastavam.
Nem hidratei meus olhos, por estar de lente de contato deveria, mas não tive problemas com isso também, tudo foi muito tranqüilo. O jantar deste vôo não foi legal: era um macarrão com um molho bizarro (e ralo) com azeitonas pretas e funghi, o que me fez pensar na primeira garfada de que aquilo seria o estopim de uma caganeira oficial de volta para casa. Fala sério, molho de azeitona com funghi em pleno vôo? Querem nos matar de diarréia, só pode ser.
Caganeiras fantasiosas à parte (não houve – pelo menos da minha parte), o vôo foi tranqüilo, e cheguei em casa são e salvo. Peguei minha bagagem na esteira e logo estava na fila para sair daquela parte, mas antes me bateu a dúvida sobre declarar os pertences.
Voltando no tempo agora: durante o vôo recebemos um formulário para preenchermos a respeito de nossa bagagem, se estávamos carregando algum alimento, produto derivado animal ou vegetal, armas etc. Perguntei à senhora do meu lado se era referente à bagagem de mão ou geral, e ela disse que pediu ajuda para a aeromoça e que ela não preencheu essa parte do formulário, que ficou em branco. Resolvi imitar.
SÃO PAULO
No aeroporto (continuando de onde parei), havia a fila para declarar pertences ou nada a declarar, a qual eu fui com a maior cara de pau, mas eu havia me preparado: sem mentir, como eu estava com dúvidas, qualquer problema que houvesse eu iria falar que deixei em branco para não preencher errado, e assim pediria ajuda à algum funcionário da PF.
Aconteceu que na minha vez o funcionário pegou o formulário e me indicou a saída: livre.
Procurei meu irmão e minha mãe, mas nada, então resolvi andar até um ponto e ligar para eles, avisando que havia saído do vôo. Nos encontramos e voltamos para casa, onde mostrei os presentes de cada um, contei rapidamente sobre a viagem e o vôo, e fui tirar uma pestana.
Demorei mais de uma semana para colocar a postagem deste dia pois havia esquecido, depois acabei me ocupando com outras coisas e agora, um dia antes de voltar ao trabalho, aqui estou eu atualizando todos os meus milhares de seguidores do blog.
Depois, com tempo e vontade, posto o saldo da viagem, em versão resumida.